Conspiração Internacional
Sentado à mesa ele tamborilava os dedos nitidamente entediado, enquanto se perguntava por que aceitou o convite. Definitivamente, festa em família estando recém separado era tudo o que ele não precisava. A cada minuto a parentada fazia revezamento e um se aproximava para lamentar o fato, com aquela cara de “coitado do Luizinho”, como se, em pleno século vinte e um, separar fosse algo absurdamente incomum. Só ele já era a terceira vez, estava até acostumando às idas e vindas. Incomum era a Tia Penha e o Tio Dedé, cinquenta anos de casamento. Sinceramente, olhando a cara de coitado do tio, não sabia se era uma data a ser comemorada ou lamentada. Uma vida sob a rédea curta da esposa mandona, definitivamente, não era pra qualquer um.
Continuou ali, absorto em seus pensamentos, bebendo o whisky, quando sentiu a mão em seu ombro, preparou a cara de poucos amigos, na esperança que a pessoa se tocasse e saísse à francesa. Levantou o olhar e, apesar de não reconhecer de imediato, quando viu o sorriso aberto lembrou, Tininha, sua prima sardenta de São Paulo, que todo ano vinha passar férias na Vó Luísa.
Caramba, quanto tempo, ele pensou. Passou um filme em sua mente. Lembrou daquele quintal cheio de árvores, do cheiro de terra molhada depois da chuva de verão, da cabana no fundo do quintal, das guerrinhas entre meninos e meninas… Nos finais de semana a casa da vó parecia até colônia de férias de tanta criança brincando por lá. E no final do dia sempre tinha aquele café com bolo, que chamava a gente pelo cheiro, de tão gostoso.
- E aí primo, quanto tempo, hein?! – e logo abraçou-o.
- Tininha… Você está linda, nem te reconheci, está mais…
- Se disser mais gorda apanha! – ela interrompeu com uma gargalhada.
- Nada… Ia dizer gostosa! – disse sorrindo e se protegendo do tapa que veio logo em seguida.
- Safado!!! – ela completou.
- Menina… Tem uns trinta anos que a gente não se vê.
- Na verdade vinte e sete, eu tinha quatorze anos quando papai morreu e depois minha mãe voltou a morar no sul, lembra?! Daí a gente nunca mais se viu. Ficou complicado vir passar férias aqui no Rio.
Engataram uma conversa gostosa, relembrando os velhos tempos, colocando em dia vinte e sete anos de assunto. Falaram dos casamentos, descasamentos, filhos e do novo trabalho dela em terras cariocas. De repente a noite chata mudou totalmente o rumo e sem perceber a festa chegava ao fim. Antes de sair trocaram telefones. E enquanto se afastava, olhou no verso do papel e leu: “Vamos brincar de conspiração internacional?”.
Quando era criança, era com ansiedade que ele esperava as férias. Tininha, a prima sardenta de SP era uma graça e só ela se divertia e aborrecia tanto com ele enquanto brincavam, chegava a chorar de raiva às vezes, mas no fim tudo terminava bem. Ele tinha prazer em espezinhá-la, no entanto estavam sempre juntos. Era a parceira de todas as horas, foram quatro verões, quatro férias de brincadeiras e descobertas junto com os outros primos e primas, no entanto, nenhuma era como ela. “Conspiração internacional”, como ela foi lembrar daquilo?!
Quando se é criança, tudo é aventura e antigamente se era criança até não poder mais. Não é como hoje, aonde sua filha de quinze anos, chega dizendo que deixou de ser virgem e precisa de camisinhas. Tempos modernos… Ser criança naquela época era viver em um filme de ação, descobrir novos mundos sem sair do quintal de casa, fazer de uma escova de cabelo uma arma super poderosa bem ao estilo James Bond. Transformar o barraco dos fundos da casa da vó em Quartel General e dividirem-se em grupos de bandidos e mocinhos na luta do bem contra o mal.
É claro que também brincavam dos jogos clássicos como pique-esconde, pega-pega, queimada… No entanto, somente em “conspiração internacional”, uma espécie de RPG, eles amarravam e torturavam as primas, fazendo cócegas enquanto elas se debatiam como donzelas em perigo até quase fazerem xixi de tanto rir, confessando tudo, até o que não havia para ser confessado. Nas brincadeiras, ele sempre era o espião que se apaixonava pela mocinha (sua prima) e salvava-a no final de tudo. E relembrando riu sozinho.
Demorou uma semana até criar coragem e ligar para a prima, apesar de não ter passado sequer um dia sem pensar nela e na tal brincadeira infantil. Era deliciosamente erótico lembrar cena a cena, as brincadeiras infantis, inclusive masturbar-se lembrando e ele se sentiu meio pervertido por isso. Ela o convidou para almoçar em sua casa, aproveitando que os meninos, dois filhos de dezesseis e quatorze, passariam o final de semana com o pai. Ao telefone eles sequer mencionaram a frase no bilhete, mas havia entre eles uma tensão sexual implícita, disfarçada na sobriedade da voz.
Na casa dela, o almoço preparado por ela mesma e servido à beira da piscina, trouxe mais uma vez à tona os assuntos de infância, as brincadeiras, os detalhes, afinal, era o que tinham em comum, um passado bastante lúdico. Até que em determinado momento olhando diretamente em seus olhos ela comentou:
- Eu era apaixonada por você, sabia?!
- Sabia… Quer dizer, imaginava, mas… Sei lá, acho que isso é natural entre primos – ele disse meio sem graça, ela foi direta demais, não esperava. Definitivamente ela não era mais a garota bobinha que conheceu e aquilo o excitava.
- Lembra do nosso primeiro beijo, lá no barraco? – ela continuava sorrindo com o olhar penetrante.
- Como esquecer? O Beto tinha amarrado você na cadeira, assento e encosto, com as mãos para trás e punhos amarrados também, você estava vendada e amordaçada. Quando cheguei para te soltar (eu era do seu grupo, lembra?!) você se assustou e começou a se debater, as pernas, do joelho para baixo era a única coisa livre, você as debatia com força, os pés descalços e sujos. Aproximei-me de você por trás e fiz apenas: “Shhhhhhhhh, está tudo bem, sou eu, vim te soltar”.
- Vocês eram cruéis, eu já estava ficando com a circulação presa.
- E enquanto eu tentava desamarrar o nó dos seus punhos, pois dali soltaria todo o resto, você continuava se debatendo, tentando falar mesmo com a mordaça, para que eu te desamarrasse rápido. Te vi realmente desesperada. Só que eu não entendia nada do que dizia, resolvi então tirar a mordaça e vi tua boca com os cantos machucados, marcados, o Beto tinha apertado demais a mordaça. Tirei também a venda e pude ver que seu rosto, seus olhos estavam inchados, você havia chorado, passei a mão no teu rosto e você disse…
- Meu herói…
- É! E a gente riu, lembra?!
- Sim…
- E mesmo sem saber como se beijava, fiz como nos filmes, aproximei minha boca da tua e… Bati meus dentes com os seus.
- Provocando outra crise de risos… Só em lembrar já estou rindo.
- Sim, e o teu pedido desesperado: “Me desamarra logo, vai?!”. Pedido que eu obedeci de pronto. Com direito a massagem nas pernas e beijinho no dedão do pé! – falou divertido.
- Nossa… Aquele dia eu nem quis mais brincar lembra?! Fiquei P da vida com o Beto, ele me amarrou forte demais, fiquei com as coxas marcadas por dias, mesmo depois de você ter massageado. Beto era sádico, uma vez ele fez a Ana mijar nas calças de tanta cosquinha coitada.
- Realmente ele era muito mais hard que eu. O que era bom, pois quando eu salvava vocês era muito bem recompensado – disse isso rindo muito.
- Seu canalha, não vai dizer que você também beijou a Ana e a Gabi?
- A Ana não, mas a Gabi…
- Tarado! – ela disse rindo, dando uns tapas nele.
Ele então a segurou pelos punhos e de maneira firme, mas não agressivo, abaixou seus braços, colocando-a de pé e encostando o corpo ao dela sensualmente. Ela não ofereceu nenhuma resistência, mas olhava-o diretamente nos olhos de maneira desafiadora. Ele inclinou seu rosto para beijá-la, mas ela virou o rosto, ele tentou novamente e ela divertidamente repetiu o gesto, até que da terceira vez ela deixou-se beijar. Um beijo longo, intenso, ele sentiu as pernas dela fraquejarem, soltou seus braços e ela logo os envolveu em seu pescoço. E então, como uma gata, ela foi se enroscando mais e mais em seu corpo, esgueirando-se, ficando na ponta dos pés até falar baixinho em seu ouvido:
- Vamos aproveitar que estamos sozinhos… Faz de novo?
E quando ele se inclinou para beijá-la novamente ela interrompeu:
- Não! Beijo não! Não agora… Não ainda…
- Hummmm… Acho que não estou entendendo nada…
- Está sim! Só preciso que me amarre, coloque a venda em meus olhos, amordace e…
- E…
- Seja novamente o meu herói! – disse olhando bem no fundo dos seus olhos.
Sem pensar duas vezes, pegou-a no colo como fazem os heróis, e enquanto ela se agarrava ao seu pescoço e balançava as pernas divertidamente no ar, ele subia as escadas a caminho do quarto. Tinha nos braços a mesma menina sardenta de outrora, agora tão deliciosamente mulher. A mente fervilhando de idéias e desejos inesperadamente resgatados do baú das lembranças.
Carinha de Anjo
- Cara, eu preciso contar pra alguém o que me aconteceu senão vou pirar – disse ele afobado, muito preocupado e ansioso, até.
- Fala aí, Mané, mas respira, porque senão você não me conta é nada – incentivei já bem curioso.
- Sabe a Paulinha? Aquela bonitinha que a gente conheceu na praia… Tava com tia, sobrinho, papagaio, periquito, lembra?
- Aquela com carinha de anjo? Claro que lembro, vocês estão saindo, né? Tá criando, né rapaz? Vi vocês outro dia lá na beira da praia – dei uma sacaneada batendo no ombro dele, mas ele suava frio.
- Sacaneia não moleque! Quando eu te contar o que aquela carinha de anjo fez comigo, putaqueopariu…
- Tô ficando preocupado, cara, conta logo.
- Então, depois daquele dia na praia grudei na menina. Peguei telefone e tal. A guria além de linda é inteligente, quer ser astrofísica, manja um monte de coisa que eu não entendo nada, mas que eu fiquei tão fissurado nela que até fui olhar no Google pra não dar vexame. Toda vez que eu ligava ela estava ocupada, estudando, no cursinho, no francês, no inglês… Cara que mulher difícil. E acho que quanto mais ela me despachava, mais eu gamava… – dei uma risadinha, que otário, pensei, mas ele continuou.
- Você ri, né? Tá rindo porque não prestou atenção direito naquela bunda empinadinha, naqueles peitos que cabem na mão, no andar dela… Putz, a Paulinha andando me mata, aqueles vestidinhos soltos que ela usa acabam comigo. Meti na cabeça que enquanto não pegasse a guria não ia sossegar.
Aquele dia que você viu a gente na beira da praia eu tinha convencido ela a tomar uma água de coco, entre o inglês e o cursinho, pra não atrapalhar a agenda. Foda é que nem com todos os meus esforços consegui roubar um beijo daquela deusa. E quanto mais a mina me sacaneava, mais eu gamava. Tava nem dormindo mais. Pior que ela parecia notar, mas fingia arzinho de inocente, saca? Aquela guria é um demônio, tô hipnotizado, sei lá.
- Pô cara, se tá assim sai fora, você o rei da mulherada, vai deixa aquela coisinha de dominar?
- Não! O pior você não sabe, não faz idéia, tenho até vergonha de contar, mas se não contar pra alguém eu vou explodir. Você é meu amigo, vai me ouvir, não vai?
- Você já está enchendo, cara, conta logo. Tô começando a ficar preocupado, caralho!
- Na sexta passada ela me ligou, do nada, perguntando se eu podia passar na casa dela. Os pais estavam viajando e ela não queria ficar sozinha. Pensei, pronto, ela caiu na minha, está no papo, vou me dar bem. Corri pra casa dela, só deu tempo de tomar um banho e sair, meu pau latejava de tanto tesão, bati uma pra ela no banho mesmo, pra não chegar lá de pau duro e passar vergonha, ia parecer adolescente babão, não dava.
Ela me abre a porta do apê com um pijaminha rosa. Cara… Pijaminha rosa, sem sutiã nem calcinha, só a porra do pijama. O peitinho dela parecia querer furar a blusa, minha boca encheu d’água, o pau ficou duro de novo e eu não sabia mais o que fazer. Ela sentou no sofá jogou uma almofada no chão, mandou que eu sentasse, disse que estava ouvindo música e passando creme no pé, pouco antes de eu chegar. Perguntou se eu queria passar creme no pé dela. Aceitei na hora, é claro.
Você já teve tanto tesão numa mulher que teve a sensação de que acariciar o pé dela é a mesma coisa que acariciar qualquer outra parte do corpo? Era exatamente isso. Enquanto eu acariciava aquele pé, o telefone tocou, era a Ana, amiga dela. Ela começou a conversar com a amiga e simplesmente esqueceu de mim. Fala sério, a guria esqueceu aquele pé lindo no meu colo e eu fiquei ali, ouvindo a conversa dela e massageando aquele pezinho. E nem te conto, ela tava conversando sobre outros caras, deu pra sacar, mas minha sede de pegar a mina era tanta, que eu fingi não ouvir nada e fiquei só passando creminho no pé dela. Melhor dividir com os outros do que comer merda sozinho, não acha?
- Você tá ficando louco cara, a guria estava falando de outros caras na tua frente, te ignorando aos pés dela e você ficou só passando creminho? Você pirou!
- Calma, calma, você ainda não viu nada! Quando eu disse que aquela carinha de anjo escondia um demônio eu não estava brincando não. Depois de mais de uma hora conversando com a Ana, ela disse que estava com sede, mandou eu ir pegar água pra ela na cozinha. E eu fui. Sei lá, quando eu disse que ela me enfeitiçou não estou brincando. Quanto mais ela me fazia de otário, mais eu gostava. Aumenta o som, abaixa o som, troca o CD… Cara, eu não sei o que tanto ela tinha a falar com a amiga, mas acho que ela ficou umas 3 horas no telefone.
- E você lá! Passando creminho – zombei.
- Não… Fiz uma porrada de coisa pra ela, ela pedia de uma maneira que eu não tinha como negar. Pedi pizza, cortei, coloquei nos pratos… Tava até gostoso ficar ali servindo ela, mas quando ela desligou, putaqueopariu…
- O que? O que foi? – já tava curioso com o que viria depois, meu amigo tava doido, queria saber até onde ele desceria por conta da tal Paulinha.
- Ela me chamou pertinho e me agradeceu dando um beijo, cara, mas foi um puta beijo. Você não tem noção. Quase que eu gozei ali, nunca um beijo me deu tanto tesão. Pensei, é agora que eu como, mas quem disse? Ela levantou e foi pro quarto dela, pedindo que eu fosse também, e quando eu fui andando ela com a voz mais doce do mundo disse que não de pé, de quatro, igual cachorrinho.
- E você foi?
- Claro! Você não tem noção do que é um pedido dela. É impossível dizer não. Fui atrás dela, de quatro, igual cachorrinho, tendo a visão mais linda do mundo daquela bundinha empinada enquanto andava.
- Cara, você está com problemas, já viu como os teus olhos estão brilhando? Você tá doido… Pelo menos comeu?
- Espera cara, deixa de ser ansioso, o pior ainda está por vir, de anjo ela só tem a carinha e você vai me entender por que digo isso. Quando cheguei no quarto, ela pediu que eu ficasse de pé novamente, me deu outro beijo que me deixou com 110% de paudurescência, encostando o corpo ao meu, me deixando sentir que estava mesmo sem calcinha e perguntou ao meu ouvido se confiava nela. É claro que confiava, confirmei. Como eu te disse antes, faria tudo para comê-la. E aí sim eu acho que fiz merda cara.
- Por que? Por que?
- Porque aquele demônio de pijama cor de rosa, tinha uma maletinha também rosa, onde tinha um monte de coisas, que de longe eu só conseguia ver que eram todas também rosa.
Soltei uma gargalhada, era rosa demais, ninguém merece.
- Não ri cara! Se fosse só aquela porrada de coisa rosa, mas a guria me convenceu a tirar a roupa, sentar na cadeira e me algemou com as mãos para trás. Porra, a algema tinha pelúcia rosa, até eu queria rir daquele kit Pink Panter, mas estava com um puta tesão, cada vez que sentia ela roçar os peitinhos e a bucetinha em mim.
- Cara, a Paulinha é sadomasô? Com aquela carinha… Putaqueopariu!
- É sadomasô que se diz? Sei lá, só sei que meu pau não descia de jeito nenhum, nem quando ela colocou um lenço em meus olhos tapando minha vista, quanto mais quando senti ela colocar um treco prendendo meu mamilos, só disse que não curtia dor, mas ela era foda, uma morde assopra. Fazia uma ruindade e um carinho. Cara, a guria sentou no meu colo, encostando a bunda no meu pau e se masturbou em cima de mim. Ela dizia passo a passo o que estava fazendo. Senti a respiração ofegar, o corpinho estremecer, ouvi o gemidinho e não via porra nenhuma. Nem podia fazer nada, caralho. Tava amarrado e com os olhos vendados. A Paulinha é foda. Eu doido pra fuder aquela bucetinha e ela se masturbando e me enlouquecendo ali com a bunda no meu pau e o próprio dedinho nela. Foda!
Meu pau latejava, eu implorava por aquela xoxotinha e ela ria. Putz, que mulher malvada. Ela se divertia igual criança. Teve uma hora que percebi, ela queria me colocar uma mordaça. Eu gelei! Não queria consentir, mas…
- A Paulinha sabia convencer… Sei. – disse sacaneando.
- Pois é cara, deixei ela colocar aquela bola com umas tiras na minha boca, devia ser rosa, nem sei, tava de olho fechado mesmo. Depois disso ela me amarrou o pau vinha com um treco e dava umas batidinhas nele, não chegava a doer, ela tinha cuidado, mas com as bolas amarradas, até a mamada que ela deu em meu pau doía. Doía e o pau ficava duro, muito duro. Ela mamava de um jeito que eu pensava que ia esporrar num misto de dor e prazer. Com a mordaça, eu sentia a chupada dolorida, mas podia gritar à vontade, urrar, ela sorria e dizia que era só mais um pouquinho.
- Porra você é doido, me deu dor aqui só em pensar. Que mulher maluca! Você foi dar parte na polícia? Depois dessa nem te pergunto mais se comeu, do jeito que é doida…
- Que polícia cara! Nem te contei o pior…
- Caralho! Tem pior?
- Ou melhor, sei lá, depois disso, nem sei mais de nada. Quando eu pensei que a sensação mais doida de prazer e dor que eu poderia passar era essa mamada no meu pau, ela veio com uma camisinha e encapou o cara lá embaixo. Liberou as amarras e meu pau quase explodiu, como se todo o sangue do meu corpo estivesse fluindo para o pau, que pulava, você não tem noção. A safada sentou nele e começou a trepar, cavalgando ele, minhas bolas doíam, mas meu pau era um sem vergonha e estava adorando a potrinha doida pulando nele. Ainda bem que eu estava amordaçado, porque ouvir aquela guria gemendo e roçando os peitos em mim, foi foda, gozei num berro, forte, senti a porra sair, enquanto meu corpo estremecia, e o dela também, ela tinha gozado também, foi tesão demais. Fiquei um tempo ainda sentindo os espasmos, a contração da bucetinha dela em meu pau. Fiquei muito tempo ali, sentado, com ela sentada em mim, até que ela levantou, vestiu um roupão, nem vi a guria pelada, acredita?! Ela me tirou a venda, as algemas, mandou eu me vestir e ir embora. Saí de lá tonto, cara…
- Putaqueopariu!
- Putaqueopariu digo eu meu amigo, que foda!
- Cara essa guria é doida você tem que dar parte dela. Ela é psicopata, tem dupla personalidade, sei lá… Sai fora
- Que psicopata, mané, ela é uma deusa, isso sim. A mulher é tão gostosa, que pode fazer o que quiser comigo que eu deixo isso sim.
- Pirou… Essa mina te usou cara.
- Pirei nada, foda é que quanto mais eu ligo, mais ela me ignora. Desde sexta-feira já deixei trocentos recados e ela só me atende quando quer, fala comigo o tempo que tem vontade e o pior é que eu não paro de pensar nela.
- Fudeu!
- Não… Eu tô na boa, ela deixou escapar que neste próximo fim de semana os pais vão viajar novamente e pode ser que ela precise de mim. Bom, tô na torcida, né? A esperança é a última que morre.
O Lago e o Vulcão

Era uma vez…
… um lago à beira de um vulcão adormecido. De águas límpidas e plácidas, temperatura agradável e convidativa. Uma paisagem absurdamente linda, retratada por inúmeros artistas da região. Por ser um local de muito difícil acesso, só podia ser contemplado ao longe.
Conta a lenda que em tempos muito mais que distantes, havia na região uma aldeia e perto dele um castelo onde, solitária, vivia uma Rainha sem rei. Muito bela e inteligente, era uma mulher à frente do seu tempo. Em um mundo onde só os fortes sobreviviam, ela ousava reinar com inteligência, magnitude e benevolência, fazendo disso a sua fortaleza. Às vezes parecia fria e distante, no entanto, era justa, mas eventualmente caprichosa e malvada, como só as Rainhas podem ser.
Dizem que na ânsia de encontrar um companheiro para o seu trono, uma vez ao ano ela promovia uma festa. Uma espécie de torneio no solstício da primavera, que era aberto a qualquer homem do reino e seus arredores. Ao futuro rei, seria ofertado o seu maior tesouro. Tesouro este não revelado, no entanto extremamente cobiçado, afinal era um reino próspero, cheio de riquezas. Sem contar que o vencedor partilharia, até a morte, o leito com sua bela Rainha que tinha a fama de ser sexualmente insaciável.
Nestes torneios, que começavam em festas de três dias e três noites, onde o feminino e a cultura eram enaltecidos e reverenciados. Apenas no último dia a Rainha comunicava que apenas um, entre todos aqueles homens, havia sido escolhido para a última prova. A este homem, era dado o poder da escolha de submeter-se ou não à prova.
A prova era passar uma noite com a Rainha, saciando-a de todas as formas, inclusive sexualmente. Conta a história que a Rainha era uma mulher excêntrica, cheia de desejos incomuns, extremamente voluntariosa, às vezes até um pouco sádica, mas também muito doce e carinhosa. Todo o reino comentava à boca pequena suas excentricidades. Ainda assim, não faltavam candidatos ao trono. A pena para aquele que não a satisfizesse era simples. Deveria escolher entre a morte ou a escravidão.
Ano após ano. A festa era cuidadosamente planejada, os convidados cuidados e servidos como se fosse o próprio futuro rei. Durante os três dias e três noites da festa, mulheres seminuas, verdadeiras ninfas, serviam e dançavam para os candidatos, que estavam a todo o tempo sob o olhar atento da Rainha. Que fazia questão de conversar com cada um deles, em grupo e reservadamente. Alguns se excediam na bebida, outros na comida, outros falavam demais contando vantagens, brigavam entre si, alguns se excitavam com as serviçais e davam pequenas fugas para os seus aposentos. No entanto, nenhum deles sabia que estavam de certa forma, sendo um a um previamente eliminados da prova pelas suas próprias atitudes.
Quando a Rainha finalmente fazia a sua escolha diante de todos, inicialmente era um motivo de grande orgulho ao escolhido. Que enchia o peito, feito um pombo garboso diante dos que foram subjugados. Em particular, ela fazia claramente a proposta. Se o candidato se sentisse inapto para satisfazê-la, tinha todo o direito de retirar-se naquele instante, com liberdade e com vida, no entanto, sem honra. Alguns faziam esta opção, mesmo com todo o desejo, o medo era maior e saíam do reino cabisbaixos e humilhados.
Outros, por orgulho e convicção, aceitavam o teste, mas eram tantos os caprichos da Rainha, que parecia ser realmente insaciável tanto em seus desejos ditos simples, quanto no sexo. Que ao amanhecer, após uma noite servindo-a de todas as formas, percebendo-a ainda insatisfeita, o candidato repudiado preferia a morte à servir a tirana por uma vida como escravo.
Dizia o povo, que a estes candidatos, que pelo menos ousaram tentar satisfazê-la, ela lhes dava uma morte gloriosa. Como aceitavam resignadamente o seu destino, recebiam um tratamento especial. Eram amarrados em um trono de veludo vermelho por quatro lindas serviçais nuas, vendados, acariciados e beijados por cada uma delas, sob o olhar atento da Rainha. Invariavelmente, mesmo sabendo da iminente morte, a ereção e o prazer destes homens eram indescritíveis.
Somente depois de algum tempo observando a sensual agonia do outro, sobre o membro rijo a Rainha sentava-se até encaixá-lo completamente dentro de si e delicadamente cavalgá-lo. E quando finalmente ela o sentia completamente rijo e pulsante dentro dela, parava o movimento e massageava-o apenas com suas contrações internas, até perceber a respiração dele ofegar prestes ao orgasmo. Neste momento, ela tirava uma grossa corrente de ouro do próprio pescoço, envolvia no dele e estrangulava-o, aumentando freneticamente o ritmo da penetração até junto com o orgasmo dele, vir também seu último suspiro. Ninguém entendia como a Rainha podia ser tão boa, mas também tão malvada.
E assim passaram anos, reinando firme e serenamente o seu povo. Todo ano, a cada festa saíam homens humilhados ou mortos, mas nenhum escravo. A fama da Rainha bela e perversa ganhava o mundo. Ela era a própria contradição em forma humana. Extremamente justa e benevolente com seu reino, mas profundamente perversa com seus possíveis reis. Cada dia ela ficava mais insatisfeita e inquieta, cada dia ficava mais solitária. Chegando quase ao ponto de contentar-se com esta solidão. No entanto a sua busca era quase uma compulsão e no ano seguinte, lá estava o torneio outra vez.
Foi então que um dia, no que poderia ser mais uma festa, como tantas outras. Ela viu aquele homem tímido em um canto. Estatura mediana, jeito mediano… Não falava demais, nem de menos. Não chamava atenção e nem passava despercebido. Entre tantos príncipes e reis ela o percebeu. Aquele homem comum. Durante os três dias de festa ele acompanhou-a com os olhos, com cobiça e respeito, respondeu ao seu chamado com um olhar, antecipou seus desejos, não invadiu seu espaço. Durante o sarau recitou poesias, deixou-a completamente envolvida e excitada, com tamanho erotismo em palavras. Para surpresa de muitos, mas não dela, foi ele o escolhido. E quando em particular ela fez a proposta, ele resignadamente aceitou. “Será uma honra serví-la, minha Rainha!” disse ele. “Mesmo que seja a última coisa que fará na vida?”, ela perguntou como sempre fazia. E ele assentiu cabisbaixo.
Naquela noite, ela não foi menos exigente, caprichosa ou sexualmente insaciável do que sempre foi. O humilhou de diferentes formas, usou-o sexualmente, amarrou, espancou… Talvez até mais do que qualquer outro até então. E quando enfim o dia amanheceu ela, para sua própria tristeza, ainda estava insaciada. Dentro dela um grande vazio, tristeza, será que nem aquele homem tão solícito e preocupado com o seu prazer seria capaz de saciá-la? Era sua existência uma maldição? Respirou fundo então e, mesmo acostumada à resposta de que preferiam a morte, ela fez a proposta. “Deseja a morte ou a escravidão?” E ele então, para sua surpresa, ajoelhou-se diante dos seus pés e em posição de reverência, sem levantar os olhos respondeu: “Depois dessa noite, minha Rainha, a morte seria não ser seu escravo… Imploro que não me mate, não agora, pois quero servi-la até o fim dos meus dias.”
Pôs-se então a chorar e lavar os pés dela com suas lágrimas. Aquele ato de tamanha reverência e subserviência desconcertou-a. Algo indescritível e inexplicável. Tanto, que alguma coisa estranha aconteceu dentro dela. Colocou-o de joelhos diante de si e estapeou-lhe a face. “Recomponha-se homem. Não tem vergonha de chorar diante de uma Rainha?” e ele mais uma vez cabisbaixo respondeu que vergonha seria não ser completamente submisso e seu escravo. E naquele momento algo mudou na Rainha.
Conta a lenda que naquela manhã a Rainha o amarrou à cama e, cada vez mais severa, de todas as formas fez uso de seu corpo, de todos os seus orifícios, soltando-o apenas em momentos que queria-o como macho sobre si. Cobrindo-a como sua fêmea. Em sua boca ela liberou inúmeras vezes seu suco, sendo inclusive este o seu único alimento ou bebida. Por mais três dias e três noites ela e ele continuaram ali, trancados em êxtase e paixão. E no final da terceira noite, um tremor de terra amedrontou toda a cidade. E o vulcão, outrora instinto, com muita fumaça e lava entrou em erupção colocando toda a cidade desesperada em fuga. Exceto a Rainha e o escravo, que continuaram naquele quarto, alheios a tudo, entregues um ao outro até toda lava cobrir a cidade. Há quem diga que ao longe se ouviam gritos e gemidos de prazer até a cidade ser completamente coberta.
Dizem também que foi a paixão daqueles dias que provocou a erupção, que a rainha finalmente encontrou seu rei em um escravo. Que o maior tesouro que ela tinha a oferecer era a satisfação consentida daquele estranho prazer. E esta teoria ficou ainda mais forte, quando anos depois, ao pé daquele vulcão nasceu um lago. Lindo e limpo como a bela Rainha. Molhado e abundante como se imaginou ser seu último orgasmo. Nunca ousaram construir mais nada ao pé daquele vulcão, mesmo sendo sem dúvida um dos lugares mais belos do mundo. Ainda hoje, eventualmente o vulcão dá sinais de vida, e o lago plácido aquece e turva. Segundo a lenda, até hoje o escravo-rei serve à sua Rainha, dizem que se fundiram à natureza. E quando o abalo acontece é porque ela está à beira de mais um orgasmo com ele a satisfazê-la.
Imagem: Luis Royo
Pai, Filho e a Rainha do Lar

Era o pai um escravo submisso conhecido no meio SM, sempre presente em festas e eventos bordejando pra lá e pra cá em seu traje de empregadinha, a empregadinha de todos nós. Escravo doméstico, mas sem Dona, Dona mesmo era a sua Senhora. Senhora da própria casa, mandona, Rainha do lar, mas… Inconsciente do seu poder de Rainha. Sequer sabia o que era Domínio e submissão em um contexto erótico. Sua Senhora reinava, mandava e desmandava, acreditando que tudo aquilo era apenas seu dever de Dona de casa. Enquanto isso o marido sonhava… E nas festas era o reflexo das empregadas, cozinheiras, diaristas, todas as serviçais que ele via serem comandadas por Ela, a sua Senhora.
Conheci o filho meio por acaso, em um passeio no shopping deparei com a família. Esposa, marido e filho, exatamente nesta ordem. O pai educadamente fez um cumprimento com a cabeça, era um gentleman, enquanto a esposa, Rainha Soberana, o inquiria com o olhar. Saiu-se bem me apresentando como um contato comercial da empresa. Não era mentira, foi uma grande surpresa quando nos esbarramos profissionalmente, fora dos eventos fetichistas. Éramos grandes amigos. Da família eu sabia tudo, apenas não conhecia pessoalmente. Só não sabia uma coisa, era o filho um submisso também, pude reconhecer pelo olhar, e ele jamais comentara.
Fomos apresentados, conversa trivial, superficial, sua Senhora comentava dos preços, do calor, da violência urbana, era uma mulher falante, simpática, Dominante. O papo fluiu, resolvemos tomar um café. Parecia pouco mais velha do que eu, deve ter casado jovem, muito jovem. Não dava muito espaço para marido e filho ter expressão. Pareceu gostar de mim, éramos parecidas. Na mesa da cafeteria, nós conversávamos, eles escutavam. No entanto, era o filho que me chamava atenção, um rapaz de vinte e poucos anos, escondido atrás dos óculos, tímido, que não ousava me olhar nos olhos em nenhum momento.
A partir daquele dia nos tornamos amigas, inicialmente para desespero do marido, que temia que eu soltasse algo sem querer sobre a sua vida secreta. Medo que foi logo substituído por uma grande cumplicidade, quando podíamos ríamos sozinhos das cenas protagonizadas por ela. Ele chegou inclusive a confidenciar que muitas vezes já correu para o banheiro para masturbar-se após presenciar algumas atitudes tiranas da esposa para com as empregadas. Ela era exigente ao extremo, naturalmente Dominante não apenas com os empregados, mas com marido e filho também, e eles já estavam habituados a isso. Ele só lamentava não ter coragem de dizer a ela dos seus desejos, das suas fantasias, acreditava que ela jamais entenderia seus desejos e talvez até pedisse a separação. O que pra ele era impossível sequer imaginar. Ela era a mulher da sua vida, mesmo sem saber o porque.
Foi durante uma festa na casa deles que eu tive minha chance com o filho. Percebi muito rápido que ele estava sempre muito próximo e solícito a tudo que eu necessitava. Eu já exercia ascendência sobre ele, que naturalmente obedecia encantado. Sentia-me uma pervertida em desejar aquele rapaz que poderia ser meu filho. Principalmente porque quando eu o via, meu único desejo era mostrar que tudo aquilo, toda a insatisfação e vazio estampados em seu rosto, toda aquela subserviência desmedida podia ser transformada, canalizada em energia sexual. Eu sentia nele um potencial absurdo para submissão sexual. Ninguém necessita ser um submisso na vida. O próprio pai era um empresário de sucesso que desde muito cedo descobriu que sua submissão era apenas uma fantasia sexual. Quando olhava para o menino, eu só queria mostrar a ele que ser submisso não é ser menos homem. Ser submisso é ser tão homem que pode levar qualquer mulher ao extremo prazer sexual, ter prazer em dar prazer.
Não demorou muito engrenamos um assunto de interesse comum, softwares de edição de imagem. Conversávamos animadamente, o menino era além de interessante, inteligente. E como a casa estava cheia de convidados, a mãe de vez em quando vinha me perguntar se eu estava bem servida, era muito atenta ao serviço, perguntava se precisava de algo e a cada dez minutos lembrava a ele que não deixasse me faltar nada. O pai olhava de longe enquanto dava atenção aos outros convidados e sorria com cumplicidade, já havíamos conversado sobre o filho e ele concordava com a minha teoria. No fundo ele já havia percebido o meu interesse e, principalmente, o interesse dele por mim.
Teve um momento que eu simulei uma torção em meu pé, no alto do meu salto doze e ele prontamente me acudiu gentil e carinhoso. Nos encaminhamos para um canto onde havia uma poltrona, ele ajoelhou-se diante de mim e desatou a minha sandália. Olhando-o nos olhos, pousei meu pé em seu colo e agradeci o cuidado, percebi um suspiro envergonhado da parte dele. De longe mãe e pai perceberam e aproximaram-se, ele retesou o corpo. Ela muito solícita perguntou o que aconteceu, eu fingindo dor disse que havia torcido o pé. O pai cúmplice pediu que o filho me encaminhasse para a saleta de TV, lá havia menos gente, enquanto isso a mãe, muito cuidadosa e realmente preocupada, coitada, foi pegar um creme para aliviar a dor. Sentia-me uma atriz, e tive um pouco de dó pela real preocupação dela, no entanto naquele momento tudo o que eu queria era as mãos dele em mim, e conseguiria a todo custo.
Na saleta, ele me acomodou no sofá, a mãe chegou logo atrás, instruindo-o sobre como massagear meu pé da maneira correta e me pedindo desculpas por não poder me dar a devida atenção, afinal, havia outros convidados. Saiu levando o marido pelo braço, eram os anfitriões, mas não sem antes exigir do filho que me cuidasse da maneira devida. Tarefa que ele executou com extrema devoção.
Massageou meu tornozelo com cuidado e eu fingia dor. Ele suava de nervoso, já havia percebido a minha má intenção, mas fingia não perceber e se deliciava tanto quanto eu com a ceninha de donzela em perigo. Cuidar de mim era naquele momento um ato duplamente submisso, já que ele obedecia à mãe enquanto dava prazer a mim. Ele ali, de joelhos diante de mim, num ato de cuidado e devoção, aliviando a minha dor, até quase ao ponto de me proporcionar alívio e prazer.
- Hummm… A massagem está tão gostosa que eu chego acreditar que se você der um beijinho passa a dor completamente – eu disse quase ronronando feito gata.
Ele olhou em meus olhos com o rosto afogueado, imediatamente depois olhou para a porta da saleta aberta, certamente com medo de executar minha proposta e ser pego no flagra pela mãe. Podia ler o dilema em seus olhos e continuei colocando o meu pé meio de lado e mostrando um pouco a coxa pela fenda do vestido.
- Dói mais aqui, ó! – apontando para o meu tornozelo.
E ele quase que hipnotizado parou de massagear para simplesmente olhar minha mão acariciar a própria perna, tornozelo e calcanhar. Estiquei meu pé colocando a cinco centímetros da sua face e repeti.
- Tenho certeza que com um beijinho essa dor passa…
Ele então, ainda de joelhos, segurou meu pé com as duas mãos, fechou os olhos e beijou exatamente onde eu havia indicado. No entanto, não parou ali, beijou também a sola com carinho e intensidade. Senti naquele beijo tamanho desejo, que foi como se ele tivesse beijado os meus lábios. Era uma cena linda diante de mim. Havia paixão e havia também subserviência. Mesmo cheio de medo que alguém pudesse chegar eu podia ver estampado em sua face o prazer em adorar meus pés. E antes que a carícia ficasse mais ousada e corrêssemos perigo, o interrompi.
- Obrigada, muito obrigada… Seu beijo é mágico, a dor passou.
Não sei ao certo quanto tempo passou, era como se ele tivesse beijado o meu pé durante horas. Sem dizer nada continuou a massagear, ali, de joelhos. Havia entre nós uma aura de encantamento. Ele estava nitidamente embevecido. Aquele menino era meu e nem sabia.
Foi então que a mãe dele entrou ainda preocupada com meu pé. Agradeci o carinho e a atenção, mas disse que iria pedir um táxi para me levar em casa. Não havia mais clima para festa. E ela então completou taxativa.
- Táxi para que, querida?! Meu filho leva você, não se preocupe, ele te leva direitinho, como um motorista particular – ela sentenciou naturalmente, como só as Rainhas o fazem.
Sorrimos. Não havia espaço para contestação. Sua Majestade, sem saber, conspirava em nosso favor. Seria um sinal do destino?
A Lua

À luz da lua cheia que ousada invadia a escuridão do quarto, Anna acariciava os cabelos de Maria, que repousava num sono profundo aninhada com a cabeça junto aos seus seios. E enquanto acariciava, observava as marcas no corpo de Maria. Num gesto quase que instintivo levou os dedos àquelas marcas sem tocar, tocando. E uma lágrima escorreu pela face lembrando as palavras dela:
- Eu preciso sentir dor. Dor, para amenizar a minha dor. Uma dor intensa de ter que acordar todos os dias, levantar e levar esta vida vazia… Quanto mais sofro, menos sinto.
Aquilo era meio absurdo para ela, que apesar de todos os pesares que a vida lhe causou, seguia firme e sempre adiante. Cheia de marcas, é verdade, não na carne, mas na alma. Talvez fosse melhor ser como Maria, e ter a dor cessada, mesmo que por instantes através da dor externa, do castigo, da dor impingida por outrem. Sadismo e masoquismo psicológico, que se completa, que faz da cena o divã do analista, do ato de impingir e submeter-se à dor, uma expiação.
O recado na caixa-postal do celular denunciava o desespero da amiga: “Preciso falar com você, me liga!”. Anna ligou, mas não teve resposta, o que deu nela uma grande angústia. Veio à sua mente o pior. Pegou as chaves do carro e em pouco tempo estava à porta da casa, apertando o interfone. Uma, duas, três vezes até obter resposta. Uma voz chorosa, mas que reconhecendo a voz da amiga abriu o portão. Anna foi recepcionada por Puck, o labrador de Maria, que parecia ansioso em conduzi-la o mais rápido possível para dentro de casa pela porta entreaberta.
Ao abrir, Anna viu a amiga nua esparramada no chão, chorando, entre fotos e mais fotos. Uma vida em imagens. Pequena na escola, na primeira comunhão, com o namoradinho da adolescência, de vestido de noiva, na lua-de-mel com o ex-marido… E quando viu a lamina da faca afiada brilhando no sofá, entendeu de imediato a intenção de Maria. Correu para perto dela e tirou aquele objeto de perto dela. Foi então que viu as coxas ensangüentadas, pequenos cortes que escorriam filetes de sangue, sangue que escorria e sujava as fotos.
- Você está louca Maria? Queria se matar? – disse gritando com a amiga, segurando-a pelos cabelos, forçando-a a olhar em seus olhos.
- Não! – ela gritou desesperada entre as lágrimas – Eu não quero morrer, mas preciso sentir dor. Eu preciso sentir dor. Dor, para amenizar a minha dor. Uma dor intensa de ter que acordar todos os dias, levantar e levar esta vida vazia… Quanto mais sofro, menos sinto.
E dizendo isso caiu num choro convulsivo, estremecendo todo o corpo. Ela estava em crise e precisava acordar. Foi então que num gesto rápido, enquanto com a mão esquerda a segurava pelos cabelos, com a mão direita deu dois tapas fortes em sua face. Tirando-a do surto, trazendo-a de volta ao mundo real. Ela olhou para a amiga assustada e levou a mão a própria face, quente pelo estalo da bofetada. Nada disse ficou quieta, com as lágrimas ainda escorrendo, mas agora sem soluços. Anna soltou seu cabelo, ajoelhou-se diante dela e beijou sua face, suas lágrimas, seus olhos, boca… Envolveu o corpo da amiga em um abraço terno. O beijo na boca não tinha volúpia, era cuidado. Por muito tempo ficaram ali, abraçadas, sem dizer nada. Só aconchegadas nos braços uma da outra. E quando Maria ficou mais calma, a outra se levantou e foi até o banheiro pegar anti-séptico para desinfetar e tratar os cortes da auto-flagelação da amiga.
Depois de tratada, Maria contou em detalhes seu sofrimento, mais uma vez falou da vida, das sucessivas desilusões, da culpa pelo casamento não ter dado certo, dos pais negligentes e novamente falou da dor. Uma dor interna que só passa com a dor externa. E começou a detalhar o sofrimento de ser como era. Foi quando Anna calou a amiga com um dedo em sua boca. Olhou-a profundamente em seus olhos e disse:
- Já experimentou aliar a dor ao prazer? – e viu uma grande interrogação se formar na expressão da amiga, mas continuou aproximando o corpo da outra, forçando uma intimidade invasiva. Intimidade que se consolidava com as mãos acariciando e tocando o corpo da amiga.
- Não é possível ter prazer na dor Anna. Aliás, eu nem acredito em prazer, nunca tive um orgasmo senão os que eu mesma estimulei através da masturbação – e baixou o olhar envergonhado.
Anna então deitou o corpo da outra na cama, que sem resistência acatava todos os comandos, mudamente. E enquanto beijava-lhe a boca, com as pontas dos dedos buscava os mamilos rijos de Maria, que entregava seu corpo sem reservas. E quanto mais sentia a entrega, mais fazia pressão com os dedos, as pontas das unhas, até sentir um gemido abafado pelo beijo. Neste instante, soltou o mamilo e fez o mesmo com o outro que ficara livre até obter a mesma reação.
- Doeu? – Anna perguntou com um olhar enigmático e respiração ofegante.
- S-sim, mas… Eu gostei! – disse tímida – Acho que melei entre as pernas.
E dizendo isso recebeu um tapa estalado na face, dessa vez não tão forte quanto o da sala, mas que a colocou em alerta, sem saber o que tinha feito de errado. A amiga percebeu o olhar interrogativo e completou:
- Quem te mandou gozar, putinha?! Ainda não…
Provocando uma sensação estranha em Maria, um tesão que parecia invadi-la de dentro para fora, queimando seu corpo até afoguear a face e enrubescê-la. Ser chamada de puta pela amiga provocou uma sensação contraditória dentro dela, que aliada a dor que quase a levou ao gozo a deixava confusa, mas excitada.
Anna então levantou da cama. E lentamente começou a despir-se. Já tinha visto a amiga nua muitas vezes, mas nunca foi tão erótico vê-la despir peça a peça. Ela não tirava o olhar dela enquanto desnudava-se, olhava diretamente em seus olhos, seios, umbigo, púbis. Quando viu o olhar dela fixo em sua xota, mais uma vez sentiu melar e instintivamente apertou a mão entre as pernas. Foi quando viu que a amiga, já completamente nua, puxou-a pelas pernas na cama, trazendo-a para bem perto de si e tirou a mão de onde estava. E bem baixinho disse em seu ouvido.
- Será que terei de amarrá-la pra você aprender que eu disse ainda não?!
As palavras dela, sempre tão firmes, mas ao mesmo tempo delicadas, enchiam-na de tesão. Sem perceber fechou os olhos e deu um suspiro. Sentiu que a outra se levantava e começava a procurar alguma coisa no guarda roupa.
- O que você quer Anna? – tentando ajudar.
- Cala a boca, e feche os olhos, eu me viro… – foi a resposta seca da amiga, mas como já havia entrado no jogo de comando dela, acatou sem dizer mais nada.
Anna recostou-se por trás dela, roçando os seios em suas costas, roçando seus longos pelos nela. Sentia o corpo estremecer. De repente, ainda com os olhos fechados, sentiu que um lenço era amarrado sobre seus olhos, deixando-a num breu total. Aquilo a assustava ao mesmo tempo em que ficava cada vez mais excitada, mas confiava tanto na amiga… Que se deixava levar. Aos poucos teve os punhos e tornozelos atados por algo que parecias lenços, ou echarpes de seda, sendo amarrada em X na cama. Percebia a amiga sair e voltar ao quarto. Aquilo dava uma sensação estranha, um desconforto absurdo que começava a incomodá-la. Era horrível não saber o que estava acontecendo e então perguntou:
- O que está fazendo Anna? – e recebeu outro estalo leve na face, que mais uma vez a excitou, entendeu perfeitamente quem estava no comando e não a questionaria mais. Ficou angustiada, mas percebendo cada som, cada aroma.
Sentiu então algo gelado em seus mamilos, devia ser gelo, sentiu o corpo arrepiar. Anna não dizia nada. Havia colocado um CD de música celta para tocar. O som das gaitas de fole ia enchendo-a cada vez mais de tesão. Sentindo o gelo passear pelos seus mamilos hora um, hora outro. A ponto de ficarem dormentes, sentiu que algo foi colocado neles, mas não sabia o que. Continuou apenas percebendo, sentindo o que Anna fazia em seu corpo. Passou gelo em seu clitóris, arrepiando-a uma vez mais.
À medida que os mamilos iam voltando à temperatura ambiente e um desconforto maior ia provocando uma dorzinha constante neles, já não conseguia bem entender de onde ou o que lhe provocava mais desconforto, a dor nos mamilos ou o gelo no clitóris. Sentiu então os dedos dela abrindo-lhe os grandes lábios, até suavemente tocá-la com os próprios lábios. Sentiu a região aquecer aos poucos pelo calor daquela boca, o prazer ia crescendo enquanto era mamada por aquela boca. O corpo contorcia de prazer e quando pensava que estava prestes a gozar a amiga uma vez mais vinha com o gelo que apagava seu fogo. Aquela sensação de quase lá a enlouquecia, ao mesmo tempo em que seus mamilos doíam e incomodavam até quase não agüentar. No entanto, não tinha coragem de pedir que fosse retirado, o que quer que fosse de seus mamilos. Agüentava, submetia-se àquela dor.
E quando Maria pensava que já estava terminando, ela saía, mas voltava com outra coisa. Sentiu cheiro de algo queimando, parecia o cheiro da vela aromatizada que enfeitava a sala, presente da própria Anna. Imaginar o que Anna podia fazer com a vela deu um desespero, por outro lado, era mais forte que ela a excitação e o desejo de saber qual seria o próximo passo. E então, sem aviso, recebeu algo quente em sua barriga, escorrendo e endurecendo. Deu um grito. Não acreditava que ela havia feito isso, derramado cera quente em seu corpo. Ouviu a amiga falar bem pertinho de seu ouvido:
- Shhhhhhh… Não se preocupe, eu sei o que estou fazendo – e curiosamente sentia que ela realmente sabia. Afinal, havia dor, mas havia uma sensação de libertação naquela dor.
Anna tirou o que prendia seus mamilos e a dor ao invés de aliviar ficou mais aguda. Gritou novamente. E sentiu os lábios dela calando os seus num beijo intenso, sentia a respiração dela ofegante, como a sua, como se a sua dor a excitasse. E mesmo contorcendo-se de dor diante do simples toque dela em seu mamilo, excitava-se cada vez mais com tudo o que acontecia. Sentiu os lábios dela descendo por seu corpo. E uma simples lambida no mamilo era o suficiente para provocar mais dor e mais prazer. E quando a boca finalmente chegou entre as suas pernas, sentiu que estava prestes a gozar. E quando estava quase lá, mais uma vez a amiga parou e disse:
-Ainda não minha putinha, sei que você está no cio, mas teu prazer é meu…
E dizendo isso, mais uma vez afastou-se. Voltando mais uma vez lambendo-a, mas desta vez penetrando algo meio gelado, que a preenchia completamente, entrando bem devagar. Ela massageava seu clitórris com a língua ao mesmo tempo que penetrava aquela coisa grande e larga que aos poucos ia tomando a temperatura do seu corpo e provocando uma sensação de prazer. E enquanto com a língua e boca ela mamava o clitóris, com a mão direita tocava um mamilo no mesmo ritmo que enfiava e tirava aquela coisa de dentro dela. Aquilo tudo a enlouquecia, sentia dor, sentia-se invadida, flagelada por aquela carícia em seu mamilo sensibilizado e prazer, muito prazer com a mamada dela em seu clitóris, começou então a se contorcer, chorar e gritar, mas sem ter coragem de pedir para parar e então quando pensou que fosse desmaiar de dor e prazer explodiu num gozo absurdo e inexplicável. Sentiu-a enfiar fundo a coisa dentro dela e a boca mais uma vez beijando a sua. O coração dela batia acelerado, e o beijo era sôfrego e urgente.
Maria não soube quanto tempo ficou ali, amarrada e vendada nas mãos de Anna, mas suas primeiras palavras após ser liberta foram:
- Muito obrigada amiga, nunca pensei que pudesse sentir prazer na dor…
Olhou em volta e viu os objetos, testemunhas daquela noite insólita. Os lenços que ainda podia sentir ao redor de seus punhos e tornozelos. As velas acesas que ainda perfumavam o ambiente. O baldinho de gelo que agora era só de água. Clipes de papel largados no canto da cama e um pepino, grande e grosso, todo lambuzado dela. Quem diria que o seu primeiro orgasmo com penetração teria sido proporcionado por uma mulher, sua amiga e de maneira tão incomum.
Anna se recostou na cama enquanto fumava um cigarro, e nisso Maria se aninhou feito gata enroscando em seu abraço. Lá fora Puck latia, certamente com um gato desavisado que ousava passear pelos muros à luz da lua. Uma lua linda, enorme, cheia, que invadia o ambiente em louvor àquele momento. Àquelas duas mulheres abraçadas.
- Dorme Maria, você precisa descansar… – disse aconchegando-a ainda mais em seu abraço.
- Mas você nem gozou Anna…
- Quem disse que não? – e ficou acariciando os cabelos da outra, olhando a lua, ao som das gaitas escocesas e da mágica música celta.
Patsy

Parado naquele quarto há mais de uma hora de joelhos, já doía tudo. O ar condicionado forte incomodava, mas a determinação em cumprir a tarefa era mais importante. Continuaria ali pelo tempo que fosse, até que ela dissesse: “Basta!”. Do banheiro a ouvia cantarolar músicas tão suaves e doces que evidenciavam ainda mais o paradoxo que era aquela mulher. Alta e forte, mas ao mesmo tempo tão meiga e sorridente. A mulher que lhe estapeava a face dizendo: “Cale-se, você merece!”, era a mesma que lhe beijava a boca suavemente e sussurrando: “Minha namoradinha lésbica!”. E lembrando dessas palavras, seu peito inflava de carinho. Não era seu escravo, não era sua escrava, era sua menina e tal pensamento o enchia de orgulho. E quando a porta abriu, ela saiu linda no alto de seus saltos, macacão negro, cabelos presos e maquiagem impecável. Não era mais a menina que entrou serelepe no banho, era uma Senhora, a sua Senhora.
- Cansado? – ela perguntou com uma expressão indecifrável no rosto.
- Não, Senhora. – disse com os olhos baixos. E subitamente sentiu um tapa a estalar sua face, ardendo, doendo…
- Mentiroso! Levante-se e me traga aquela bolsa rosa que está no canto do quarto.
E ele levantou com dificuldade, foi tanto tempo ali, na mesma posição, ajoelhado que estava difícil ficar de pé, mas conseguiu. Foi pegar a bolsa que esteve ali parada, estrategicamente deixada naquele canto, à sua vista, durante todo o tempo que esteve ajoelhado e nu à espera de sua Senhora. Período em que humilhado deixou sua mente voar, imaginando o que haveria naquela bolsa. Ela era sempre tão meticulosa, pensava nos mínimos detalhes e antecipava todas as suas necessidades e desejos. Às vezes tinha a impressão que aquela mulher era capaz de ler seus pensamentos, e isso o enchia de medo. Medo que ela tornasse real seus mais loucos desejos.
- Eu não sei por que não desisti de você, sabia? Você não me merece… – ela disse com a voz calma, mas havia naquela frase uma ponta de tristeza. Mais uma vez ela leu seu pensamento.
- Eu peço perdão Senhora, e agradeço que não tenha desistido. – disse visivelmente envergonhado e arrependido. Não estava acostumado a tanto amor e compreensão, essa era a verdade.
- Não me agradeça, me obedeça e eu talvez te perdoe. – falou acariciando com suavidade sua face.
Andou com calma à sua volta, acariciou seu corpo, deteve-se em suas mamas secas e com as unhas calmamente beliscou seus mamilos, fazendo-o sentir dor, quase gemer arqueando um pouco o corpo. Curiosamente não via tal ato como um castigo, mas uma carícia que o fazia sentir-se vivo apesar da dor, não era sonho, ela realmente estava ali a beliscá-lo. Continuou a acariciá-lo, por trás dele com as duas mãos tocou suas nádegas, afastou-as, chegou a pensar que ela o invadiria com seus dedos, mas não… Ela acariciava seu corpo andrógino como se mudamente tentasse fazê-lo consciente do mesmo. Cabelos, face, colo, abdômen, nádegas, coxas… No entanto em momento nenhum tocou seu sexo, não como se evitasse, mas como se ignorasse.
- Vamos ficar bem linda pra mim?! – ela meio que perguntou afirmando, não havia possibilidade de um não como resposta.
Ela retirou alguma coisa da bolsa, uma nécessaire e pelas mãos guiou-o ao banheiro. Ele não tinha atitude, apenas a seguia, obedecia e confiava. Ela ligou o chuveiro, escolheu o ponto certo da água, nem quente e nem fria, pediu que entrasse e se ensaboasse, fazendo bastante espuma. Pedido… Uma ordem implícita, como dizer não?! E próximo a pia do banheiro ela o aguardava com uma navalha de barbeiro. Com calma foi livrando-o de seus pelos, depilando não apenas seu corpo, mas a sua alma também. Teve vontade de chorar emocionado enquanto ela cantarolava feliz. Eles nada diziam, às vezes tinha a sensação que ela o ignorava como pessoa, era um brinquedinho, uma boneca em sua mão. E depois de tê-lo depilado quase que completamente, inclusive contorno anal e axilas, ela deixou apenas um tufo de pelos, delicadamente aparados sobre o púbis.
Encaminhou-o novamente ao chuveiro dando dessa vez uma touca de banho bem ao estilo fru-fru, cheia de babadinhos e detalhes cor de rosa. E enquanto ele deixava a água escorrer sobre seu corpo, levando embora o que restara de seus pelos tão masculinos, ela o guarnecia de toda a sorte de produtos femininos. Sabonetes, cremes, óleos… E quando terminou, ela o aguardava com um lindo e felpudo roupão cor de rosa e pantufas atoalhadas no mesmo tom. Pela primeira vez em sua vida, começava realmente a sentir-se uma mulher. Principalmente por que ela em nenhum momento tratava-o como ele e sim ela.
No quarto, ela abriu uma outra nécessaire, esta repleta de cremes, perfumes, maquiagens, esmaltes… Juntas escolheram a cor que usariam em suas unhas enquanto conversavam amenidades sobre as desventuras femininas para estar sempre lindas. E enquanto ela aos poucos a transformava, sentiu um aperto no peito, era uma felicidade doída a realização daquela fantasia. Pensou no que o mundo poderia pensar e lembrou que não estava diante do mundo, mas apenas diante dela e sem perceber deu um suspiro. Havia alívio, mas também uma certa frustração. Focou seu pensamento na transformação, reclamou um tiquinho quando ela convenceu a limpar um pouco as sobrancelhas. Entregou-se à maquiagem com paciência, tantos cremes, bases, corretivos, tudo a deixava ansiosa. Ansiedade que não foi amenizada após a maquiagem, já que ela a proibiu de olhar-se no espelho.
Começou então a vestir-se, quando viu o conjunto de calcinha e sutiã branquinhos, quase uma linha menina-moça, cheia de rendinhas e fitas, ficou exultante, mas um pouco decepcionada, faltavam seios, faltava volume. E como que adivinhando o seu descontentamento, ela tirou da bolsa um enchimento de espuma e também outro de silicone, e aos poucos, com jeito foi ficando cada vez mais menina. E aquela sensação de estar pela primeira vez livre dos pelos, maquiada, com seios e um aspecto bem feminino quase a levava às lágrimas. Cada momento que se passava sentia-se mais mulher.
Sobre o sutiã ela vestiu uma blusinha, quase um falso corset, e para completar vestiu uma saia de renda curtinha que a deixava com um ar bem sapeca. Calçou meias ¾ no tom da saia e sapatilhas ao estilo bailarina, sentia-se uma adolescente que se arruma para sua primeira balada. Estava feliz, principalmente quando entre um detalhe e outro ela comentava: “Como está ficando linda a minha menina…”. E quando finalmente ela tirou da bolsa uma peruca ao estilo chanel de franja, pensou que não caberia mais em si. Era a realização completa, não agüentou e caiu no choro, emocionada.
- Não! Não chore, vai borrar a maquiagem… Até por que não acabou! – ela disse encaminhando-se para pegar mais um acessório em sua bolsa.
E diante dela – sim era uma mulher finalmente – pediu que ficasse diante do espelho. Não era mais um ser andrógino que não enaltecia a masculinidade para desaperceber-se da feminilidade embutida. Era uma mulher, uma menina linda, delicada e não uma caricatura feminina. E antes que se voltasse para sua Senhora em agradecimento, ela pediu que esperasse. Da bolsa havia tirado um saquinho em veludo negro e com as pontas dos dedos segurou uma correntinha dourada com um pingente. Posicionou-se por trás dela, colocando o cordão que trazia uma letrinha P.
- P… Por que P, Senhora? – perguntou intrigada.
- P de Patsy, minha linda. Uma menina tão bela e sapeca merece um nome à altura. De hoje em diante você será a minha Patsy e é melhor retocarmos a maquiagem, estou a fim de me acabar na balada, vamos?!
Ela

Sentada na cama ela olhou pra outra e sorriu. Segurou a toalha um pouco mais forte junto ao peito, como se aquela toalha a protegesse, fosse o seu escudo, mas… Pra que escudo? Estava diante dela, tão linda, tão cheirosa, tão feminina, tão compreensivamente cúmplice. Sentiu-se virgem outra vez, aliás, era uma virgem outra vez. Toda a sua experiência até agora, por mais vasta, por mais eclética que fosse, era completamente diferente daquilo. Havia fantasiado, é claro, mas fantasias durante anos guardadas pra si.
Observava-a atentamente. Ela tinha um sorrisinho nos lábios enquanto passava o óleo nas pernas. Podia ver os mamilos pontiagudos sob o vestido leve, e entrever seu sexo pelas coxas. Um calor de dentro pra fora ia tomando conta dela. Tesão! Desejo em desejar a outra, que em determinado momento falou:
- Por quê me olha tanto menina? – sorrindo.
- Porque estou sem graça…
- E sem graça por que? – perguntava nitidamente conduzindo a relação.
- Sem graça porque não sei o que fazer ou dizer.
- Ué, e precisa dizer?! – ainda com o sorrisão nos lábios.
- Não sei… Preciso?!
E quando disse isso a outra se aproximou, uma proximidade deliciosa e eroticamente desconfortável. Fechou os olhos, sentindo o aroma do corpo dela, quase sentindo o toque que não acontecia nunca. Sentiu o cabelo molhado roçar em seu ombro enfim, enquanto percebia os lábios aproximando do seu pescoço. Estavam arrepiada, os pêlos eriçados, os mamilos rijos, o sexo úmido e as mãos cada vez mais firmes na tolha. Estava assustada, mas excitada, mais excitada do que nunca esteve. A outra roçou os lábios muito suavemente pelo seu pescoço, nuca e em seu ouvido falou delicadamente:
- Solta a toalha, vai… – e dizendo isso afastou-se. Ajoelhando-se na cama e tirando o vestido ficando completamente nua diante dela.
Suava de nervoso, de desejo, o corpo dela era tão lindo… Seios grandes, fartos, mamilos róseos apesar da morenice da pele, tinha os pelos aparados e a virilha bem depilada. Por um instante teve um pouco de vergonha do próprio corpo. Com um homem nunca teve, afinal, o que primava era a diferença. Já com ela… Fechou os olhos então e respirou fundo, soltando a toalha lentamente deixando-a cair.
- Seus seios são lindos… – ela disse parecendo realmente embevecida.
Abriu então os olhos e viu desejo nela, que se aproximou e beijou sua boca de uma maneira tão terna, como quem diz: “Calma, não há com que preocupar-se”. Roçando os lábios de leve e suavemente invadindo sua boca com a língua. Roçando os seios em seus seios. O toque mais suave e perfeito ao qual já havia sentido. Pela primeira vez pôde entender o porque mulheres se entendem tão bem entre mulheres. Era tudo tão deliciosamente natural.
Deitando-a na cama, a outra foi explorando com os lábios todo o seu corpo. Olhos, ponta do nariz, boca, orelhas, pescoço e colo. Chegando aos seios, delicadamente beijando e sugando um mamilo, eventualmente traçando um caminho com a língua até sua axila, enquanto com os dedos acariciava o outro mamilo solitário.
Sentia um fogo ardendo dentro dela, como se mil mãos e mil bocas a explorassem. E quando finalmente sentiu os dedos dela tocando-a, respirou fundo e fechou os olhos. Nunca antes havia sido tocada daquela forma a não ser por si mesma. Ela conseguiu em instantes o que muitos homens não conseguem em uma vida, satisfazer plenamente uma mulher.
O orgasmo estremeceu seu corpo, ela percebeu e aproveitando a sensibilidade, foi descendo os lábios pela barriga, cintura, umbigo, até finalmente acomodar-se confortavelmente entre as pernas dela, com os dedos entreabrindo seus outros lábios e com os próprios lábios beijando a sua intimidade.
A intensidade, o ritmo, o toque… Tudo milimetricamente perfeito. Perfeito e natural. Natural e maravilhoso. Maravilhoso e único. Sem pensar muito explodiu num gozo intenso em sua boca, uma sensação tão intensa que sentia o corpo vibrar por dentro. Até quase desfalecer de tanto tesão. A sensibilidade dela era absurda e a boca ainda repleta do seu gosto, beijou-a, sentindo pelos lábios dela o seu próprio sabor.
Nada falavam, não havia o que dizer, ela sentiu uma necessidade absurda de retribuir o prazer à outra. E o que antes era uma grande incógnita, era agora extremamente natural e instintivo. Com a boca, dessa vez era ela a explorar o outro corpo, sem medos, pudores, só desejo e instinto. Conhecia o prazer, como ter prazer, queria agora apenas retribuir este prazer.
Seus sentidos estavam aguçados, porque era tudo novo, tão conhecido e ao mesmo tempo tão diferente. O aroma, o sabor, o toque da pele, o gemido sussurrado… Debruçada sobre a outra, dessa vez foi ela a roçar os cabelos úmidos, a perceber as reações, a explorar as sensibilidades. E quando pela primeira vez teve os seios da outra em sua boca, os seios grandes e fartos, macios, pôde sentir os mamilos ficarem cada vez mais rijos de desejo, estimulados e sugados pela boca e língua. Sentia prazer em dar prazer.
Estava curiosa, queria provar todo aquele corpo, queria sentir o sabor dela também, mas queria que fosse tão perfeito quanto o prazer proporcionado. Quis então retribuir, ser ela a apresentar algo novo. Desceu os lábios pelo corpo, porém intencionalmente evitando o seu sexo. Passou com os lábios entre as coxas dela, a milímetros de onde tanto desejava, sentiu o aroma delicioso de mulher, mas desceu por entre as coxas, joelhos, pernas até chegar finalmente aos pés.
Durante todo este percurso, observava-a, estavam em sintonia. Quando a outra se recostou nos travesseiros, ficou na posição perfeita para observar a cena enquanto aos seus olhos se masturbava. Massageou os pés com calma, olhando-a bem em seus olhos, e com a boca chupou delicadamente cada dedo, voluptuosamente em determinados momentos, principalmente quando se dedicava ao dedão. Naquele momento o pé dela era um falo sendo adorado, chupado, lambido. Cheio de terminações nervosas e sendo estimulado, tudo pelo total prazer.
Enquanto se deliciava, colocando em sua boca o pé da outra, observando masturbar-se, contorcer-se diante dos seus olhos, com a mão guiou o outro pé que não estava sendo adorado para entre as suas pernas. Olhou-a nos olhos e viu seu olhar malicioso. Ela havia entrado no jogo. E com o dedão do pé tocava-a, inicialmente sem jeito, mas depois encontrando o ritmo e a intensidade perfeita. E ao mesmo tempo em que tocava, se tocava, enquanto chupava sofregamente seu pé em ponta, como um pau enorme a invadir sua boca. E então, sem agüentar segurar, mais uma vez gozou. Com o pé quase entalado em sua boca, e o pé dela invadindo-a abusadamente. Sentiu que foi estocada de maneira mais forte, mais urgente, e levantando os olhos, viu que a outra também gozava com o ato insólito.
Caiu meio mole na cama, ainda com o pé da outra a massagear-lhe, lentamente acariciando o seu corpo, seios e finalmente massageando a sua face com seu próprio cheiro. Olhando nos olhos dela, lambeu o próprio suco em sua sola e dedos e sem dar tempo para descansar subiu a boca por entre as suas pernas. Necessitava chegar a “ela”.
Desejo não se explica, se vive, se explora. E assim foi. Quando aproximou o rosto e sentiu o aroma, delicadamente com os dedos escancarou-a à sua frente. Passando a língua bem devagar de baixo até em cima, como um cão em reconhecimento. O sabor era muito, muito diferente do próprio sabor, pôde naquele momento entender que cada mulher é única e o sabor dela era delicioso.
Olhando de tão pertinho, viu-o inchado, sensível, afinal ela havia se masturbado e gozado intensamente enquanto era adorada e a tocava com seu pé. Fez então algo que amava, uma deliciosa carícia, com os dedos da mão esquerda, arregaçou-a delicadamente, deixando-a bastante exposta. Com a saliva lubrificou o local e enquanto com a língua fazia movimentos rítmicos e constantes concentrados nele, o clitóris, com dois dedos da mão direita introduziu nela repetindo os mesmos movimentos.
Eventualmente levantava o olhar e via a outra de olhos fechados, apenas sentindo, com as duas mãos massageando os próprios seios e com as pontas dos dedos apertando os mamilos. Aquela visão excitava-a ainda mais, mantendo o ritmo da língua e dedos continuado, até sentir seus dedos dentro dela cada vez mais molhados e finalmente senti-los sendo massageados pelo interior dela. Como se seus dedos fossem mordidos, abocanhados.
Continuou naquele ritmo e frisson até que ouviu um grito de gozo, intenso, delicioso. Tirou os dedos de dentro dela e pôs a boca, beijou, lambeu, bebeu todo o suco, enquanto ela acariciava seus cabelos. Com a língua ainda sentiu as contrações rítmicas dela, sensível e saciada. Como era bom sorver aquele gosto, pensou.
Foi lentamente subindo pela cama, roçando seus corpos, até seus lábios se encontrarem mais uma vez num beijo gostoso, e as mãos explorarem o corpo uma da outra sem nenhuma urgência, só carinho. E quando ela finalmente aconchegou a cabeça junto aos seios fartos dela, pode ouvir o coração aos poucos se aquietar, e então murmurou bem baixinho:
- Eu nunca senti nada assim… Obrigada!
Vinte e Nove é Dia de…

Quando a porta bateu forte, pensou: “Nossa, ela hoje está uma fera! A noite vai ser daquelas…”.
Depois de quase dois anos juntos, sendo seu marido, escravo, capacho, empregadinho, saco de pancadas “y otras cositas más”, já reconhecia o humor da amada até pelo som dos seus passos. Largou a louça como estava, enxugou as mãos no avental e correu para a sala. Ainda não sabia o motivo da irritação dela, mas certamente ela não toleraria a sua falta ao recebê-la.
- Oi amor, chegou mais cedo hoje…
- Ah… Aí está você! Onde estava que não veio imediatamente me receber?
- Mas eu vim assim que pude amor… Estava lavando a louça…
- Nananinanão… Não me conteste, você não veio imediatamente e sabe disso. Estava lavando louça ainda porque não passa de uma coisinha lerda e preguiçosa que se atrasou com sua rotina de trabalho. Não me interessa saber seus pormenores.
- Sim amor… Devo ter me atrasado, tive um dia cheio no escritório, cheguei meio com pressa e como hoje é dia vinte e nove, pensei em fazer um gnochi para te trazer boa fortuna.
- Nossa, mas como você fala… Perguntei alguma coisa? Disse que não quero saber pormenores, mas você parece não entender muito bem, deve estar com os ouvidos cheios de cera, do contrário entenderia o que falo.
- Sim amor, deve ser…
- Deve ser não, é! Já está me contestando novamente. Onde estão meus chinelos? Por acaso não sabe que sempre gosto de descalçar meus sapatos assim que chego?
- Estão aqui amor…
E dizendo isso ele imediatamente ajoelhou-se diante dela, que já estava sentada na poltrona da sala e tinha o pé direito estendido à espera de ser descalçado. E como ele nunca sabia qual seria a exigência a ser cumprida, foi descalçando-a devagar.
- Está vendo? Eu não disse que está lerdo hoje. Se eu quero ser descalçada, não tem nada que ficar aí alisando meu pé!
- Sim amor, tem razão…
E passou então a desafivelar a sandália com mais pressa, primeiro um pé e depois o outro. E quando já ia calçar as havaianas, ela o interrompeu impaciente.
- E massagem? Estou cansada e necessito de uma massagem seu coisa. O que está acontecendo com você hoje?! Por acaso está com as pilhas fracas?
- É verdade amor, desculpe, seus pezinhos merecem todo o meu carinho e atenção. Isso não vai mais acontecer.
- Ah… E não vai mesmo! Levante agora e traga a minha bolsa.
E ele imediatamente obedeceu resignado. Entregou a bolsa nas mãos dela e ficou de joelhos à sua frente.
- Nada de ficar de joelhos, quero você de quatro agora!
E ele mais uma vez obedeceu imaginando o que o esperava, sentiu um frio na barriga, se fosse o que estava pensando era muito humilhante.
- Abaixe a calça! – ela disse enérgica.
E ele abaixou de imediato, e só então lembrou que estava de cuecas e não de calcinha como ela sempre exigia. Engoliu em seco rezando para que ela não percebesse, mas foi a primeira coisa que ela notou e reagiu possessa.
- O que é esta cueca?
- É que acabei de chegar do trabalho amor… Como eu disse, fui direto para a cozinha e…
- E o que “eu” tenho a ver com isso? Só sei que você desobedeceu a uma regra primordial dentro desta casa. Exijo o uso da calcinha e você sabe disso, odeio te ver fazendo pose de machinho e usando essas cuequinhas boxer. Você engana a qualquer um, mas a mim não, nunca. Levante e tire toda a roupa agora!
E mais uma vez ele engoliu em seco, ela realmente veio com um humor terrível àquela noite, a ele só restava obedecer. Servi-la era o seu maior prazer. A satisfaria então. Tirou a roupa, dobrou e colocou no sofá, ela odiava desarrumação. Com um gesto ela apontou para o chão e ele entendeu que era para ficar novamente de quatro. Assim ele fez, respirou fundo e fechou os olhos. Só que percebendo isso ela segurou seu cabelo com firmeza e disse bem ao seu ouvido:
- Que medinho é esse? Soube ser machinho e me desafiar usando cuequinhas em casa não soube? Agora agüente as conseqüências.
- Sim amor… – ele respondeu resignado, mas visivelmente excitado com a cena.
Ele então ouviu o barulho da luva de látex sendo calçada e logo depois sentiu o gel gelado sendo espalhado pelo dedinho dela, uma deliciosa tortura, que ela sabia como ninguém submetê-lo.
- Fala sério, vai?! Você só faz estas coisas erradas por que fica ansiando pelo castigo, coisinha pervertida!
Ela colocou dois dedos dentro dele, massageando a sua próstata, iniciando um vai e vem que era impossível não sentir prazer apesar da invasão do seu corpo. No entanto antes que o prazer se tornasse intenso, de uma vez só ela tirou os dedos e o preencheu com um plug anal, que colocado de uma vez só causou inicialmente uma grande dor e desconforto. Com a dor, ele deixou cair o corpo pra frente, e ela soltou uma deliciosa gargalhada.
- O que foi? Está doendo? Onde está o machinho corajoso que ousou me desobedecer?
Ele respirou fundo e não disse nada. Estava ali, nu, no chão da sala, preenchido pelo plug. Era uma das sensações mais humilhantes a qual ela o submetia. Aquilo o humilhava em sua virilidade e ela sabia disso e justamente por isso tripudiava ainda mais. Aproximou o rosto do dele e acariciou-o.
- Nossa… Isso é uma lágrima?! Impossível ser uma lágrima… Se fosse uma lágrima, este pau não estaria duro entre as suas pernas.
E ele não podia negar o prazer que tal humilhação transmitia.
- Diga um número de um a dez… – ela disse.
- Cinco…
- Agora multiplique por dois…
- Dez
- Que dia é hoje mesmo?
- Vinte e nove.
- Pois bem, serão os seus dez, mais os vinte e nove dias do mês.
- Trinta e nove o que, amor?
- Trinta e nove chineladas, ué?! Garanto que de agora em diante, você vai pensar duas vezes antes de me desobedecer.
E assim ela fez. Foram trinta e nove chineladas em que ele teve de contar em voz alta, as quais ele errou lá pelos vinte e tantos e teve que começar do um. Chineladas que ardiam sua carne, mas contraditoriamente excitavam o seu corpo. Tantas, mas tantas, que ele até esqueceu a dor de estar preenchido pelo plug, apesar de a cada uma se contrair, só sentia o calor e a dor na área espancada sem dó nem piedade.
Após as chineladas ela então tornou a sentar na poltrona, visivelmente cansada com a surra. Sem dizer nada, com o pé forçou o seu corpo a deitar no chão, e com a mão acariciou a área vermelha de tanta chinelada. Bem devagar retirou o plug e acariciou-o com os dedos. Virou-o de frente e ele se permitia ser completamente manipulado. Ainda sentada ela iniciou uma carícia com os pés em suas coxas, barriga, e vendo-o uma vez mais excitado. Iniciou um vai e vem com o pé calçado pela mesma havaiana que a pouco era seu objeto de tortura. Ela olhava diretamente em seus olhos e percebia a respiração ficar ofegante. Esfregava nele as solas do chinelo, manipulando e forçando. Foi então que percebendo que ele não agüentaria muito mais ela disse:
- Goza pra mim agora, vai?! Eu sei que você odeia ser tão pervertido, mas eu adoro ver essa tua cara de bobo aí no chão, enquanto eu te faço gozar pela sola do mesmo chinelo que agora a pouco te espancou.
E ele então respirou fundo e não pôde mais conter o gozo, que veio forte e intenso, a ponto de melar toda a barriga e tórax. E com ele ainda deitado e ofegante ela ficou de pé sobre ele. Olhou pra baixo e com as solas do chinelo esfregou todo o gozo pelo corpo dele, pelos, esfregou na face, ordenou que lambesse e só então se afastou.
Ele ali, no chão, com aquela carinha lambuzada e extasiada. E ela de pé, sorrindo docemente pra ele. “Como podia ser tão doce e tão má?”, pensou. Ela então estendeu a mão pra ele, que aceitou e se levantou.
- Estou tão levinha agora meu menino… Acho que essa surra que te dei me fez bem… Tive um dia daqueles no trabalho. Estava uma pilha. Prepara a banheira pra nós, quero relaxar um pouquinho e você aproveita para esfregar minhas costas, ok?!
- Claro amor, vou fazer isso agora.
E subiram então as escadas abraçadinhos, com ela comentando o cheiro do molho à bolonhesa que parecia estar delicioso, não vendo a hora de provar o motivo das vinte e nove chineladas além das dez escolhidas.
Café da Manhã

Quando me virei na cama tive o desconforto de um raio de sol incidir sobre meus olhos, que pena, ainda dormiria um pouco mais. No entanto, já que estava acordada espreguicei na cama, feito uma gata manhosa. Braços, ombros, pernas, dedinhos de mãos e pés, tudo bem esticado. Que cama gostosa, eu pensei, enquanto sentia o edredom quentinho sobre mim. Que delícia.
Foi então que eu despreocupadamente te vi ali, dormindo sobre o tapete no chão, nu, usando apenas a coleira e a guia. Com a cabeça pousada em meus chinelos e o rosto com a expressão mais serena do mundo, podia perceber quase um sorriso. Devia estar sonhando bobagens, pensei.
Por um momento observei meu menino tão forte e frágil ali dormindo. Um menino grande, que só mesmo dormindo contém um pouco a agitação do dia a dia. Meu menino hiper-ativo, que só amarrado ou dormindo fica parado. Tão carinhoso e admirado, tão insolente e necessitado de disciplina e correção. Tão ele e tão meu.
Sento na cama e com a ponta do pé traço um caminho pela sua face, forçando o dedão em sua boca que imediatamente sorri percebendo meu gracejo. Olhos nos olhos e retribuo o sorriso: “Bom dia amor!”.
Sento-me à beira da cama e te cato pela guia, dando o comando: “De quatro meu cachorrinho, meu pezinho está carente e necessita de atenção. Lambe agora!”.
Você obedece sorrindo. De quatro se abaixa até meu pé e aos poucos vai lambendo, beijando, chupando, mordiscando. Enquanto eventualmente levanta o olhar em busca da minha reação. Sabe que me excita a tua insolência, teu olhar de desafio. Faz parte do jogo, ação e reação. Com suas mãos e boca vai subindo por entre as minhas pernas e eu vou deixando, aceitando o carinho, te deixando confiante. Puxo a guia e te conduzo, te ponho de joelhos diante de mim. Com a guia justa te acaricio a face, te beijo os olhos fechados, o nariz, a boca. Um beijo profundo, urgente, erótico, intenso. Um beijo que acende e toma conta, que te excita. Te olho entre as pernas e percebo a ereção. Com as mãos você tateia o meu corpo por sobre a camisola de seda e com as pontas dos dedos, acaricia os meus mamilos rijos.
Neste momento pela guia te puxo e afasto. Ao mesmo tempo em que olhando em seus olhos te estalo um tapa na face: “Quem mandou você colocar estas patas sujas em mim?!” Teu olhar faísca aturdido, surpreso e excitado. Abaixa o olhar e diz baixinho: “Sim Senhora”. Tal atitude me excita de tal forma que sinto umedecer entre minhas pernas. Mais uma vez ajusto a guia e olhando em teus olhos pergunto: “O que disse? Não ouvi direito.”, estalando em seguida um outro tapa em sua face. “Sim Senhora”, você diz então mais forte e veemente. E eu então concluo: “Agora sim!”, e te puxo pra cama.
Posiciono-te de joelhos diante de mim, enquanto confortavelmente me recosto nos travesseiros entreabrindo as pernas. Pouso os pés em teu ombro forte e pela guia te puxo para preto de mim, me excita te excitar, te deixar ansioso e desejoso de mim. Afasto-te, com os pés de dou um tapa na face. É tudo leve, deliciosamente lúdico, com o olhar te Domino com a carinha mais safada. Você é meu brinquedinho. Com os dedos dos pés te acaricio entre as pernas, meus dedos gelados que encontram teu sexo quente, latejante. Começo um ousado vai e vem nele e exijo que você continue imóvel. Tua respiração ofega, e então paro, não quero o teu orgasmo. Quero o meu prazer.
Com as pernas abertas eu me acaricio, molhando os meus dedos em mim. Ajoelho-me à tua frente e aproximo os dedos to teu nariz, da tua boca que instintivamente se entreabre esperando pelo meu sabor, mas eu apenas sorrio. Atiça-me ainda mais te atiçar.
Eu então introduzo meus dedos novamente dessa vez mais profundamente em mim. Rebolando, tirando-os completamente molhados do meu suco e lambuzo a sua face. Te olho entre as pernas e vejo teu sexo latejar. Repito o gesto, meus dedos a excitar-me. E então, com a mesma mão que estava em mim te masturbo levemente, ainda não desejo o teu orgasmo, mas é delicioso te excitar. Libero o teu líquido quente, lubrificante, misturo teu suco no meu. E então à sua frente, com o rosto a dez centímetros do seu, abocanho meus dedos com desejo e vontade, repleto dos nossos sabores. Sabores que eu faço questão de fundir em seguida num beijo quente e apaixonado.
Encosto o meu corpo no teu, procuro teu ouvido e digo baixinho: “Quero agora que me beije, me abrace, acarinhe. Quero sentir tuas mãos e lábios em mim. Meu corpo é teu templo, necessita ser venerado. Mata a tua sede nele, bebe o meu suco. Ele é teu elixir da longa vida. Vem inteiro e vem sem medo, em tua boca quero saciar a minha sede de prazer.” E dizendo isso vou afrouxando a guia e recostando meu corpo na cama.
Com as mãos você então me acarinha delicado, como quem tem uma relíquia nas mãos. É tão delicioso o teu toque. Afasta-me os cabelos da face e com os lábios me beija e acende.
Dessa vez é você que me desvenda. Beija-me os olhos, o nariz, a boca, abocanha meus mamilos delicadamente, beija-os, suga-os com desejo. Com as mãos me toca os pêlos, entreabre minhas pernas e me masturba com delicadeza, como se fosse eu mesma. Desce a boca pelo meu corpo e passa direto pelo meu sexo, desce pelas coxas e pernas, chegando a meus pés. Sempre observando as minhas reações, minha respiração. Adorando meus pés, sabe exatamente como me excitar, onde mordiscar, se detém na curva interna da minha sola, me levando quase ao orgasmo.
Sobe então com a boca pelas minhas pernas, pela parte interna das coxas e quando chega a meu sexo, vem ansioso, mas extremamente delicado. Busco o teu olhar, como é lindo te ver ali, como é delicioso te ter ali. Sentir teus lábios, tua língua, tua boca a me sugar, excitar. É como se teu lugar fosse ali, entre as minhas pernas. Percebendo minha reação, buscando a intensidade certa, a carícia exata. Bebendo meu suco e ao mesmo tempo saciando o meu prazer.
Quando o orgasmo vem é delicioso, é uma pequena morte, se pudesse morria ali, de prazer, com a tua boca em mim. Prendo-te entre as minhas pernas, mantendo por um tempinho mais a tua boca ali em mim, só pelo meu prazer.
Em êxtase vejo o teu olhar feliz, satisfeito. E sorrindo te chamo: “Vem e me abraça um pouquinho.” E você vem. Beijo-te a boca. Tua boca que tem gosto de mim. E sinto teu sexo rijo quando se encosta-se em meu corpo.
Maliciosamente eu te acaricio. Você sorri e ensaio uma masturbação. Ele lateja em minha mão, está quente e cada vez mais duro. É então que eu o aperto firme e forte, logo abaixo da glande, que parece inchada de tanto tesão. Uma técnica para retardar o gozo.
Você grita e retrai o corpo, eu solto uma gargalhada sapeca, sinto-o amolecer e então te acarinho beijando teu rosto e dizendo: “Coitadinho, doeu amor? Que Senhora malvada que te tem. Malvada e cheia de fome. Bem que você podia levantar agora e preparar meu café da manhã, não é mesmo?”.
A Motorista

Quando avistou o carro ao longe, encaminhou-se para a beira da calçada. No entanto, tão logo o carro encostou, levou um susto, não era o motorista de sempre, mas uma linda e jovem morena de cabelos lisos e curtos. Assim que parou, saiu do carro com um belo sorriso, abrindo a porta traseira para que entrasse. E antes que fizesse qualquer pergunta o celular tocou. Era ele.
- Ela já chegou aí?! – direto como sempre. Parecia ter bola de cristal ou então cronometrava muito bem tudo para que sempre estivesse dentro do tempo dele.
- Quem é ela? – perguntou pausadamente, não escondendo o ciúme na entonação.
- Entre no carro e não desligue o celular. Pelo tom da sua voz, sei que ela está à sua frente agora. Só volte a falar comigo no carro – e antes que esboçasse qualquer reclamação ele, que parecia ler os seus pensamentos, disse – E nada de reclamações!
Entrou no carro ainda sem entender. A motorista fez um aceno de saudação com a cabeça e ela retribuiu. Sentou, a porta foi fechada e enquanto a morena dava a volta para retornar ao assento do motorista, ela levou o celular mais uma vez ao ouvido.
- O que está acontecendo? – disse bastante séria e sem paciência.
Do outro lado ele deu uma gostosa gargalhada, parece que este era o seu maior prazer, vê-la completamente desnorteada, justo ela que amava tudo sempre tão certinho, organizado e meticulosamente planejado.
Já sabia do encontro havia alguns dias, marcavam com antecedência para não ter problemas, e caso tivesse qualquer imprevisto, sempre tinham como dar um jeito. Dois dias antes ela fez a depilação total, exatamente como ele amava. No dia anterior, foi ao salão ficar ainda mais linda. Sabia que ele detestava cheiro de unhas feitas e o aroma dos cabelos recém tintos. Arrumou-se como ele havia indicado. Vestido preto leve e solto, na altura dos joelhos, escarpin alto e por baixo corset preto de ligas e meias 7/8, sem calcinha.
- Você ainda não me disse o que está acontecendo – ela repetiu.
- Está acontecendo que você hoje vai fazer exatamente o que eu mandar, sem reclamar e confiar em mim como sempre confiou. Nunca esqueça que eu te amo. – Ele disse com aquele tom de voz seguro e ao mesmo tempo carinhoso que sempre a desarmava por completo.
- Me diga pelo menos quem é ela… – falou baixinho, na tentativa que a outra não escutasse.
- Ela é a motorista.
Dizendo isso ele desligou, deixando-a ainda mais confusa. Ainda tentou ligar novamente, mas estava desligado ou fora de área. Isto era a cara dele, pensou.
Começou então a olhar a menina que dirigia atentamente. Era jovem e muito bonita. Pelo menos uns doze a quinze anos menos que ela. Pôde ver enquanto estava fora do carro que ela tinha o corpo bonito. Também estava de vestido preto com saia leve e vaporosa, mas usava um coturno pesado estilo militar, excentricidade completamente aceitável para a idade. Pelo retrovisor podia ver que a outra eventualmente olhava para ela, olhos verdes muito expressivos, cílios longos. Um olhar amistoso, mas também apreensivo. Percebia um certo nervosismo nas atitudes da menina, apesar dela ter sempre um sorriso nos lábios. Mantinham-se caladas, como se qualquer palavra naquele momento pudesse desencadear algo que sequer podia imaginar.
Reconheceu o caminho que a outra estava tomando, iam para a casa de praia dele. Praia em pleno inverno? Ela questionou mentalmente. Que louco. O que está planejando? Neste momento o telefone tocou, era ele mais uma vez.
- Mais calma agora?
- Claro que não! Pelo contrário, estou cada vez mais apreensiva – baixou então o tom da voz, quase sussurrando – e não agüento mais ver esta menina olhando pra mim, a cada dois segundos ela olha pelo retrovisor, que chato!
- Quer dizer então que o olhar dela te incomoda – ele falou como quem analisava o que ela dizia – Incomoda ou excita?
- Como assim excita? – perguntou meio indignada e sem perceber falou bem alto e a menina mais uma vez olhou pelo retrovisor.
- Excitar, verbo transitivo direto, estimular, ativar a ação de, provocar excitação…
- Eu sei o que significa excitar, só não entendi o porquê da pergunta – ela o interrompeu impaciente.
- Tem certeza que não entendeu? – ele disse com a voz rouca e suave em seu ouvido.
Bingo! De repente tudo ficou muito claro. Aquela menina devia fazer parte da fantasia. Curiosamente, ao invés de ficar irritada, ela ficou realmente excitada. Mais uma vez buscou o olhar da menina, que respondeu com um sorriso tímido.
Olhou-a então pela primeira vez com olhos de fêmea. E analisou cada centímetro visível do corpo dela. No entanto, não era o corpo que chamava atenção, mas o jeitinho ingênuo, apesar das roupas de mulher que vestia. A motorista estava apreensiva porque certamente já sabia o seu papel na história desde o começo, ela ao contrário foi só estava sabendo agora.
- Ficou muda? – ele falou divertido.
- Não… Estava pensando apenas – falou mais calma, mas ainda muito curiosa. Já estava no jogo. Ele sabia exatamente como envolvê-la. Caiu enfim na teia. Teia que a menina já estava completamente presa.
- Então não pense, faça!
Era o primeiro comando, ela pensou. E sem perceber aquilo a excitou, sentiu que umedecia entre as pernas e instintivamente fechou as pernas.
- Fazer o que? – perguntou como quem não sabe de nada.
- Abra as pernas e coloque a esquerda sobre o banco. Está depilada como eu gosto? – ele perguntou bem safado.
- Sim, estou depiladinha e acabei de colocar minha perna sobre o banco – ela realmente havia entrado no jogo, falava olhando diretamente nos olhos da menina pelo retrovisor, que não mais sorria, apenas prestava atenção a tudo, inclusive na estrada vazia para o litoral.
- Você sabe o que eu quero. Sabe como gosto. Sei que está com seu brinquedo na bolsa. Abra, pegue, coloque o telefone no viva-voz e faça tudo bem devagar me contando cada detalhe.
Assim ela fez. Ainda com as pernas abertas e sem tirar os olhos da motorista, pousou o celular no banco acionando o viva-voz, abriu a bolsa tirou o vibrador preto e prata que sempre carregava com ela por recomendação dele, aconchegou-se melhor no banco e passou a narrar sedutoramente cada gesto, cada toque, cada suspiro seu.
- Você está me ouvindo querido? – ela perguntou para se assegurar que ele acompanhava sua narrativa.
- Sim, continue…
- Ok! Eu acabei de abrir meu vestido e baixar até a cintura. Estou vestindo um corset preto lindo, com as pernas abertas, dá pra ver as ligas e meias 7/8, sem contar que a minha “peladinha” que já se encontra toda melada aqui. Com a mão esquerda eu estou abrindo os grandes lábios, enquanto com a direita eu massageio levemente o meu clitóris que está durinho de tanto desejo. Acabei de colocar meu dedo médio da mão direita, todinho dentro de mim. Hummmm… Tirei. Está meladinho, vou dar uma lambida bem gostosa nele.
E dizendo isso, colocou o dedo na boca bem devagar, como quem chupa um falo rijo. Fazia isso olhando diretamente nos olhos daquela que já não sabia se prestava atenção na estrada ou no retrovisor.
- Agora estou ligando o vibrador – ela continuou narrando – Aquele prata que você me deu, lembra? Ouve o barulinho. – perguntou aproximando o aparelho do celular.
- Hum Hummmm – ele assentiu.
- Agora eu estou baixando um pouco o corset, coloquei os seios de fora, os mamilos estão rijos. Estou passando o vibrador bem devagar em meu mamilo esquerdo. Hummmmmm. Agora no direito. Enquanto isso, eu não deixo de me masturbar, manipular meu clitóris. Está tão gostoso amor. Falta você aqui, falta a tua boca entre as minhas pernas.
- Pare! – ele interrompe com a voz rouca de tesão.
- Como? Justo agora que estou quase gozando? – ela pergunta meio desconcertada.
- Não você, a motorista. Pare o carro no acostamento.
E a menina obedeceu prontamente. A mente dela estava fervilhando, o corpo estava trêmulo. Aquilo estava esquentando como se estivesse em pleno verão.
- Passe para o banco de trás. Ajoelhe-se e comece a chupá-la agora! – ele deu o comando e foi obedecido prontamente pela motorista, que parecia muito excitada também.
Vinha acompanhando cada movimento pelo retrovisor, cada palavra que dizia pra ele. Ajoelhou-se meio sem jeito no banco de trás e só então pôde ver que a outra estava sem calcinha também e sem sutiã. Seu corpo era jovem, a carne durinha.
A menina afastou com os dedos seus grandes lábios, deu uma deliciosa lambida e então se deteve no clitóris, a língua deliciosamente rápida e constante, eventualmente dando delicadas chupadinhas.
- Ai amor, eu estou morrendo de tesão aqui, ela está me chupando tão gostoso… É como se conhecesse o meu corpo, bebe meu caldinho, chupa meu grelinho, hummmmmm. Quero tocá-la amor, posso?
- Ainda não, quero que ela descubra todo o teu corpo, que ela o conheça como eu conheço. Os mamilos, cuzinho. Enfiando os dedinhos nela, vai… Na frente e atrás, mas sem parar de chupar– ele comandava toda a situação, estava sendo um grande sacrifício não tocar naquela que estava lhe dando tanto prazer – Deixando dois dedinhos enfiados no rabinho e dois na frente. Não parando de mexer nem chupar, chupando o grelinho bem gostoso. Quero que goze na boquinha dela, para que sinta teu sabor, teu gostinho.
- Ai amor, não para, eu vou gozar, nossa!!! Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!
Explodiu num orgasmo absurdo, esquecendo que estava ali estacionada no acostamento da estrada, gritou alto e forte, no banco de trás do carro, com uma estranha que sequer sabia o nome sendo completamente guiada pelo homem que amava. Seu corpo tinha espasmos de prazer, como se ondas de eletricidade passassem por ele. A menina continuava a chupá-la freneticamente, e os dedos indo e vindo dentro dela, sentia suas entranhas contraindo aqueles dedos, como se quisessem mastigar aqueles delicados dedinhos.
Seu corpo aos poucos foi voltando ao normal, pulsação, respiração. Nesse momento percebeu que ele estava novamente falando.
- Nossa! Que orgasmo delicioso este, vou ficar com ciúmes aqui – falou de um jeitinho maroto, zombando dela – Vejo que ficou molinha agora né?
- Sim… – ela sorriu meio sem jeito olhando nos olhos da menina que estava agora aconchegada em seus braços.
- Quero que se beijem agora e acariciem-se, com ternura, carinho…
E elas imediatamente obedeceram. E ela pensou, não há toque que se compare às mãos de uma mulher na outra. As mãos, os mamilos roçando, seios nos seios. O toque dos seios da outra em seu corpo era deliciosamente confortável e ao mesmo tempo excitante. Estavam mais uma vez acesas, completamente envolvidas. Ele dessa vez não as guiava, não falava, elas apenas se tocavam e se descobriam ainda mais. Deitou a outra no banco e então começou a beijar os seios, chupar os mamilos rijos, descer até seu umbigo e perder-se entre as pernas, sentindo o gosto dela pela primeira vez em sua boca. Como ela a pouco sentira.
Com o vibrador foi acariciando o corpo da outra, exatamente como havia feito antes em si mesma, só que agora beijava, tocava e acariciava. Trocavam um beijo com gosto de seus sabores. Desceu então mais uma vez para entre as pernas dela, e dessa vez foi ela a retribuir o prazer. Introduzia o vibrador, entrando e saindo, ao mesmo tempo em que chupava bem de leve o grelinho dela, que se contorcia de desejo. Não demorou quase nada, e ela explodiu em um gozo delicioso, se deliciando naquele banco como uma gata no cio. E quando finalmente elas se acalmaram saciadas, ouviram a voz dele.
- Saciadas minhas meninas?
Elas se olharam e sorriram meio envergonhadas.
- Pena que você não viu amor, foi um tesão. Lindo e delicioso. – ela falou enquanto ainda acariciava os seios da motorista.
- E quem disse que eu não vi? – ele perguntou dando uma gargalhada – Tire a mão dos seios dela agora e venham quentes porque eu estou fervendo aqui a espera das duas.
Neste momento ela olhou para o retrovisor e viu que uma luzinha vermelha piscava sem parar. Estavam sendo filmadas. Safado, ela pensou, mas… Que delicioso safado!
Vem…

De olhos fechados estou nua na cama, recostada e preguiçosamente jogada sobre as almofadas, tateio e desvendo o meu corpo descobrindo-o como um cego lendo em braile. Detenho-me em pontos chave, é o prazer que me guia. Repouso a mão esquerda em meu seio nu, buscando com as pontas dos dedos meu mamilo rijo, enquanto a mão direita continua percorrendo meu corpo até achar refúgio quente e úmido entre minhas pernas.
Abro os meus olhos então, arqueio levemente os joelhos, separando-os estrategicamente para te observar ali a dois metros de mim, ajoelhado e nu no centro do quarto, com as mãos obedientemente pousadas em seus joelhos, como eu ordenei. Teu olhar faísca de desejo são duas verdes fagulhas a me espreitar. Você está tão lindo, compenetrado, ofegante, teu olhar percorre todo o meu corpo e segue os meus movimentos mudamente. Cumprindo à risca meu capricho.
A cena me excita, tenho o teu controle, sei que de onde está tem pela primeira vez a visão que tanto sonhou. Vê meus olhos negros agora? Meus seios, sexo, coxas? Minhas mãos e meus pés a roçar pela cama, enquanto eu me toco excitada em te ver ali como o um cãozinho adestrado?
Sinto um fogo tomar conta de mim, meus dedos agem delicados e rapidamente. Um instinto de fêmea que necessita ser saciada. Busco mais uma vez teus olhos e baixando os meus, percebo a tua ereção crescente. Teu olhar desesperadamente faminto. Fecho os olhos mais uma vez, deixo o orgasmo tomar conta de mim, retesando e relaxando o meu corpo, me entregando ao prazer solitário, dessa vez não tão solitária assim.
Feito gata no cio, me esfrego na cama, deitando de bruços e abraçando os travesseiros, ronronando um pedido que é prontamente obedecido como uma ordem:
- Vem…
E então de quatro, feito um cachorrinho você se aproxima. Sabe exatamente o que eu quero, nem preciso falar. Estico o pé em ponta e sinto a tua língua quente percorrer minha sola fria. Lambendo o meu suor, se alimentando dos resquícios do meu mais recente orgasmo. Explorando cada milímetro, beijando, acariciando, massageando. Deixando-me mais uma vez excitada. Aconchego-me às almofadas, te acaricio as costas com meus pés, busco cheia de desejo as duas esmeraldas que são seus olhos. E mais uma vez te peço:
- Vem…
E você vem. Olhar safado, sorriso entre os lábios. Deliciando-se com o meu sabor. Deliciando-me com o teu vigor. Sentindo meus pés acariciando o teu corpo. Eu sentindo você explorar meu desejo. A tua língua quente, macia, a carícia suave e constante. O orgasmo! Hummmm… Que orgasmo!
Tenho o corpo suado e ofegante. Quero sentir o teu peso, quero sentir você em mim. Dentro de mim. E pela terceira vez eu te peço, mas dessa vez nem peço. Você simplesmente entende e vem.
Invade-me deliciosamente olhando em meus olhos, me hipnotizando no fundo desse olhar. Pouso meus pés em teu tórax, sei o poder que eles têm. O encaixe aperta, o prazer intensifica. Acaricio tua face, roçando a sola macia em tua barba gostosa e enfio o dedão do pé em sua boca com uma ordem: “Chupa!”. Sinto que você está quase lá, respiração descompassada, pulsação alterada, quando eu então te afasto sorrindo com meus pés e digo apenas: “Ainda não!” Vejo a interrogação em teus olhos, o descontentamento, completamente atônito e sem entender por que.
Você de joelhos na cama, esperando o meu comando, confiando mesmo sem entender meu motivo. Fico de pé à sua frente e o acaricio com o pé, brinco com ele entre meus dedos. Sinto um suspiro seu enquanto fecha os olhos. Ajoelho-me, beijo tua testa, teus olhos fechados, tua boca. Fico então de costas pra você, sentando sobre meus tornozelos te expondo minhas solas. Viro delicadamente então, busco teu rosto com minha mão, beijo com carinho a tua boca linda e te falo sorrindo ao ouvido: “Agora sim, mas nas minhas solas!!!”.
Nos Jardins da Deusa Mazinha

…enquanto isso no Jardim da Deusa Mazinha
Um pobre homenzinho tenta desesperadamente escapar da malvada Beattrice, escalando uma arvorezinha no jardim, pensando que no meio das folhagens a malvadona não o perceberia.
É então que ele começa a ouvir as folhagens mexendo, o que para uma coisinha tão minúscula é um barulho assustador. Percebe que o seu fim está perto, mas bravamente continua a subir, na vã tentativa de salvar sua vida. Quem sabe se conseguir fugir da malvada possa uma vez mais ser um homem normal. É então que ele ouve a sua voz doce e o seu riso debochado:
- Ahaaaaaaaaaa!!! Te encontrei coisa pequena! Por acaso pensou que podia fugir de mim???
- Não Senhora – disse ele cheio de medo – Estava apenas me exercitando, ficando sarado para a Senhora.
- Pensa que acredito nisso, coisa pequena? Estava fugindo sim, e vc me pegou em um péssimo dia, estou em TPM. Vou te catar agora pelos fundilhos e te esmagar num crush monumental. Vai virar pastinha de coisa pequena, e se minha cadelinha quiser, passo a pastinha no pão, para que ela coma como patê!
- Não Senhora, por piedade, não faça isso.
- Faço sim, quem você pensa que é para tentar fugir de mim?
Ela então descalça o tamanquinho de couro, o qual havia passado todo o dia e aproxima seu belo pé direito, com seus dedos longos, do homenzinho insignificante. O cheiro do suor do pé dela chega a arder as narinas do pequeno. Ela cata ele com o dedão e o segundo dedo, como quem pega um lápis que caiu no chão. Chega a assustar a facilidade com que a malvada faz isso, e ele pensa em quantos homens ela já terá esmagado entre seus dedos?!
Nesse momento, ele ouve barulho de coisas quebrando, ela coloca ele no chão, mas em cima dele coloca um copo de vidro. Ele fica ali, preso, com seu ar quase escasso. O que será que ela quer? Pra que tanta tortura?
É então que ele vê os pés de outra Deusa malvada se aproximando. Dona de pés lindos, unhas perfeitas, calçando uma belíssima sandália de tirinhas coloridas, palmilhas de oncinha. Ele ouve quando a malvada Beattrice chama-a de Deusa Juliete.
- E então Ju? Já treinou bastante com os bonequinhos? Achei o pequeno que havia te falado, escondido entre os arbustos. Eu não sei como essa coisa insignificante, pode sonhar que conseguiria fugir de nós.
Neste momento, a Deusa juliete se aproxima e coloca um bonequinho diante do copo, e enquanto desce os seus belos pés sobre o pobre do boneco, fala com a voz mais doce:
- E aí pequenino, preparado para sucumbir sob meus pés?
Desesperado o pequenino chora, apesar de todo o medo, toda a humilhação, está terrivelmente excitado e desesperado começa a masturbar-se, talvez esse fosse o seu último orgasmo antes da sua morte. Enquanto ele se masturba, as duas se divertem quebrando os homenzinhos de plástico, carrinhos e todo resto que encontarm pelo caminho. Elas parecem perceber seu medo, seu pavor, sua excitação e se divertem com isso.
E então, como se não bastassem as duas malvadas a brincar, e torturá-lo, chega a terceira, a Deusa Mazinha, poderosa em seu escarpin preto, soberana e calma. Coloca os pés sobre um carrinho de plástico e calmamente começa a arrastá-lo para um lado e para o outro, com uma calma absurda. Ele está ali, dentro daquele copo, incapaz de fugir, apavorado, mas ao mesmo tempo latejando de tanto desejo, masturba-se cada vez mais freneticamente, vendo o carrinho pra lá e pra cá! Ela então, malvadamente percebendo a excitação dele, aumenta gradativamente o ritmo.
E quando ele está ali, dentro daquele copo, realmente prestes a ejacular, a malvada Beattrice fala com a sua voz zombeteira de sempre.
- Nananinanão pequenino!!! Quem disse que eu permiti que ejaculasse???
Ela então tira o copo de cima dele, ordena que ele se deite no chão. Ele implora por sua vida, mas ela parece impassível, as outras duas malvadas. Estão próximas, sorridentes e excitadas com aquela sua condição ridícula, mesmo sabendo estar à beira da morte, ele se encontra com o membro em riste. Ele então vê o pezão da malvada Beattrice descer lentamente sobre ele, com o dedão assustadoramente esticado. Como se com aquele gesto dissesse ok para as outras duas malvadas.
-É agora meninas!!!
E como se tivessem combinado, cada uma pisa em um membro do pequenino. Uma começa pisando o braço esquerdo, outra a perna direita e a malvada Beattrice a perna esquerda. Ele urra de dor e implora por piedade, mas tudo o que ouve são as risadas das malvadas. Nesse momento Beattrice fala em um tom meio debochado.
- Ahhhhhh pequenininho, eu sou tão boazinha, mas tão boazinha, que estou deixando a sua mãozinha direita livre, masturbe-se! Prometo que se o esguicho de esperma chegar a altura dos meus joelhos, eu te deixo viver. Não é mesmo meninas???
E as outras duas caem numa gargalhada, como se a malvadona tivesse dito a coisa mais engraçada do mundo. Ele se enche de esperança, o que tem a perder??? Afinal, ter um braço, cabeça, tronco e penis é melhor que a morte.
E começa a sua sôfrega tentativa. Masturba-se cada vez mais, com desejo e vontade. A dor que sente, quase chega a anestesiá-lo, quase ao ponto de um desmaio, mas a visão daquelas tres enormes gigantas é talvez a cena mais humilhante e também a mais excitante de sua vida. A esperança de ser poupado, alia-se ao tesão daquela cena surreal. E é então que ele grita.
- É agora senhora! Vou gozar, tenho certeza que o meu tesão é tanto que chegará a altura dos seus joelhos. É agora! Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh…
Neste momento então, as malvadas tiram os pés do pequenino, olham para o joelho de Beattrice e vêem que ele realmente cumpriu seu intento, chegou sim a melar o joelho da malvada. Beattrice então dá um suspiro, olha para o rosto das amigas e pergunta:
- Vamos tirar no zerinho ou um??? – E as outras concordam.
Sem entender o que está acontecendo, o pequenino, com um braço e duas pernas esmagadas perguinta o que está acontecendo. Nesse momento a Deusa Mazinha, que havia ganho a disputa, dá um sorriso lindo, olha diretamente em seus olhos e diz:
- Você não percebeu pequenino??? Eu ganhei a disputa, e agora vou esmagá-lo!
Ele deseperado lança um olhar para Beattrice e implora em uma última tentativa.
- Mas… Mas… A Senhora prometeu… – ele gritou em desespero.
E enquanto a amiga descia o pé calmamente sobre o pequeno, pronta para quebrar os ossinhos que restavam naquele corpinho, ele pôde ouvir as últimas palavras e a doce gargalhada da malvada Beattrice.
- Bobinho… Eu menti!
Um Dia Normal
Ele chegou cansado. Teve um dia difícil na agência, foi cancelada uma conta que já tinha como certa e aquilo estava acabando com ele. Até mesmo a presença alegre da nova secretária, uma morena linda de cabelos longos e lisos que ia quase à altura da cintura fina, chegava a irritá-lo com seu andar tão sexy e natural. O entusiasmo de iniciante, aquele belo sorriso sempre tão prestativo e o som melodioso da sua voz só aumentavam o martírio. Conviver com tamanha beleza seria impossível. Definitivamente, teria que mandá-la embora, do contrário não conseguiria mais trabalhar. Tarefa impossível, sendo ele a cada minuto tentado em seu tão firme, e hoje quase lamentado, propósito de se manter casto e fiel à sua amada.
Naquele momento, ele não sabia se o que doía mais era a sua cabeça ou suas bolas que teimavam em latejar. Esparramou-se na poltrona da sala, abriu bem as pernas para ver se aliviava um pouco o desconforto, levou a mão entre as pernas e pensou: “Dois meses, vinte e dois dias, quatro horas e… Dezesseis minutos!”, conferiu olhando o relógio depois de um longo suspiro. Nunca pensou que fosse tão difícil ser realmente fiel a uma mulher. Teria que aprender a ser cada dia mais resignado e merecedor da atenção daquela que venerava tão profundamente, ao ponto de fazê-la a única guardiã da chave do seu cinto de castidade.
Nesse momento, ele ouviu o som daquele doce sorriso. Vinha do quarto. Levantou da poltrona e foi na ponta dos pés se esgueirando até lá, imaginou que ela poderia estar com alguém, um amante talvez. Seu coração batia descompassado ao imaginar a possibilidade, ao mesmo tempo em que seu sexo latejava ainda mais dentro do cinto. A situação o excitava. Bem devagar se pôs a olhar sorrateiramente da porta e deu um suspiro aliviado. Ela estava deitada de bruços na cama, com o telefone ao ouvido, segurando uma caneta com a outra mão e conversando animadamente com alguém enquanto balançava os pezinhos no ar. Como uma colegial, leve, solta e feliz. Involuntariamente sorriu. É claro que não descartava que podia ser o amante ao telefone, mas mesmo assim ficou ali, da porta, a admirá-la. Como ela podia ser tão linda, tão doce e tão… Deliciosamente malvada!
Percebendo a presença dele no quarto, ela olha para trás e lança um beijo em sua direção, com o sorriso mais lindo e doce que só ela tem. Sem, no entanto, parar de conversar. Aponta então displicentemente para seus pezinhos a mexer, afasta um pouco o telefone e fala com arzinho dengoso: “Massageia meus pezinhos amor, eu andei a tarde inteira procurando aquela sandália linda com a fivelinha na frente que te falei. Aquela que eu quero combinar com o corset lindo que você me deu, lembra?”.
Ele então sorri encantado! Feliz em ser útil à sua amada. Esquecendo o dia terrível no trabalho, a tentação da secretária, a dor de cabeça, o sofrimento em ter as bolas trancafiadas naquele cinto que o mantém casto… Tudo! Esquece tudo por aquele lindo sorriso, por aqueles pés tão belos e amados à sua frente. Prontos para serem acariciados, cuidados, adorados, como somente uma Rainha merece. Como a sua Rainha merece!
Senta-se então na cama, pousa os pés dela em seu colo, próximo ao objeto que é ao mesmo tempo símbolo de seu sofrimento e orgulho pensando: “Como eu sou feliz!”.
Fantasias na Madrugada

Acordei no meio da noite, uma tosse terrível. “Preciso ir ao médico e resolver essa chatice”, pensei. Levantei meio zonza, e fui à cozinha, descalça (se minha mãe souber me mata) e abri a geladeira para pegar um copo de água. Tenho mania de beber água com a porta da geladeira aberta, acho que gosto de ver a casa na penumbra e aquela iluminação difusa.
A luz da geladeira incidia diretamente sobre a fruteira (repleta de laranjas, pokans, maçãs, bananas… hummm… Bananas!). Amo bananas! Sou viciada em bananas. E pra completar, a fominha que eu estou vivendo graças à dieta… Ai, nem gosto de lembrar. Antes que alguém acordasse, roubei duas bananas da fruteira (será que alguém perceberia este furto?) e fui comendo uma enquanto me encaminhava para o meu quarto.
Fechei a porta, deitei na cama, acendi o abajur e descasquei a outra banana. Enquanto descascava. Comecei a pensar um monte de coisas libidinosas (que mente, nossa!!!). Antes de comer a banana então, dei uma lambida nela. Da ponta dos meus dedos, que segurava a base da banana, até a pontinha dela. Chegando à ponta. Envolvi meus lábios na ponta da banana, obviamente fantasiando que se tratava de algo muito diferente que uma banana, mais quente, mais grosso…
Minha boca envolveu suave e completamente aquela grande banana, até tocar minha garganta e provocar certa ânsia de vômito. A esta altura, já tinha minha outra mão entre as pernas, meus dedos afastavam os pelinhos, molhando o dedo em meu buraquinho. Já muito excitada, com o dedo médio, busquei meu clitóris e comecei a estimulá-lo.
Enquanto me masturbava, chupava a banana, a esta altura já na temperatura da minha boca, completamente molhada pela minha saliva. Tirei então a banana da minha boca e já quase gozando, enfiei-a de uma só vez dentro de mim. Hummm… Que gostoso!
Imaginei então as suas palavras. Imaginei que não era a banana, mas você. Dentro de mim, de uma só vez, sem pedir permissão, me invadindo… E gozei como uma louca. Meu corpo tremia, e imaginava o seu sobre mim. Imaginei -me com as pernas arreganhadas, sentindo o teu peso. Fechei os olhos e pensei que o meu suor se misturava com o seu. Fantasiei então algo louco.
Você saindo de uma só vez de dentro de mim, me colocando de quatro e atando os meus pulsos aos meus tornozelos. Forçando a minha cabeça junto à cama e segurando o meu cabelo com firmeza. Afastando as minhas pernas com os seus joelhos e mais uma vez me invadindo, dessa vez o meu outro buraquinho. Forçando lentamente até eu não oferecer mais resistência, e me surpreender com uma estocada violenta, quando já estava todo dentro de mim.
Você então com a voz firme perguntou a quem eu servia. E eu no auge do meu quase orgasmo, respondi distraidamente: “Você!”. Neste momento, senti meus cabelos puxados com mais força, e a sua voz mais uma vez perguntando “A quem?” Percebi o erro e humildemente respondi: “Ao meu Senhor! Meu Amo…”
Dessa vez, você me invadiu com força, me rasgando as entranhas… Mais uma vez gozei, e dessa vez lágrimas vieram aos meus olhos, da sensação de dor da penetração. Do prazer inenarrável do gozo. Dei um grito forte, vindo de dentro de mim, exprimindo toda a força daquela sensação. Meu corpo suado, a respiração ofegante.
Abri os olhos e vi que você não estava aqui. Que o seu corpo não pesava sobre o meu, que o que havia dentro de mim era a banana e não você. A sensação daquela fantasia era tão real. Que desejo intenso, que sede, que fome de você. Fome…
Lembrei que tudo havia começado com um assalto à geladeira no meio da noite. E sorri. Tirei a banana lambuzada de dentro de mim e levei-a a minha boca. Lambi todo o meu suco que a envolvia, aquele sabor. Hummm… Mordi então a banana e comi aquela que há minutos atrás me comia. Sorrindo por dentro, pensei: “Amanhã tenho que relatar essa fantasia”.
O Presente

Ela olhou em direção à janela daquele quarto de hotel, para as gotas de chuva que molhavam o vidro na noite escura. A chuva… Sempre teve fascínio pelas forças da natureza. Sentia-se tão mínima, tão impotente… E ao mesmo tempo tão fascinada, tão livre. Inexplicavelmente… Ficou feliz que fosse uma noite de chuva.
Seus cabelos cor de fogo ainda molhados do banho recém tomado, escorriam pelas suas costas. Andou descalça pelo quarto na penumbra, iluminado apenas pelo pequeno abajur. Aproximou-se da janela, segurando com firmeza a toalha que cobria o seu corpo, seu coração batia acelerado, descompassado, não sabia se o seu corpo ainda estava úmido dos resquícios da água do banho, ou se suava de ansiedade. De excitação… Sabia que ele a observava, mas de onde?! “Ah… Isso era o que menos importava agora” Pensou.
Sentia o olhar dele sobre ela, apesar de não saber exatamente como. Até aquele momento, havia cumprido fielmente cada uma de suas instruções. Teve um grande prazer em cumprir cada uma de suas ordens, dando uma atenção absurda aos detalhes. Mesmo longe da sua presença, queria agradá-lo. Havia um erotismo implícito em cada um de seus atos.
A música, um noturno de Chopin, ecoava pelo quarto. No volume exato que ele havia indicado. O banho havia sido preparado na temperatura indicada e com o óleo essencial de patchoulli. Mesmo agora, depois de ter saído dele, o perfume exalava suave pelo quarto. Suas mãos tremiam…
Abriu as cortinas, de um lado a outro, como ele pediu. E parada diante da janela de vidro que dava pra rua, deixou enfim a toalha cair, exatamente como ele disse que deveria ser. Fechou os olhos e mordeu os lábios, não acreditava que teve coragem para tanto…
Entreabriu os olhos e viu que do outro lado da rua, abrigando-se da chuva forte sob uma marquise havia uns homens que não apenas viram a sua nudez, como gritavam enlouquecidos, assobiavam e batiam palmas.
Ela sentiu seu rosto queimar de vergonha, teve vontade de pegar a toalha do chão e cobrir o seu corpo, sair dali, de toda aquela loucura, mas… Lembrou então da voz dele em seu ouvido, enquanto acariciava seus cabelos na noite anterior. “Você é minha, tão minha como jamais foi de qualquer outro. O teu corpo é meu, cada centímetro dele me pertence…” E enquanto dizia isso acariciava o seu corpo e continuava. “Quando você estiver diante da janela e deixar a toalha cair, deve lembrar que faz isso para mim, o seu Dono, somente pra mim, para ninguém mais…”.
Ela então fechou os olhos e duas lágrimas rolaram pelo seu rosto, apesar de saber que ele não deixaria que nada de mal lhe acontecesse, estava morta de vergonha, ouvindo as obscenidades que aqueles homens gritavam. Virou o rosto para o lado e abaixou a cabeça segurando o choro, até quando teria que ficar ali… Neste momento o telefone tocou.
Ela correu para atender, era ele… “Minha Dama da Noite?!”
Ela sentou-se então no chão, à beirada da cama e caiu num pranto convulsivo… Ouvindo os homens urrando do lado de fora do hotel. Abraçou as pernas como uma criança acuada e escondeu seu rosto entre elas. Os cabelos vermelhos faziam contraste em sua pele branca, seu corpo balançava de tanto que chorava, sequer tinha forças para manter o telefone em seu ouvido.
Quando enfim acalmou um pouco, pegou mais uma vez o telefone e desesperada falou: “Alô?!”, mas estava mudo do outro lado da linha. “Alô?! Ainda está?” e o silêncio permanecia. Não sabia quanto tempo havia passado. Ela só ouvia a música, o piano nervoso e os gritos dos homens que aos poucos iam ficando mais distantes até enfim cessar.
Ela continuou ali, no chão, no mesmo lugar, como um gatinho assustado. Com o fone ao ouvido, esperando… Apesar de nenhuma palavra, sabia que estava lá, ela podia ouvir a sua respiração. Sentí-lo. E esta sensação aos poucos a acalmava…
Neste momento ela ouviu mais uma vez a sua voz. “Você é uma boa menina, fez exatamente o que pedi. Eu sabia que minha Dama da Noite era capaz…” Ela então, ainda com voz chorosa, falou: “Onde está você? Sinto-me só, com medo… Vem… Por favor…”.
“Ainda não! Você merece um presente muito especial por ter sido tão maravilhosa…” Neste momento bateram à porta e ele pediu que ela abrisse e depois voltasse ao telefone. “Nua?!” ela perguntou apreensiva. “Pode cobrir-se com a toalha, eu te espero.” E assim ela fez, mas viu que não havia ninguém à porta, apenas uma enorme caixa branca, com um laço vermelho no chão. Pegou a caixa, fechou a porta e voltou ao telefone. “Já abriu?” ele perguntou.
Ela tirou então o laço e viu que havia um lindíssimo corselet de vinil preto, onde o espaço pra os seios era vazado, detalhe em rebites prateados, tinha um cordão atando-o por ilhoses e na parte inferior dele desciam ligas. Na caixa havia ainda, meias pretas sete oitavos e um scarpin altíssimo de bico fino. “É para eu vestir?” ela perguntou. E ele respondeu que sim.
Mais uma vez ansiosa como uma criança, ela voltou a sorrir e vestiu calmamente as meias, o corselet, e correu para o telefone para perguntar se não havia calcinha e ele sorriu dizendo: “Para quê?” Ela calçou então os sapatos e olhou-se no grande espelho que havia na cabeceira da cama. Estava um verdadeiro ícone fetichista.
Pegou mais uma vez o telefone e antes que ela dissesse qualquer coisa ele disse: “Você está linda! Especialmente linda…” ela sorriu, olhando em volta, procurando saber de onde ele a observava, devia haver um circuito interno de TV, ou qualquer coisa assim. Ela então perguntou: “E agora? O que eu faço?” e ouviu simplesmente que fechasse os olhos. E ela obedeceu aguardando o que viria depois…
Ouviu então a porta abrindo e fechando. Passos se aproximando por trás dela e o corpo dele encostando ao seu, reconhecia o seu perfume… “Posso abrir os olhos?” ela perguntou ansiosa e ele disse apenas que não.
Sentiu então que ele vendava seus olhos com um lenço, de toque frio, talvez seda… Amarrava firme, muito firme, de maneira que ela mesmo que quisesse, não pudesse ver mais nada. Ficou então diante dela e beijou sua boca.
Ela sentiu seu corpo quente envolver o dela em um abraço… Acariciou-o, e mesmo sem tê-lo visto pôde imaginar que ele vestia aquela blusa preta de gola alta com toque aveludado que ela tanto amava, ele ficava misterioso e imponente vestido daquela maneira. Aliás, ela tinha certeza que ele estava “todo” de preto. Como um Dom, pronto para submetê-la…
Sentiu as mãos dele pelo seu corpo e seus joelhos fraquejaram. Guiou-a carinhosamente até a cama e disse que deitasse com as pernas abertas e dobrasse um pouco seus joelhos. Ele então se afastou um pouco da cama e disse com voz calma: “Masturbe-se pra mim!” e ela obedeceu, imaginando que enquanto se masturbava ele estava se despindo para em breve penetrá-la.
Acariciava-se, pois sabia o quanto àquela cena o excitava, imaginava-o à sua frente, observando-a nu, a masturbar-se também. Neste momento, sentiu suas mãos a tirar seus sapatos, primeiro um e depois o outro…
Sentiu sua boca em seu pé, sobre a meia fina lambendo sua sola. Ao mesmo tempo em que suas mãos subiam delicadamente para sua coxa e a despiam da meia. Repetindo o gesto no outro pé, na outra perna… Enquanto isso ela continuava a masturbar-se. Estava perto de um orgasmo. Ele agia com uma delicadeza quase feminina, tamanho o seu cuidado…
Sentiu suas mãos suavemente acariciando suas pernas, sua boca beijando os seus pés, sugando dedo a dedo delicadamente, voluptuosamente… Mordiscando a curvinha de suas solas. Ele sabia o quanto isso a excitava e nesse momento ela teve um orgasmo, deu um gritinho abafado e sentiu os lábios dele subindo por entre as suas pernas, ela então buscou com as mãos sua cabeça, para guiá-lo… Sentiu então que… Não era ele, não eram seus cabelos curtos e grossos, mas sim longos e sedosos cabelos lisos, como os de uma mulher.
“Quem está aí?” ela perguntou retesando o corpo. Sentando-se na cama, encolhida e assustada. Nesse momento ele disse: “Calma, eu estou aqui também…” abraçando-a, mas ela continuou: “Quem é esta mulher? Porque ela está aqui?” Ele então deu-lhe um beijo longo e voluptuoso e disse em seu ouvido: “Ela é o seu presente, abra as pernas… Quero ver o seu prazer” Estava meio assustada, mas…
Curiosamente, aquilo a excitava. Havia comentado com ele certa vez, que esta era a sua fantasia inconfessável, uma mulher. Saber agora, que havia uma desconhecida entre as suas pernas… Que tão deliciosamente havia adorado seus pés enquanto se masturbava. Que aqueles lábios quentes que há alguns instantes estavam em seus pés, a mordiscá-los e beijá-los, poderiam agora dar muito mais prazer… Estava sem dúvida excitada.
Relaxou um pouco mais o corpo e deixou que a desconhecida a acariciasse, enquanto ele dizia: “Boa menina…” Sentiu os lábios quentes entre as suas pernas, ao mesmo tempo em que ele a mordiscava e acariciava o bico dos seus seios. A sensação era indescritível, e o fato de não ver, apenas acendia mais a excitação.
Sentiu que estava perto de mais um orgasmo, quando ele disse que queria sentí-lo em sua boca. E ela fez como tanto amava. O teve em sua boca, todo, com desejo. Ao mesmo tempo em que estava prestes a um novo orgasmo, sendo excitada ao extremo pela desconhecida e pelas mãos dele, que segurava firmemente os seus cabelos, provavelmente para visualizar melhor o ato… Ele amava vê-lo sumir em sua boca. Apesar da venda em seus olhos, imaginava nitidamente a cena.
Sentiu então um orgasmo intenso e apertou-o com um pouco mais de firmeza, ao mesmo tempo em que o colocava com mais volúpia em sua boca e pôde (quase que simultaneamente) sentí-lo em sua boca e sua face. Abriu mais as pernas. Sentiu que a desconhecida sorvia seu caldo quente enquanto eles gemiam de prazer… Não havia palavras para descrever aquele momento… Seu corpo tremia de desejo e fervia de prazer.
E quando enfim relaxou e suas respirações aos poucos voltavam ao normal, ouviu-o dizer para a desconhecida que podia ir enfim. Ele aconchegou-a um pouco mais a seu corpo e desatou o lenço dos seus olhos. Ela cerrou-os um pouco até abri-los, pode ver então o rosto dele, lindo, másculo, na penumbra do quarto.
Olhou para a janela, onde havia antes se exposto, e um “flash back” de tudo que passou até aquele momento veio à sua mente. Olhou para as roupas dele no chão, para a cama toda emaranhada a seus pés e levou sua mão entre as pernas… Sorriu envergonhada. “Não acredito que eu tive um orgasmo na boca de uma mulher…” disse meio sem jeito, escondendo o rosto em seu peito moreno, enquanto ele também sorria e acariciava seus cabelos.
A sonata de Chopin mais uma vez ficava calma, e a noite aos poucos também… A chuva ainda caía, mas agora suave e constante. Como seus batimentos cardíacos. E foi então que ela de súbito perguntou: “Você disse que por eu ter sido uma boa menina, ganhei um presente… Você teria me castigado se eu não tivesse conseguido cumprir com o combinado?” Ele então calmamente respondeu: “Sim!”
Ela então se encolheu um pouco. Mais uma vez se aconchegou em seu abraço. Não quis saber de mais nada, de presentes ou castigos, estava agora em seus braços, nos braços do seu “Príncipe da meia noite”, completamente segura e feliz…
O Príncipe da Meia-Noite

Ela estava ansiosa e inquieta, apesar das luzes apagadas, não conseguia dormir. Desde que aquela brincadeira havia começado, suas noites nunca mais foram as mesmas… A incerteza, a espera… O que para muitos podia irritar, a ela excitava…
Lembrou da primeira noite. Já fazia alguns dias que ela entrava na sala fetiche, esperando ou procurando sabe-se lá o que… Era abordada por várias pessoas, no segundo dia ela já percebeu que não tinha como ser atenciosa com todos, passou então a apenas observar. Lendo conversas e mais conversas de desconhecidos… Ignorava completamente os chamados, apenas observava até seu sono chegar.
Foi então que um dia ele apareceu. Uma frase em reservado. “Você não precisa mais procurar!” E ela gelou. Aquela afirmação a deixou confusa, e pela primeira vez em dias ela também escreveu: “Procurar o quê?”, ainda trêmula com a forma direta que havia sido abordada. Havia acostumado ficar invisível, não respondia, e depois de algum tempo, nem notavam sua presença.
“O motivo. A cura para suas noites de insônia, a resposta da sua insatisfação com a vida, aparentemente bem sucedida… Aquilo que você busca, mas ainda não sabe o quê!” o outro digitou.
Suas mãos suavam, devia ser algum conhecido de brincadeira com ela, mas… Ninguém sabia que ela, uma empresária bem sucedida entrava em salas de bate papo no meio da noite, esperando e buscando algo que realmente não sabia o quê. Tentando sufocar a angústia do dia a dia, e vencer a insônia de cansaço.
Olhou o nick, “O Príncipe da meia-noite”. E lembrou que em suas madrugadas insones, viu muitas vezes aquele nome. No entanto, era um nick que não interagia com o grupo, se teclava com alguém era em reservado, como fazia com ela agora. E lembrou que já havia fantasiado em como seria, e porque alguém teria este nick tão sombrio.
Ele então continuou: “Seu nick-name “Dama da noite” me fascina… Uma flor belíssima, branca… Quase tão branca como a lua cheia, com um perfume delicioso, inebriante, que desabrocha na madrugada, mas pela manhã murcha e morre. Muitas vezes sequer dando a oportunidade dos que a cuidam perceber seu fascínio e beleza…”.
Ela ficou arrepiada. Desde que começou a entrar nas salas. Todas as vezes que foi abordada, pensavam que seu nick tinha a haver com prostituição. Nunca antes alguém havia entendido o real significado do seu nick. Desde criança tinha fascinação pela Dama da noite, passava madrugadas acordada, esperando que ela florescesse, algumas vezes colhia, e colocava em um copo, na geladeira, ali, ela vivia mais algum tempo, mas o seu aroma, e a sua beleza, eram diferentes do seu habitat natural. Era triste vê-la em um copo, cheio de água gelada… Como ela em sua vida insípida…
“Você é como a Dama da noite, precisa da escuridão para desabrochar.” Concluiu. Deixando-a ainda mais atordoada, teve medo… Um medo inexplicável. Ele parecia ler sua alma.
Ela então foi tomada de coragem e perguntou, antes que essa coragem passasse. “Por que você pensa saber tanto de mim?” E ele então respondeu: “Por que eu também te buscava…”.
Naquele mesmo dia trocaram fotos, nomes verdadeiros e telefones e ele passou a ligar diariamente, incondicionalmente à meia-noite. Desenvolveram uma relação estranha… Havia amizade, erotismo, entrega… Ela confiava a ele segredos, medos, como nunca antes confiou a qualquer outro, apesar de jamais tê-lo visto pessoalmente.
Com o tempo foram se conhecendo, ele disse a ela que era um Dominador. E ela a princípio ficou assustada, pouco ou quase nada sabia a respeito de SM. Começou a buscar informações na internet em sites de SM. Estaria ele pensando que ela era uma submissa? No entanto, ele era paciente, e respondia a cada uma das suas perguntas, das mais imbecis às mais complexas. Fazia três semanas desde aquele primeiro contato, e como em todas as noites ela esperava ansiosa. Olhou o relógio e viu que muito em breve ele ligaria.
Quando o telefone tocou, seu coração bateu mais forte, descompassado, como em todas as noites… “Como você está vestida?” ele perguntou. “Com um conjuntinho de calcinha e camiseta de algodão branquinho e meia soquete branca, pareço uma menininha…” disse ela sorrindo. “Vista um roupão e desça imediatamente, estou diante do seu prédio, dentro do meu carro à sua espera” e desligou.
Ela foi tomada por excitação e por medo… Nunca antes havia vivido algo assim. Se a razão dizia que ela não devia fazer o que ele ordenava. O instinto gritava dentro dela que “deveria” descer imediatamente e assim fez. Calçou as pantufas, o roupão e desceu. Excitada e com medo. O coração na boca…
Logo avistou o carro do outro lado da rua, e imediatamente reconheceu o homem moreno de cabelos grisalhos, como na foto. Pessoalmente, parecia mais jovem… E enquanto ela atravessava a rua, com um enorme sorriso nos lábios, um aperto na boca do estômago teimava em fazer-se presente. Ele abriu a porta e ela imediatamente entrou.
Ele abriu um sorriso lindo, tranqüilizador. Tocou em seu rosto e enroscou o dedo em um dos cachos do seu cabelo vermelho. “Você é linda… Cabelos cor de fogo… Sua pele branca reluz sob essa lua cheia, como uma “Dama da noite”… Você vai florescer em minhas mãos…” E dizendo isso aproximou seu rosto do dela e acariciou seus lábios com um beijo suave, delicado… Suas mãos acariciavam sua nuca, causando um leve arrepio, ela sentia os mamilos enrijecerem de excitação.
Ele então foi explorando sua boca, com mais volúpia… Seus dedos entrelaçaram em seus cabelos. Ele segurou com firmeza, mas sem machucá-la. Afastou sua cabeça, seus lábios ainda estavam trêmulos e molhados. Havia certo medo em seu olhar. A expressão dele era de puro desejo, e ela ficou ainda mais amedrontada e excitada. Ele mais uma vez soltou seus cabelos e acariciou o seu corpo. Deu mais um beijo e disse que deviam sair dali. Seu coração não batia, explodia dentro do peito…
A casa dele era grande, em um condomínio fechado. Seu quintal tinha dois cães Pitt Bull, que ela a princípio ficou com medo, mas ele parecia ter total controle sobre eles. Como sobre ela naquele momento. Abriu a porta e entraram. Ela ainda parecia um coelhinho assustado. Com aquelas pantufas nos pés, vestida pra dormir, coberta apenas pelo roupão… Os cabelos emaranhados, sem um pingo de maquiagem… Sentia-se fragilizada, como uma criança diante do desconhecido…
Só então ela percebeu que ele também estava de pijama, com um robe de seda por cima. Ele a guiava pela casa sem acender as luzes. Indicava o que eram os cômodos. Sala, quartos, banheiro… Chegaram a uma sala de jogos. E ele logo ligou o som, e colocou uma música clássica que ela reconheceu imediatamente como Bach.
A sala era ampla, havia um grande sofá, home theater, mesa de bilhar e uma enorme cortina, que ele abriu. Proporcionando pela janela a bela visão do jardim, da piscina e a lua cheia refletindo na água e iluminando o ambiente. Eles sentaram no sofá, envolvidos pela música. Ela aconchegada em seus braços, ambos bebendo o drink recém preparado. Lembraram um pouco o que havia acontecido entre eles até agora e ela sorriu um pouco nervosa, se achando uma louca por estar ali, em seus braços.
Ela então, ficou de frente pra ele e olhando em seus olhos perguntou: “O que faz um Dominador?” Sua pergunta era quase uma súplica e ele percebeu o pedido implícito. “Gostaria de descobrir?” Ele perguntou. Ela apenas assentiu com a cabeça, como uma criança obediente, mas temerosa. “Levante-se então…” ele disse com voz calma, mas firme.
Ela levantou e ficou esperando, não sabia o que fazer. Sentia calor, apesar do frio que fazia, seu corpo estava em brasa… “Tire a roupa…” e ela foi obedecendo, largando o roupão no chão, olhando em seus olhos, usando de sensualidade. Um meio sorriso nos lábios, tirando a camisetinha de algodão… Deixando os seios à mostra, com os mamilos intumescidos de excitação. Depois se despindo da calcinha, mostrando seus pêlos também ruivos, como os cabelos. Depois as pantufas de bichinho, e quando ia finalmente tirar as meias, ele disse que podia ficar com elas. Ele observava atentamente cada movimento, e ela não percebia nenhuma alteração nele, sua respiração, sua voz… Aquilo a assustava. Ele estava sob controle, enquanto ela tremia e suava… De tanto medo e excitação.
Ele parou à sua frente e disse: “Ajoelhe-se e olhe para o chão, só olhe para mim, quando eu mandar…” Saiu por um instante e quando voltou pediu que ela colocasse as mãos para trás. Assim ela obedeceu, esperando a próxima ordem, que não vinha. Ele ficou por trás dela e calmamente começou a amarrar seus pulsos, não estava apertado, mas estava firme, uma posição um pouco incômoda, mas que não a machucava. Ele mais uma vez afastou-se e não disse mais nada.
Ela sentiu que ele a observava. Ela de joelhos, sentada sobre os tornozelos, cabeça baixa, os longos cabelos cor de fogo tampando o pouco da visão que ela ainda poderia ter, tinha as mãos amarradas atrás do corpo, suadas e ao mesmo tempo geladas… A ansiedade a consumia, o que ele faria agora? Teve medo… Ouvia a própria respiração mais ofegante, cada segundo era uma tortura…
A noite estava um pouco fria, mas ela suava, não sabia dizer exatamente há quanto tempo estava ali de joelhos com a cabeça baixa e ele a observá-la, seus joelhos começavam a incomodar de tanto tempo na mesma posição. No lugar onde passavam as cordas, sua pele queimava, apesar de não estar apertada. Ela fez um leve movimento como se fosse buscar uma nova posição. E então, o ouviu quebrar seu silêncio com voz firme e sem emoção, um tom baixo, mas perturbador: “Não mandei que se mexesse… Se me desobedecer, vou castigá-la severamente.”.
Ela engoliu em seco, parecia um outro homem. Curiosamente, o que podia assustá-la, a excitava e sentiu umedecer entre as pernas, latejando e queimando de desejo. Ouviu seus passos se afastando dela. E o medo aumentou… Sentiu-se estranha, estava amarrada nua, na casa de um quase desconhecido… Que poderia fazer o que quisesse com ela e, no entanto não era esse o seu maior medo, mas sim o medo da entrega. Sentia-se “Dele”, para o que ele desejasse dela. Ficou um pouco tonta. Suava e gelava cada vez mais. Pensou que sua pressão pudesse estar caindo.
Quando ele mais uma vez se aproximou, num fio de voz ela falou: “Meu Senhor, sinto-me um pouco tonta, não me sinto bem…” E ele sem dizer nada, delicadamente tocou o seu queixo e levantou o seu rosto em sua direção, tirando com a outra mão os cabelos úmidos de suor da sua face. Ele pôde constatar que seu rosto estava pálido, e os lábios quase sem cor. Talvez por medo… Sim, o medo exalava de seus poros e isso o excitou. Pois ela tinha medo, mas era dócil e obediente. Estava completamente entregue a ele. A sentia frágil e sua… Exultou em constatar que fez a escolha certa. A Dama da Noite seria sua por completo.
Em um gesto súbito, ele a pegou em seus braços e ela pode sentir seu corpo quente. Pousou-a com o corpo de lado, delicadamente no sofá, com o rosto voltado para o encosto. O mesmo sofá que antes estiveram abraçados. Aquele simples contato de seus corpos, já fez com que sua temperatura começasse a voltar ao normal. Aconchegou uma almofada sob a sua cabeça e deu um beijo em seu rosto.
Ela sentia-se cuidada e protegida. Ele sentou-se no chão e carinhosamente tirou seus cabelos da face. Passando as mãos pela sua pele branca, que aos poucos voltava à temperatura normal. Acariciou todo o seu corpo, a curva da cintura, bumbum, coxas, joelhos… Inicialmente para aquecê-la, mas logo uma conotação erótica foi tomando lugar. Chegando aos seus pés.
Ela já sentia seu corpo queimar… Mais uma vez o desejo… Ele tirou uma de suas meias, seus pés ainda estavam gelados, apesar de suados. Ele acariciou com as mãos, como que para aquecê-los. Tirou a outra meia e fez o mesmo com ele também. Ele juntou ambos os pés e cheirou-os profundamente. Beijando-os as solas, logo abaixo dos dedos. Ela sentiu um arrepio subir-lhe a espinha… Ele roçou as solas dela em sua barba. Seu corpo estava cada vez mais aquecido e excitado.
Ele foi subindo as mãos pelas suas pernas, pela parte interna de suas coxas, sentiu que ela se contorcia meio que indicando onde desejava ser acariciada. E ele deu um sorrisinho sádico, pois apesar de também desejar, a deixaria ansiando um pouco mais. E quando ela imaginou que ele a tocaria, sentiu sua mão firme, escorregar pelas suas coxas e buscar seu bumbum para apertá-lo. Um aperto firme, que chegou a doer… E ela estremeceu de susto e prazer. Não havia mais vestígio de mal estar… Estava mais uma vez acesa.
Ele virou um pouco o seu corpo, cuidadosamente, já que as mãos amarradas poderiam machucá-la. Seu olhar procurava o dele, mas ela nada falava. Debruçou um pouco o seu corpo sobre o dela, com uma das mãos, passou pela sua nuca e segurou firmemente seu cabelo, como havia feito no carro. Seus olhos pareciam faiscar de desejo. A outra mão, buscava os seus seios, enquanto sua boca se aproximava para um beijo sedento… Seus dedos brincavam com seus mamilos e ainda beijando a sua boca, suas mãos desciam para o seu sexo…
Ele primeiro penetrou um dedo, ela estava completamente excitada. A luz da lua cheia entrando pela janela, deixava a pele dela ainda mais branca em contraste com a dele, morena e queimada de sol. Aquela visão o excitava, e ele retirou e penetrou dois dedos, depois três, e ela se contorcia e gemia de prazer. Sua mão a preenchia e sua boca calava os gemidos de prazer, ele salivava de tanto desejo…
Tirou então seus dedos de dentro dela, e passou em seus lábios, enquanto encarava-a com desejo, sorveu cada gota do seu suco, e mais uma vez uniu seus lábios em outro delicioso e sedento beijo… Partilhando o gozo dela…
Ele ajudou-a a sentar-se no sofá, acariciou mais uma vez o seu rosto e perguntou se estava bem, ela assentiu com a cabeça… Seus olhos brilhavam. Ele então voltou ao tom de voz firme de antes e ordenou: “Abaixe a cabeça, e só olhe pra mim quando eu mandar!” Sentiu ele mais uma vez se afastando dela, podia apenas ver seus pés descalços, morenos, bem cuidados e com pelinhos no dorso.
Ela percebeu que ele ficava nu à sua frente, teve curiosidade em olhar seu corpo, ele era um homem bonito, ela se excitava com um belo corpo, mas não ousou levantar o olhar. Tinha medo e prazer em cumprir aquela simples ordem. Ele aproximou-se um pouco mais dela. “Fique de joelhos novamente!” e ela prontamente obedeceu…
Ela então sentiu seu sexo quente em seu rosto, ainda semi-rígido. “Coloque-o em sua boca, quero sentir “ele” enrijecer e crescer!” E assim ela fez, com desejo e vontade, estava ali para servir àquele homem, fosse como fosse, havia imaginado tantas coisas mais… Difíceis! Sexo oral ela amava fazer, e sabia que fazia bem. Colocou-o inteiro em sua boca, sugando-o da base à glande. Em alguns momentos, com a língua, forçava penetrar sua uretra. E outro momento apenas prendia a glande em seus lábios. Sugava-o, com prazer e desejo. Enquanto ele fazia movimentos cadenciados simulando um coito.
Não demorou em que ele ficasse grande e duro como pedra em sua boca. E quanto mais ela ouvia seus gemidos, mais ficava excitada e intensificava os movimentos de vai e vem. Ele então segurou seus cabelos, próximo à nuca e forçou-a olhar para cima. “Olha pra mim!” Disse ele com voz firme, quase ríspido, apesar de não estar alterando a voz. E ela obedeceu.
Estar ali de joelhos, diante daquele homem, olhando-o de baixo para cima, tornava-o infinitamente superior… Parecia um gigante. Seus olhos buscavam os dele. E enquanto ela chupava com ainda mais volúpia, olhando em seus olhos que pareciam faiscar de tanto desejo, ele sem explicação interrompeu-a.
“Vire-se para o sofá!” E ela obedeceu prontamente. Debruçou-a no assento, com o rosto encostado ao sofá e ordenando que não saísse dali. Os pulsos amarrados latejavam. Aquele incômodo e a imobilidade a excitavam ainda mais. Seus mamilos roçavam no sofá, e aquele contato a excitava. Ele vestiu um preservativo, e posicionou-se por trás dela. Penetrando lentamente, preenchendo-a. Ela tinha a nítida sensação que era o encaixe mais perfeito que já tivera. Cada centímetro dela, repleto dele.
Ele pegou seus cabelos, e enroscou em suas mãos. Puxava-os, ao mesmo tempo em que forçava seu rosto sobre o sofá. Com a outra mão segurava a sua cintura… Cavalgava-a como a uma égua. E ela então timidamente, ousou pedir o que jamais tivera antes coragem: “Me bate…”, pediu baixinho. Ainda com medo e vergonha.
“Tem que pedir com mais veemência…”, disse com a mesma voz firme. “Diga ao seu Senhor, com todas as letras, o que você precisa…” Ele estava ofegante e muito excitado… Visivelmente envolvido com toda a cena. E ela então mais uma vez pediu, e dessa vez mais alto. “Quero ser sua, estar em suas mãos, ser o seu objeto! Faça de mim, o que o Senhor desejar…” E assim ele fez…
Ela não acreditava que teve coragem de dizer o que disse, mas era a mais pura verdade… Naquele momento ela era dele, não se importava com as amarras, com o mal estar de antes… Era dele, e só isso importava… Sentia-se livre como nunca antes havia sentido… Até para pedir uns tapas em meio a outras obscenidades…
Ele então deu o primeiro tapa com força. Ela sentiu seu traseiro queimar, arder… Seu corpo se contraiu, encaixando-o ainda mais, deliciosamente dentro de si. Sentia que ele a penetrava cada vez com mais vontade. E também batia com mais força… Perdeu as contas, de quantos tapas recebeu, sentia a pele arder, ao mesmo tempo em que ficava cada vez mais excitada, começou a falar dúzias de obscenidades… Descontrolada, como uma vagabunda de rua. Liberta de todos os preconceitos. Sem entender como ou porque, enquanto pedia mais. Lágrimas escorriam pelos seus olhos e começou a soluçar. Lágrimas libertadoras…
Explodiu em um orgasmo inédito em sua vida, com uma intensidade absurda. Nesse momento, ele também parecia chegar a seu limite e puxando-a pelos cabelos, colou seu rosto ao dela, o suor dele, se fundiu às suas lágrimas, e ele apertou um de seus seios, no mesmo momento que tinha um orgasmo. Ela sentiu dor… E prazer… Ouvi-lo urrar em seu ouvido, tendo espasmos que pareciam não parar nunca. Um orgasmo que parecia não ter fim. Seu corpo tremia, enquanto gemia… Até o momento em que ela sentiu seu peso cair sobre ela… Ele também havia gozado intensamente.
Suas mãos relaxaram. E liberaram os seus cabelos e seio. Ele saiu de dentro dela e sentou no chão ofegante, suado, de olhos fechados… Ela continuou ali, inerte, joelhos no chão e corpo sobre o sofá. Ainda desacreditando a intensidade do orgasmo que tivera. As lágrimas banhando o seu rosto, a respiração lentamente voltando ao normal. Sentia-se lambuzada de sua própria excitação, já que ele havia usado preservativo. Sentia as contrações das suas entranhas, sentindo falta de quem a pouco a preenchia… Seu traseiro queimava e ardia, os tapas… Sabia que ele havia deixado marcas em sua pele branca. Mas não estava nem um pouco preocupada com isso. Suas mãos latejavam, os joelhos ardiam, mas pouco importava.
Escorregou seu corpo para o chão… Aconchegou-se em seu colo como uma gata, ainda amarrada. A cabeça em seu colo, as mão para trás, joelhos próximos ao corpo… De onde estava podia ver a luz da lua cheia. Ele acariciava seus cabelos, também se refazendo do orgasmo intenso, respirando fundo, até a respiração voltar ao normal… Seu rosto ainda estava molhado pelas lágrimas. No entanto tinha um sorriso em seus lábios. Tudo foi intenso e inesquecível. As imagens vinham em seus olhos, como um slide-show.
Lembrou então da breve história dos dois e pensou em voz alta: “A “Dama da noite” precisava conhecer “O Príncipe da meia-noite”, para finalmente florescer em seus braços…”. Ele soltou uma gostosa gargalhada e disse acariciando seus cabelos: “E isso por que apenas começamos… Tenha certeza de uma coisa” disse aproximando o seu rosto do dela “Prometo! Jamais deixarei que murche ao amanhecer…” E deu então um delicioso e delicado beijo.
Conversa ao Telefone

“Então… Você mora com seus pais?!” – ela comentou.
“Sim…” – ele falou quase inaudível.
“Sim?!” – ela perguntou enérgica.
“Sim… Madame!” – respondeu com certa vergonha e resignação, por ter esquecido algo tão óbvio, tratá-la com reverência. Toda vez que falavam ao telefone ele se desestruturava…
“Hummm… Fiquei com peninha de você, empregadinho… Peninha de estar tão “dodói”, de patinha quebrada, engessada… E não poder estar neste momento a me servir.” – ela disse irônica. “Comprei uma linda coleira vermelha com corrente prata… Eu ia me divertir tanto, te fazendo meu cachorrinho… Pena não ser possível com a sua patinha quebrada…”
“É mesmo uma pena Madame, nem pra isso eu presto… Servi-la!” – falou mais uma vez resignado.
“Realmente empregadinho… – falou fingindo indignação – Eu mandei você se acidentar? Mas… Tive uma idéia! Vou te visitar, te trancar em seu quarto comigo e fazer deliciosas maldades… O que acha?!” – Dando uma deliciosa e zombeteira gargalhada ao telefone.
“Q-Que tipo de maldades Madame?” – perguntou gaguejando.
“Hummm… Maldades, doces e terríveis maldades… Já imaginou?” – ela falava empolgada ao telefone.
“Seria ótimo, mas… Não tenho coragem, Madame… Minha mãe está sempre por aqui. Só se não tivesse ninguém em casa…” – ele disse um pouco envergonhado, por ainda morar com os pais.
“Ah! Deixa disso empregadinho… Solte a sua imaginação!” – em um tom cheio de ironia – “Enquanto sua mamãe estiver lá na cozinha… Preocupada em passar um cafezinho pra visita aqui… Estarei lá no quarto, ouvindo uns CDs com o meu empregadinho ”dodói”, de patinha quebrada…”
“E o que faria comigo Madame” – com certo receio e ao mesmo tempo excitação na voz.
“Pra começar essa Madame aqui, te ordenaria ficar de joelhos e a adorar estes pezões até o “meu” orgasmo” – falou séria.
“A Madame tem orgasmos apenas em ter seus pés adorados?” – perguntou surpreso.
“Se tiver a meus pés um empregadinho que preste… Sim!” – ela respondeu com naturalidade.
“E será que eu seria capaz, Madame, de levá-la a um orgasmo adorando os seus pés?!” – perguntou com um certo interesse na voz.
“Ai de você que não, empregadinho… Ai de você! Levaria um tapa neste rostinho e ainda seria repreendido: “Faz direito!”, eu exigiria não apenas que você lambesse minhas solas, chupasse um a um os meus dedinhos, como também mordiscasse as “almofadinhas” das solas, logo abaixo dos dedos… Isso me levaria a um delicioso orgasmo” – ela concluiu sorrindo.
“Hummmmmmmmmm…” – ele suspirou do outro lado da linha.
“Hummmm o que, empregadinho?! Queria ver você fazer hummmm, ouvindo sua mãe chamar da cozinha: “Filho… Estou fazendo um café, vem tomar com sua amiguinha, amor…” E você sem parar de adorar os meus pezões, levantaria os olhos para ver a minha reação, dividido entre responder à sua mãe ou ser uma vez mais repreendido pela sua Madame, diante da incapacidade de me proporcionar um orgasmo. Chega a ser engraçado imaginar a cena…” – ela dizia divertida ao telefone.
“Neste momento eu te olharia com o olhar mais zombeteiro do mundo e diria: “Ainda não!” Fazendo um gesto negativo com o dedo indicador. “Eu quero agora passar esse meu pezão lambuzado da sua saliva, nessa coisinha mínima que você tem entre as pernas, pensa que eu não percebi que está excitado?! Que não vi esta coisinha intumescida sob a sua bermuda?!”
E você argumentaria: “… m-mas… Madame, minha mãe…”
E eu te diria apenas: “Vai colocar pra fora ou não vai?!”
Envergonhado você abaixaria a cabeça, hesitando em obedecer ao chamado da sua mãe, ou à ordem da sua Madame…
“Agora!” Eu falaria enérgica, mas sem alterar o volume da minha voz. Falaria firme, baixinho, só você me ouvindo… Humilhado… Lá fora o cheirinho de café recém passado, sua mãe pensando que você está em seu quarto apenas mostrando os seus CDs pra amiguinha que veio visitá-lo coitadinho…
E mais uma vez você falaria, quase com lágrimas nos olhos: “Madame… Minha mãe…”
“Esquece tua mãe empregadinho… Deixa de ser maricas, se não serve para me dar prazer não presta pra nada, levanto agora, saio e você nunca mais saberá de mim. Fica se fazendo de “filhinho da mamãe”, mas está aí, com essa “coisinha dura”, doidinho pra colocar pra fora, ansioso pra sentir esse meu pezão gelado nele…” Nesse momento eu me levantaria e você imploraria com as mãos juntas…
“Não vá Madame, por favor, eu imploro, não vá!” Baixando os olhos mais uma vez e dessa vez abrindo o zíper e abaixando a bermuda, resignado, realmente excitado com toda aquela humilhação… Colocando pra fora sua coisinha pequena…
Eu daria um sorriso vitorioso e colocaria os meus pezões uma vez mais em sua boca: “Lambe, lambuza da tua saliva…” E com os pezões melados, iniciaria um “footjob”, só pra te ver encabulado, sabendo do teu desespero consciente de que lá fora estaria sua mãe, arrumando a mesa pra nós. Colocaria um dos meus pés fazendo apoio, por baixo, com meus dedos roçando em tuas bolas, e você com essa coisinha dura, melada da tua saliva em meus pés, misturando com a própria lubrificação “delezinho”. Olhando a cada instante pra porta, desesperado em imaginar que a qualquer momento a sua mãe poderia bater à porta, teu desespero me divertiria e eu intensificaria os movimentos. Vendo em teu rostinho o prazer e o desespero, mais uma vez você olharia para a porta e eu estalaria o teu rosto com um tapa: “Olha pra mim!”
E você olharia, quase em êxtase: “Sim, Madame!” Eu perguntaria se estava gostando, e você responderia um gesto que sim com a cabeça. “Por acaso não tem boca?! Responda, quero ouvir… Gosta de sentir esses pezões 39, subindo e descendo nessa coisinha dura entre as suas pernas, de sentir sua glande melada entre os meus dedos?! Que eu (maldosamente) de vez em quando aperto, só pra ver esse teu rostinho de dor e prazer?” – eu diria cheia de deboche.
“Eu adoro os seus pezões Madame… Também calço 39, mas para homem é um pé pequeno…” Eu soltaria então um sorrisinho maroto e diria: “Pequeno?! Uma “coisica” de nada… Pé pequeno, pintinho pequeno… Tinha que ser mesmo um empregadinho, não serve pra muita coisa não…” E teus olhos mais uma vez se abaixariam de humilhação.
Nesse momento eu simplesmente pararia com o “footjob”. Sem nenhuma explicação. E você perguntaria atônito: “O que foi Madame?” E eu então ficaria de pé à sua frente, você ainda de joelhos e diria apenas: “Não estou aqui para o teu prazer empregadinho… Tire a minha calcinha!” E você lentamente, delicadamente começaria a tirá-la me olhando nos olhos. E então, sem saber o porquê, você mais uma vez sentiria minha mão estalar em sua face: “Deixa de ser “lerdo” empregadinho… Não vê que estou com tesão?! Ainda não tive o meu orgasmo, esqueceu?!”
Sentaria então na beirada da sua cama, a mesma cama que você tantas vezes já se masturbou imaginando os seus momentos comigo, abriria as pernas e ordenaria, te olhando nos olhos. “Quero ter um orgasmo em sua boca, quero que beba todo o meu suco, já que como um maricas foi incapaz de me proporcionar um orgasmo adorando meus pés. Quero saber se essa língua sabe fazer algo mais que se lamentar de medo…”
E você então, abaixaria os olhos, se aproximaria da cama ainda de joelhos e diria com voz quase inaudível: “Estou aqui para servi-la Madame, é uma honra tê-la aqui, em minha casa, em meu quarto, peço desculpas e imploro pelo seu perdão, deixe-me, por favor, tentar ser útil para a Madame. Deixe-me tentar levá-la ao orgasmo…”
Eu veria em seus olhos a verdade e a sua entrega, a sua submissão e apesar de não te dizer, teria orgulho em ver meu empregadinho ali, pronto a me servir.
Abriria as pernas e te olharia nos olhos, você levantando a minha saia até a altura do quadril, abrindo os meus pelos com os dedos e aproximando o seu rosto, inebriado com o meu cheiro de fêmea, me olhando nos olhos, sabendo o quanto eu gosto de te espiar nessa condição… Honrado em me proporcionar prazer, empenhado em me dar o melhor prazer… Sabendo que servir sua Madame é a sua melhor função… E nesse momento eu falaria obscenidades. Muitas… Todas!
Eu então diria: “Hummmmm, não é que esse empregadinho até faz direitinho… Quero só ver se ele continua me agradando, apanhando…” Nesse momento, esticaria o braço para pegar uma das “havaianas” que estava ao pé da cama. E te daria chineladas. Enquanto você, com a boca entre as minhas pernas, a cada leve estalada em seu traseiro, o que poderia ser um castigo acabava funcionando como um incentivo. A cada chinelada, você chuparia com mais fervor, mais desejo, mais vontade… E apesar de você estar chupando gostoso, eu começaria a estalar a chinelada mais forte e mais forte…
E percebendo que quanto mais chineladas, mais excitado você ficaria, e com mais vigor chuparia, à beira do orgasmo eu te daria chineladas, nos braços, nas costas, fechando os olhos por um instante só pra sentir a sua boca sedenta e ouvir os estalos do chinelo em sua pele…
Vendo o quanto isso te excitava eu chegaria a um orgasmo, e depois outro, depois outro, meu corpo chegaria a estremecer… Nesse momento você, não agüentaria mais de tanto prazer também e teria um orgasmo, sem a minha ordem. E quando eu percebesse…
Olharia-te séria e vendo que você lambuzou todo o piso. Veria o teu olhar de medo, de pavor… Levantaria-me perguntando: “Quem mandou você ter um orgasmo?! Acaso eu te dei permissão?!” Humilhado você abaixaria o olhar me pedindo perdão, se enroscando em meus pés, com as mãos trêmulas…
Ainda com a havaiana na mão eu te ordenaria: “Abaixa mais esta bermuda e se debruça na cama, quero ver esta bundinha magra pra cima e os braços ao lado do corpo…” Resignado você obedeceria, me aproximaria do som e aumentaria um pouco mais o volume, e depois no seu ouvido eu diria baixinho: “Nem ouse gritar! Isso é pra você aprender que quem manda sou eu…”
Subiria então na cama e me sentaria sobre você, imobilizando os teus braços com as minhas coxas, você chegaria a sentir meu sexo quente e melado em tuas costas, propositalmente, meus pés ficariam bem próximos do teu rosto, com uma das mãos eu me apoiaria na beirada da cama e com a outra daria chineladas secas, estaladas em sua bundinha. E ao perceber que você tentava aproximar seu rosto, sua boca das minhas solas, te diria séria: “Vai se arrepender se encostar a língua em meus pés… Teve a sua chance e abusou dela, agora terá seu castigo…”
“Quero que conte, cada chinelada…” E você obedeceria contando: “1, 2, 3, 4, 5…” E em determinado momento, não se contendo, tentaria beijar minha sola. Eu estalaria então umas chineladas fortes, provocando grande dor, a ponto de você ter que afundar o rosto na cama para segurar o grito. Eu então sorriria em triunfo…
Nesse momento sua mãe bateria à porta: “Filho, já coloquei a mesa, chama a moça para o café não esfriar”. Você então responderia que já estávamos indo. Ofegante, com o rosto queimando de desejo e humilhação.
Eu então sairia de cima de você, olhando a sua pele, cheia de marcas das chineladas, e ordenaria que se vestisse, felizmente com o frio você veste um moletom sobre a camiseta, escondendo as marcas, pegando logo depois minha calcinha e estendendo-a pra mim. Eu te daria um sorriso sincero, dizendo que ela ficava como presente pelos orgasmos. Você agradecido me olharia com olhos emocionados e diria: “Obrigada Madame, é uma honra lhe servir…”
Daria uma olhadinha no espelho, retocaria o cabelo e o batom, subiria novamente em meus saltos e tão altiva quanto entrei, sairia daquele quarto: “Sua mãe não deve esperar…” – diria.
Antes de abrir a porta, você olharia pra mim e diria passando a mão na bunda doída: “Hummmm, está ardendo Madame…” E eu então responderia sorrindo: “Ninguém mandou gozar sem a minha permissão!”.
Neste momento, ele meio gago pergunta do outro lado da linha: “A M-Madame realmente faria isso????? Aqui, em minha casa???? Com a minha mãe na cozinha?????”
Ela então, com uma gostosa gargalhada comenta meio zombeteira: “ A que horas posso chegar para o café da tarde????” – pegando papel e caneta para anotar o endereço.
Feliz Dia dos Namorados Amor…

A insônia nossa de cada dia
Mais uma vez ele se virou na cama. Olhou o relógio, já passava das três da madrugada. Por instinto, tateou na cama e sentiu que ela estava lá, dormindo o seu soninho, como um anjo… Acendeu o seu abajur de cabeceira para observá-la melhor. Seus loiros cabelos longos pousavam sobre o travesseiro de pena de ganso que ela fez uma questão absurda que ele comprasse e ele atendeu ao seu capricho. Nunca entendeu certas necessidades prioritárias da vida dela… E até sorriu com esta lembrança.
Estavam juntos há quatro anos, e ele ainda lembrava como se fosse ontem, a primeira vez que teve aquele corpo nu em seus braços. Saíram juntos por três meses até reconhecerem que eram mais que amigos e não conseguiam mais viver um sem o outro. No dia seguinte àquela primeira noite, ela mudou-se para o seu apartamento e desde então dormiu e amanheceu ao lado daquela mulher que tanto amava. As eventuais viagens de negócios davam um vazio… Sentia a falta dela, como se ela já fosse parte dele.
Olhando pra ela agora, mirando as suas curvas na penumbra do quarto mal iluminado pela luz difusa do abajur, não conseguia entender o que aconteceu na vida dos dois. O distanciamento, as noites cada vez mais mornas, as imensas lacunas entre uma sessão e outra de sexo… Ela ainda era a mesma mulher sensual, impossível não ter desejo, não sentir ciúme… O que estava acontecendo? Agora, às vésperas do Dia dos Namorados, questionava esse paradoxo. A amava, sem dúvida, mas o desejo sexual havia diminuído. E não sensivelmente, radicalmente.
Lembrou que há pouco mais de seis meses, viveu uma experiência sexual com uma prostituta, e apesar do prazer pelo novo (ela era linda), não foi nada excepcional. Impossível não lembrar que o toque da prostituta em seu corpo, apesar de todo o erotismo profissional, causou-lhe prazer na hora, mas também uma grande crise de consciência no dia seguinte.
Levantou para beber um pouco de água, e no que se mexeu mais uma vez na cama, ela deu um gemidinho e perguntou: “Acordado amor?” Ele mentiu, dizendo que estava com um pouco de dor de cabeça, pensando na entrega do projeto no dia seguinte. Trabalhavam na mesma empresa, e apesar de equipes diferentes, se cruzavam a todo instante pelos corredores. Ela espreguiçou-se como uma gata na cama, e disse que faria um chazinho pra ele. Ele relutou um pouco, mas ela tinha esse lado super mãe, nem adiantou falar nada, alguns minutos depois estavam ambos esparramados no sofá da sala, com uma fumegante xícara de chá de camomila nas mãos…
Ela pousou sua xícara na mesinha, e pegou o pé dele entre as mãos. Ambos adoravam carícias nos pés. Uma massagem de shiatsu na planta dos pés era maravilhosa para relaxar. Com sua voz doce, ela começou a cantarolar “Acalanto” de Dorival Caymi, que ele tanto amava e lembrava a infância. Partilhando esses momentos, ele entendeu que havia muito mais que sexo em uma relação a dois. E talvez por isso fosse uma dor ainda maior admitir que estivesse completamente desinteressado sexualmente por ela. Dos seus olhos rolou uma lágrima pelo canto dos olhos e antes que ele pudesse enxugá-la, ela percebeu…
“Querido, o que aconteceu? Quer que eu pare de cantar? A cabeça está doendo muito?” ela perguntou visivelmente preocupada. Ele então veio com uma pergunta que certamente a deixaria chocada. “Você está satisfeita com a nossa vida sexual amor? Seja sincera, por favor, é muito importante para mim…” Ela deu um sorriso meio desconsertado, e perguntou. “Como assim, você quer saber se eu te amo?” “Não! Quero saber se você está sexualmente realizada?” ele finalizou.
Ali naquele sofá, eles conversaram longamente sobre o que estava acontecendo entre eles, ela disse o quanto o amava, e o quanto estar a seu lado era importante. Ele comentou que algumas vezes após o sexo, precisava masturbar-se ao chuveiro fantasiando algo mais “interessante”. Até a relação com a prostituta foi comentada, e ele disse que sabia que aquela não era a solução. Ela ficou chocada e também lágrimas rolaram dos seus olhos. Ele tinha certeza que ela também, muitas vezes, usou seu “consolo” escondida, para compensar o sexo medíocre.
Ele comentou que apesar de amá-la imensamente, a vida sexual entre eles era extremamente morna e previsível. Sabia exatamente onde e como fazer para levá-la ao orgasmo e vice-versa. E o que para muitos casais, podia ser uma glória, para ele havia perdido todo o sabor. O sexo entre eles, passou a ser “burocrático” e aquilo o entristecia profundamente e, é claro, a ela também.
Em determinado momento, sem mais palavras, eles adormeceram ali no sofá, nos braços um do outro… Sabendo que talvez aquela conversa não tenha levado à lugar nenhum. No entanto, esvaziar a alma era um grande alívio.
O dia amanheceu e como em todas as manhãs ela acordou antes dele, preparou o suco de laranja, as torradas, arrumou a mesa… Enquanto isso ele fez o café forte que ela tanto gostava e cortou as fatias de queijo. Evitaram tocar no assunto da madrugada, mas ele estava ali, entre eles… Tomaram o café calmamente, conversando sobre as notícias do dia, se arrumaram e foram pra empresa. Começava mais um dia como outro qualquer.
O fantasma da constatação
Aquele dia ela não teve um dia normal, em vários momentos percebeu lágrimas em seus olhos e uma enorme sensação de vazio dentro de si. Ele não estava errado, a vida sexual entre eles havia perdido o sabor, e de certa forma ela se sentia culpada. Mesmo o caso com a prostituta, ela encarou como uma tentativa desesperada. Lembrou das palavras da sua mãe, de que cabia à mulher o tempero para um relacionamento dar certo, que mulher sábia…
Ela não percebeu o momento em que deixaram de ser namorados para voltar a ser simplesmente amigos. Que passaram a ter uma relação de mãe e filho, irmão e irmã… Ela o considerava frágil e amava cuidar dele, ao ponto de adiar seus planos de uma possível gravidez, para continuar a dispensar uma total atenção. Ele sempre foi ciumento, exigia a todo instante a sua atenção e carinho, desenvolveram uma relação de co-dependência, que não sabiam mais pensar um sem o outro. Quase uma simbiose. Havia amor entre eles, mas um amor quase fraternal. Ela tinha que mudar isso…
Subitamente, veio uma idéia… Se ela sentia-se tão responsável por ter deixado a relação esfriar, cabia a ela, reconquistar a mesma chama inicial. Era muito mais forte e decidida que ele, não aceitaria simplesmente que a excitação acabou. Iria atrás do por que, e de como mudar a situação. Pediu dispensa pelo resto do dia, precisava sair pra pensar… Passou na sala dele e disse que precisava sair e o veria mais tarde à noite, em casa. Trocaram um beijo, e ela saiu logo em seguida…
Ele ficou intrigado… Aonde ela iria àquela hora do dia? Ela parecia triste. Estava arrependido em ter abordado o assunto na madrugada. Viu o quanto ela ficou triste e, sinceramente, não viu de que maneira aquela conversa poderia mudar suas vidas. O amor que tinha por ela era tanto, que talvez aceitasse uma vida de sexo sem paixão, apenas para estar a seu lado.
Lembrou o quanto adorava estar com ela, que cuidava e organizava sua vida a ponto dele sequer preocupar-se com que roupa vestiria na manhã seguinte. Era um dependente daquela linda, inteligente, interessante e bem humorada mulher… Percebeu então, que ela pra ele, era mais que uma namorada, era uma Deusa. Tão próxima e tão distante…
Recostou-se em sua cadeira, fechou os olhos, e imaginou-a nua, com os cabelos soltos e esvoaçantes, caminhando lentamente sobre um tapete de homens a seus pés. Com um enigmático sorriso nos lábios e olhando diretamente pra ele, que assistia a tudo inerte, vendo todos aqueles homens adorando e venerando a sua namorada, que deixava todos para trás encaminhando-se na direção dele. Sentiu uma excitação imediata, ao imaginar a cena. De repente foi acordado de seu devaneio com batidas à porta. Era sua secretária, avisando que a reunião começaria em poucos minutos.
Ele agradeceu a lembrança, pediu que lhe desse mais alguns minutos, e quando fechou a porta deu um sorriso, ainda estava excitado. Sentia-se como um adolescente flagrado durante uma masturbação. Seu corpo parecia ferver por dentro… Pegou a pasta com o projeto, e resolveu passar os olhos nele mais uma vez. Tentar esquecer a fantasia de minutos atrás, respirou fundo e concentrou-se no conteúdo da pasta.
Como chuva de verão
O dia transcorreu normal, ela não voltou ao trabalho, mas ligou no fim do dia dizendo que estava tudo bem, e provavelmente já estaria em casa quando ele chegasse. E assim foi.
Quando ele chegou a casa, viu seus sapatos de salto preto, jogados displicentemente no canto do quarto. Sua roupa estava sobre a cama e ele ouviu o barulho da água correndo. Deu duas batidinhas na porta e disse que já havia chegado. Ela disse que já estava acabando e para ele esperar só mais um pouquinho… Foi então que o telefone tocou.
Ele foi atender na sala, já que o telefone sem fio do quarto estava descarregado. “Alô?” e nada de resposta, perguntou mais uma vez e nada… A impressão que teve é que havia alguém do outro lado da linha, mas estava mudo, podia ouvir uma respiração, e nada mais. Subitamente o telefone foi desligado. Ele voltou para o quarto e ela estava de roupão enxugando os cabelos com uma toalha. “Quem era?” ela perguntou, ele respondeu que não sabia, e comentou o acontecido, indagou se já havia acontecido antes, mas ela disse que não. Talvez fosse um trote…
Jantaram uma salada, peito de frango grelhado, e beberam um pouco de vinho enquanto conversavam. Ele comentou a fantasia que teve com ela no meio do dia e o quanto se divertiu em ser flagrado excitado pela secretária. Ela então deu um tapinha nele, que se encolheu divertido… Ela fingia-se ofendida e brincava, dizendo que então era isso? Ele se excitava com a entrada da secretária?
Ele ficou todo enrolado, tentando explicar que ela não tinha entendido bem, que a responsável pela excitação era ela, e etc. Riram muito com a situação e quando perceberam estavam se amando sobre a mesa da cozinha, com uma excitação que há muito ambos não sentiam. Com urgência e desejo. Talvez liberados pelo vinho, talvez incentivados pela fantasia, quem sabe? Foi rápido, mas intenso… Como uma chuva de verão.
Tomaram outro banho, dessa vez juntos, e deitaram nus na cama, enlaçados. Ele comentou que queria muito que fosse sempre assim. Ela então respondeu sorrindo, que se fosse sempre assim, perderia a graça e passaria a ser normal. E tão “burocrático” (usando uma palavra que ele mesmo já havia citado) quanto seus orgasmos previsíveis, seriam as eventuais sessões de sexo selvagem. Eles precisavam se redescobrir, ousar mais, entregar-se mais… O ser humano é um insatisfeito, e essa busca, teria que ser contínua.
Ela olhou-o no fundo dos olhos e disse: “Eu sei exatamente o que você precisa. O que nós precisamos. O que falta em você é o que sobra em mim, e vice versa.” Agora tenho sono, tive um dia cheio, preciso dormir… Virou-se de costas, encostando-se ao corpo dele. Ele então percebeu que em nenhum momento ela havia comentado o que fez durante o dia, ficou curioso, mas… Percebeu que ela tinha algo em mente, e ficou mais uma vez excitado por não saber o que era… Abraçou-a forte e fechou os olhos, seu corpo também pedia cama. Enfim, a conversa tinha valido a pena.
Uma pulga atrás da orelha…
No dia seguinte pela manhã, durante o café, ele perguntou ao acaso, o que ela havia feito no dia anterior. Ela respondeu que uma mulher precisa ter seus mistérios, e mudou de assunto.
A semana transcorreu normal… Depois daquela madrugada tensa, e da noite de sexo quente do dia seguinte, nada de novo ou de mais. Ela estava especialmente misteriosa, respondia sempre com meias palavras, ele realmente achou que estava tramando alguma coisa. E, divertido, passou a fazer o jogo dela, fingindo que nada sabia…
Aquela noite, enquanto ele terminava o banho, mais uma vez o telefone tocou, e dessa vez foi ela que atendeu. Ele saiu do banho e displicentemente, foi em sua direção para perguntar quem era, tinham esse costume. Ouviu então um trecho da conversa: “…eu sei! Mesmo assim não faça mais isso, não ligue para cá. No outro dia ele atendeu. Amanhã eu te ligo e combinamos melhor.” Quando ela percebeu que ele estava atrás, desligou apressadamente. Ele então se aproximou e perguntou quem era. Ela disfarçou dizendo que era uma amiga da yoga… E ele intrigado, perguntou por que ela desligou quando ele chegou? Ela disfarçou, dizendo que a amiga era uma chata e teimava em pedir emprestados uns livros dela… Ele não ficou convencido da história, mas enfim, não havia motivo para ela estar mentindo.
Jantaram juntos, assistiram depois a um filme em DVD, “Eyes wide shut”, de Stanley Kubrick. E de certa forma se viram um pouco naquele casal do filme. Evitaram comentar o filme. Apagaram as luzes e sem nenhuma palavra, fizeram amor. O mesmo sexo de sempre. Ela teve um orgasmo em sua boca, e ele enquanto era cavalgado por ela… Ela por cima dele, proporcionando a visão de seu corpo lindo…
Apesar do orgasmo de ambos, ele sentia que faltava algo. Ela dormiu em seus braços, mas o sono dele não veio tão fácil assim. Não conseguia tirar a cena do telefone de sua mente, e de repente pensou: “E se ela quiser se vingar da história da prostituta? Por que ela alugou justamente o DVD de Kubrick?” Depois de muito pensar, dormiu de cansaço e também da leveza que sucede o gozo. Sua mente fervilhava… Aquela noite sonhou com sua namorada fazendo sexo com outro homem, acordou suando e ofegante. Ela percebeu sua agitação, colocou-o no colo e comentou, “foi apenas um sonho ruim…”
Pela manhã, durante o café ela perguntou com o que ele havia sonhado, mas ele mentiu dizendo que não lembrava. No entanto, a lembrança do sonho estava nítida em sua mente, e por mais que tentasse esquecer não conseguia…
No fim da tarde, ele ligou para ela pelo ramal, dizendo que estaria saindo em alguns minutos e passaria na sala dela para que fossem juntos pra casa… Ela disse que não iria com ele, mas com uma amiga, pois precisava comprar umas coisinhas que ele não podia ver. Afinal de contas o dia dos namorados estava próximo. Ele disse que tudo bem, passaria mesmo assim, apenas para dar um beijo.
Ao aproximar-se da sala dela, pelo vidro da divisória, pôde ver que ela estava ao telefone e falava bem baixinho… Ele ficou do lado de fora de onde ela não podia vê-lo, e tentou ouvir a conversa, mas não conseguiu. Viu que ela anotou alguma coisa em um bloco, e em seguida arrancou, guardando na bolsa e desligando logo em seguida. Foi então que ele entrou e ela o recebeu com um sorriso ”Já vai querido?” Ele estava apreensivo e perguntou com quem falava, ela disse que mais uma vez era a chata da yoga, ele não se convenceu da resposta, mas não fez alarde.
Ela então se levantou e dirigiu-se à estante da sala, ficando de costas pra ele. Comentando displicentemente que queria que ele, por favor, entregasse um livro para a recepcionista. Enquanto ela procurava o livro, de costas para ele, ele não parava de olhar para o bloco de anotações, onde ela havia escrito alguma coisa antes da chegada dele… Sentia que não era certo fazer aquilo, era uma invasão de privacidade, no entanto estava curioso e morto de ciúmes, não conseguia nem raciocinar direito. Num impulso, arrancou a folha do bloco, onde a pressão da caneta havia deixado a escrita marcada e rapidamente colocou no bolso. Ela então encontrou finalmente o livro e com um sorriso pediu que ele fizesse o favor de entregar à menina. Trocaram um beijo e ele saiu.
Suava… Estava cego… Louco para parar em algum canto e tentar ler o que estava escrito naquele papel. Se por um lado ele imaginava o pior, por outro ele não aceitava a idéia que ela pudesse estar tendo um caso por vingança. Entregou o livro à menina da recepção, parou ali mesmo e tentou ler algum vestígio do que estava escrito.
Havia um endereço na zona sul da cidade, algo que parecia ser um horário, dezenove horas, sexta, daqui a dois dias. No entanto, nenhum nome ou coisa assim. Ficou realmente intrigado, aquele bilhete, não dizia nada e dizia tudo… Ela o estava traindo.
Por trás da porta entreaberta
Ele resolveu então observar, ver até onde aquilo iria. De certa forma sentiu-se responsável por aquilo. Como uma personagem de Nelson Rodrigues, “perdoa-me por me traíres”. Aquele dia ela chegou em casa eufórica, cheia de sacolas com roupas, e outras coisinhas, falando que ele teria uma grande surpresa com o presente, mas que ele teria que segurar a curiosidade. Somente no dia dos namorados, veria o presente e coisa e tal… Ele a observava, mudo, havia uma enorme interrogação em sua mente. A naturalidade com que ela agia, não transparecia uma traição…
Os dois dias se passaram. Era sexta-feira enfim, dia dos namorados. Logo pela manhã, ela preparou um café da manhã super especial e levou para ele na cama. Havia uma rosa vermelha, frutas, queijos, geléias, tudo o que ele mais gostava… Ele amou tudo aquilo, e por um instante esqueceu do que o atormentava nos últimos dias, a dúvida da traição.
De repente, ela levantou, pegou uma caixa e pediu que abrisse, ele achou estranho, não costumavam trocar presentes pela manhã. Ele comentou isso, e ela disse que teria um imprevisto mais tarde. Teria que levar sua irmã ao médico, e o único horário encontrado foi no fim do dia… Provavelmente demoraria um pouco, mas a noite seria deles. Disse para que ele não se preocupasse… Afinal dia dos namorados é todo dia.
Ele achou tudo muito estranho, mas teve uma idéia, agiria como se tudo estivesse bem. Abriu o presente, era uma coleção de CDs de Chico Buarque, que ele amava. Ele então pediu desculpas pelo presente dele estar no trabalho, mas que lá ela também teria uma surpresa… Ela beijou-o com carinho e disse olhando em seus olhos: “Você não faz idéia do quanto eu te amo”.
No trabalho, ele deu a ela uma pequena caixa de veludo com uma jóia dentro. Era um delicado cordão de ouro com um pingente de rubi em forma de coração. Ele já havia comprado há tempos, mas esperava pelo momento certo de presentear… Certa vez, ela comentou com ele, que o rubi era a pedra do amor e assim que ele viu aquela pedra lapidada em formato de coração, imediatamente comprou. Colocou em seu pescoço, e ela ficou emocionada. Abraçaram-se. Assim ficaram por muito tempo. Nesse momento a secretária dele entrou. Pediu desculpas pela interrupção, mas ele teria uma reunião em cinco minutos com a diretoria. Com os olhos marejados de lágrimas, ela lhe deu um beijinho e disse que estaria em sua sala, se ele precisasse. “Seus olhos estavam marejados de emoção ou de culpa?” ele pensou.
Talvez aquele tenha sido o pior dia da sua vida. Metade dele queria acreditar que tudo não passava de uma cisma sua que ela dizia a verdade, tudo o que ele havia visto era apenas uma rede de mal entendidos. No entanto a outra metade, tinha certeza que ela se preparava para uma vingança. Tudo por conta da sua confissão em relação à prostituta. No fim do dia, ela passou em sua sala, deu-lhe um beijo e disse que estava da saída, mais tarde o encontraria em casa, mas que ele não ficasse preocupado.
Sentiu um aperto em seu coração, era agora… Ele olhou para o relógio, ainda estava cedo, provavelmente ela passaria em algum lugar pra tomar um banho e se arrumar para “ele”, o amante. Ele deixaria que ela fizesse exatamente o que havia planejado, já que não tinha conhecimento que ele sabia. Portanto, ele iria para frente do prédio e esperaria, quanto tempo fosse…
Parado à frente do prédio, do outro lado da rua, ele observava o movimento de entra e sai. Não era um prédio sofisticado. Havia apenas um interfone e o porteiro. Prestava atenção a todas as mulheres e homens que passavam. A brisa fria da beira-mar provocava calafrios de vez em quando… Olhando a todo instante para o relógio, que parecia parado tamanha a ansiedade minuto a minuto, ele então a viu. Parou o carro à frente do prédio e calmamente saiu sem olhar em volta.
Ele se abaixou um pouco no banco para que ela não o visse, mas ainda assim podia vê-la. Estava linda… Os cabelos soltos, bem lisinhos… Toda de preto, com um casaco de couro que vinha até a altura dos joelhos e botas longas, de bico fino e salto altíssimo. Ao entrar, falou alguma coisa com o porteiro, talvez para perguntar se seu amante estava em casa…
Ele deixou passar um tempinho e aproveitando uma distração do porteiro, que conversava com o outro porteiro do prédio vizinho, entrou sorrateiramente e pegou o elevador para o andar desejado. Chegando lá, olhou para a numeração dos apartamentos e imediatamente reconheceu o seu destino. Aproximou-se silenciosamente, a porta estava entreaberta, conseguia ouvir uma música clássica bem baixinha… Mais nenhum som vinha do apartamento, será que “ele” ainda não havia chegado? Por isso a porta entreberta?
Tomado de uma repentina coragem, lentamente abriu a porta. A cena que viu era perturbadora… Era um apartamento pequeno, de quarto e sala, a cozinha era do tipo americana, daquelas que tem um balcão que serve de mesa na sala, onde havia dois bancos altos de metal prateado e assento de couro preto. As paredes da sala eram em um tom vermelho com teto claro, incomum e perturbador. Toda a mobília resumia-se a um sofá e dois pufes, e era de couro preto.
Estava tudo escuro, iluminado apenas por velas de diferentes tamanhos, acesas dentro de potes. Ela estava de costas para a porta e continuou calmamente a acender as velas restantes. Ele estava mudo não entendendo o que acontecia. Em determinado momento, ela ainda de costas, falou firme, mas calmamente: “Sente-se”.
O começo sem fim
Ele olhou em volta, pensando se havia outra pessoa no ambiente, mas não… Era mesmo com ele que ela falava. Será que ela pensou que ele era o seu amante? Como tudo aquilo já passava completamente da sua compreensão, ele simplesmente fez o que ela mandou, sentou-se em um dos banquinhos altos próximo ao balcão.
Ela então passou por ele, olhou em seus olhos e deu um sorriso. “Você chegou na hora…” e fechou a porta com a chave. Naquele momento ele viu tudo… Ela esperava por ele, e não por nenhum outro homem… Olhou para ela com surpresa e admiração. Que estratégia… Que mulher era aquela? Capaz de quase matá-lo de tanto ciúme e medo de perdê-la? A luz difusa das velas, dava um visual mágico àquele momento, o que será que ela estava tramando, afinal?
Aquela situação começou a excitá-lo, ela foi para o outro lado do balcão e serviu para ele um copo de uísque, olhou diretamente em seus olhos, séria e seu pedido soou como uma ordem: “Beba tudo!” e assim ele fez, ela serviu-o de outro uísque e fez um sinal com a cabeça para que ele repetisse a dose. Ele então sorriu e disse: “Você é louca, e eu te amo pela sua loucura…”
Ela então rodeou o balcão e parou à frente dele. “Não! Eu não sou louca. Eu sou a Sua Senhora. E como Sua Senhora, só eu sei o que você necessita…” Ela dizia isso, baixinho, em seu ouvido, enquanto afrouxava a sua gravata. Afastou-se um pouco dele, e sempre olhando nos olhos, puxou-o pela gravata, forçando-o a levantar-se, e assim ele fez. Mesmo em cima daqueles enormes saltos, ela ainda era muito menor que ele, mas… Naquele momento ela estava gigante em sua majestade. Pela gravata, ela puxou-o até bem próximo da sua boca, e ao invés de beijá-lo como ele imaginava, ela mordeu suavemente o seu lábio inferior, fazendo uma suave pressão até ele dar um gemidinho de dor… Ela parou, deu um sorriso, olhou em seus olhos e falou: “Não tenha medo! Eu te amo e cuido do que é meu. Se entregue esta noite sem medo. Você não vai se arrepender…” E beijou seus lábios enfim.
Virou de costas para ele e pediu: “Me ajude a tirar o casaco” E ele obedeceu. Encostou seu corpo ao dela, passou os braços por ele e desenlaçou a tira, amarrada em sua cintura Enquanto beijava a sua nuca. Cuidadosamente segurou o casaco e foi despindo-a. Ela ficou de frente, e ele teve então a mais maravilhosa visão que já tivera até aquele momento… Vestia um espartilho de vinil preto, todo atado por ilhoses prateados e amarrados por um cordão de couro também preto. O espartilho apertava a sua cintura, modelando lindamente o seu corpo e pronunciando os seus seios, tornando-os ainda mais sexies do que sempre foram. E em seu pescoço, a corrente de ouro, com o pingente de rubi que ele a havia presenteado pela manhã. Usava uma calcinha minúscula, preta transparente que proporcionava a visão “dela” completamente depilada como nunca vira antes. As botas de salto alto torneavam ainda mais as suas coxas e bumbum. Ele tentou abraçá-la, mas ela esquivou-se. “Hoje a Sua Senhora sou eu, respeite as regras” ela disse se afastando um pouco.
Ela então, com uma voz incrivelmente doce, olhando sempre nos olhos, disse: “Tire a roupa!” Ele então começou a despir-se devagar, adorando aquilo tudo… Estava muito excitado Tirou uma a uma as peças de roupa ficando apenas de cueca. Ela deu um sorriso e finalizou: “Toda a roupa” E ele obedeceu. Sua excitação era evidente e os olhos dela brilhavam… ”Fique aqui!” Dizendo isso se encaminhou para o quarto, ambiente que até aquele momento ele ainda não tinha visto. Ela então voltou de lá com uma sacola vermelha nas mãos, deixou em cima do banco de assento de couro e tirou alguma coisa de dentro.
“Tenho um presente pra você…” Se aproximou dele e colocou uma coleira de couro preta cravejada com detalhes prateados. Ele ficou surpreso com aquilo, e ela aproximou-se do seu ouvido e perguntou? “Você me ama?” ele ficou ainda mais surpreso com a pergunta e disse: “É claro que sim!” Ela então beijou sua boca, deu um sorriso e disse: “Confie em mim…” e ele então ficou mais calmo.
Mais uma vez ela afastou-se dele, voltando à sacola vermelha. Tirou uma delicada corrente prateada e atou à coleira. Deu um delicado puxão para baixo, e falou com voz firme: “Ajoelhe-se diante de mim!” sem compreender muito bem o jogo, ele obedeceu.
Curiosamente, todo aquele clima, aquelas ordens, era tudo muito confortável. A grande verdade, é que ela já era a Senhora dele há quatro anos, e a prova disso, foi o pavor que sentiu esta semana com medo de perdê-la para sempre. Toda aquela situação que estava vivendo era muito erótica, e ele em nenhum momento perdia a excitação, pelo contrário, ela crescia ainda mais, se é que isso era possível.
Ele ajoelhou-se e abaixou a cabeça em sinal de reverência, estava gostando do jogo, ela então puxou mais uma vez a coleira e disse: “Eu não mandei que abaixasse a cabeça” e ele então voltou seu rosto para ela, que disse: “Não olhe para mim, abaixe a cabeça!” Deixando claro que era ela quem estava no comando.
Toda a impaciência e os pedidos fúteis, nada disso o incomodavam. Pelo contrário… Ficava esperando a próxima ordem. “Você me tratará somente por Minha Senhora e não falará nada se não for questionado por mim. Entendeu?” ela disse com voz firme. Ele hesitou em responder e ela mais uma vez puxou sua coleira “Entendeu?”. “Sim, minha senhora…” ele respondeu enfim.
Ela então se sentou no sofá de couro preto e ele a seguiu de joelhos pelo chão, com a cabeça baixa. Estava extremamente excitado com o que acontecia. “Tire as minhas botas” e ele começou a tirá-las bem devagar… E ela então puxou a corrente, dizendo que ele estava muito lento. Ele foi tirando mais rápido, e ela mais uma vez puxou dizendo que estava com muita pressa, iria machucá-la assim. Conseguiu, enfim, um ritmo que a agradava e tirou as duas botas.
“Preciso de uma massagem, faça com muita suavidade…” E ele obedeceu… Sabia que ela adorava aquela carícia, muitas vezes já havia feito depois de um cansativo dia de trabalho… Invariavelmente após a massagem faziam amor, aquilo a excitava muito, e ele imaginou que era o que queria. Foi subindo as mãos pelas suas pernas e coxas, queria arrancar a calcinha dela com os dentes, tamanha a sua excitação. E ela então mais uma vez puxou a sua coleira, e dessa vez com um pouco mais de força. “Não!” ela disse. Ele encarou-a assustado. Ela então sorriu e disse: “Ainda não…”
“Quero que você dê uma lambida na sola do meu pé!” ele arregalou os olhos e tentou esboçar alguma palavra, quando ela o interrompeu: “Vai questionar sua Dona, Sua Senhora?” Ele então disse apenas: “Não Minha Senhora…” e dizendo isso, fechou os olhos e passou a língua pelas solas daquela mulher que muitas vezes já havia beijado durante as preliminares do sexo, uma carícia que ele nunca antes havia dado uma real atenção. Curiosamente, aquele ato não lhe causava nenhuma repulsa… Com os olhos fechados, pôde entregar-se mais completamente às sensações. Pôde sentir o cheiro do suor dos seus pés. Tendo seus pés entre as mãos, pôde sentir a maciez das suas solas entre os dedos. E o sabor… Era levemente salgado, como o suor, a sensação era tão agradável, que ele foi mais adiante… Mesmo com medo de ser repreendido. Colocou cada um dos dedinhos em sua boca e sugou-os, como se aquele, fosse o único alimento para a sua vida…
Ela estava com os olhos fechados, certamente gostando da sensação, mas repentinamente. Ela ordenou que parasse e assim ele fez. Ainda que o seu desejo fosse continuar aquela carícia e levá-la a um orgasmo inédito em sua vida. Aliás… Ele também, já não sabia mais quanto tempo seria capaz de retardar seu orgasmo. Tudo o que havia acontecido, desde o momento em que colocou os pés naquele apartamento, o excitou ao extremo.
Foi então que ela pediu que ele fechasse os olhos. Ela levantou, fez uma leve pressão em sua coleira para cima e pediu que ele a acompanhasse bem devagar, mas sem abrir os olhos. Ele sabia que ela guiava-o para o quarto. E a excitação só aumentava, pois ele, não era capaz de imaginar, o que poderia haver ou acontecer lá dentro.
De olhos bem abertos
Quando ela enfim pediu que ele abrisse os olhos, ele realmente estava no quarto. Era um quarto simples, as paredes eram do mesmo tom de vermelho da sala, com teto claro, lá a iluminação também era com velas. Havia uma enorme cama tubular laqueada em branco com detalhes dourados. Lençol de cetim vermelho e almofadas da mesma cor. Um enorme armário embutido, que tomava toda uma parede. E uma enorme janela, fechada com venezianas.
Ela mais uma vez pediu que ele não saísse do lugar, foi até a sala e voltou com a sacola vermelha, a sua caixinha de surpresas pensou… Ela pediu que ele deitasse na cama e ficou sobre ele. Passou a língua pelo seu pescoço, e chegando à orelha mais uma vez perguntou: “Você confia em mim?” e ele respondeu que sim. Nesse momento ela saiu de cima dele e pegou um par de meias de seda pretas na sacola.
Na penumbra ele viu que ela esticava as meias à sua frente. Atou um dos pulsos à meia e o outro à cama. Fez o mesmo com o outro pulso. Ajeitou as almofadas, de modo que ele ficasse levemente sentado. Observar aquela preparação, já estava deixando-o tão excitado, que ele sinceramente não entendeu como ainda não havia chegado a um orgasmo.
Neste momento ela ficou de pé na cama. Tirou enfim a calcinha transparente e ele pôde constatar a depilação íntima a que ela havia se submetido, era uma visão linda… Colocou um pé de cada lado dele, e muito devagar, foi desatando os cordões do espartilho. Ele explodiria a qualquer momento, não tinha a menor dúvida. Foi então que ela veio com a maior das surpresas.
Desceu da cama completamente nua e mais uma vez foi à sua sacola vermelha. De lá retirou um par de pregadores de metal, ou algo assim, eram prateados e unidos por uma delicada correntinha prata, mais uma vez ela ficou de pé sobre ele. E a visão daquele objeto em suas mãos, causou-lhe medo e excitação. Ela ajoelhou-se sobre ele, evitando aproximar seu sexo ao dele, passou aquele objeto lentamente por sobre o seu corpo, causando certo arrepio.
Ela então falou bem baixinho em seu ouvido: “Sabe o que você gosta tanto que eu faça com a boca? Meus dentes… Seus mamilos… Não será a minha boca dessa vez…” e dizendo isso suavemente prendeu um mamilo dele com o pregador, e depois o outro, ele deu um gemido. Ela então, encaixou-se a ele começou a cavalgá-lo como uma louca. E dizer coisas inconfessáveis, humilhações verbais que o excitavam cada vez mais. Ele tinha tantos sentidos conectados naquele momento… Nem saberia explicar.
O aroma das velas e do suor de seus corpos. O som da música ao longe, dos seus corpos roçando um no outro, das ásperas palavras pronunciadas por ela. A lembrança do leve sabor salgado de suas solas. O visual de vê-la sobre ele, depilada, cavalgando-o, com seus seios balançando. E enfim, a sensação da dor dos pregadores em seus mamilos unida à sensação de estar totalmente dentro dela. Ele não agüentou mais segurar e explodiu em um gozo nunca antes vivido. Pensava estar tendo espasmos de prazer, tamanha a intensidade, seu corpo tremia… Fechou os olhos, e ainda assim parecia estar cego graças a um clarão que ele acreditou envolvê-lo. Sentiu o corpo ferver até quase explodir.
Sobre ele, ela pode ter a visão perfeita do orgasmo intenso que ele vivia. E aquela visão excitava-a ainda mais a ponto dela perder completamente os sentidos e pronunciar palavras que nunca imaginou dizer, rebolava como uma louca sobre ele, sentindo que aquele orgasmo era diferente de tudo que havia vivido, viu que ele fechou os olhos e explodiu em um orgasmo intenso, que parecia não ter fim, vinha em ondas, ela também fechou os olhos e nesse momento, sentiu que ia desfalecer… Era como se sua alma deixasse o seu corpo, quem sabe naquele momento eles fossem uma só alma? E então sentiu seu corpo explodir no maior orgasmo da sua vida, sua musculatura o engolia todo dentro de si, como se o quisesse para sempre dentro dela. Deixou enfim, seu corpo pousar sobre o dele, sem forças.
Com os olhos fechados, os corpos suados, completamente exaustos… Eles ficaram ali, por um tempo que não sabiam dizer quanto. Calmamente foram voltando a si. Ela então, desatou suas amarras, tirou os pregadores de seus mamilos e aconchegou seu corpo ao dele.
Foi então, que ela olhou em seus olhos, e apesar da penumbra pode ver além do sorriso em seus lábios, também lágrimas pelo canto dos seus olhos. Puxou a corrente do seu pescoço, e aproximou o rosto dele do seu. Deu-lhe um beijo muito apaixonado e disse: “Feliz dia dos namorados, amor…”
Um Caso do Acaso

Todo dia ela faz tudo sempre igual…
Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmm!!!!!!!!! Ainda com os olhos fechados, esticou o braço e tateou a mesinha ao lado da cama, em busca do maldito despertador para desligá-lo. Todo dia era a mesma guerra para levantar-se da cama e começar sua rotina. Um raio de sol teimava em entrar pela fresta da janela, e pousar diretamente sobre seus olhos. Realmente não tinha jeito… Já estava mais do que na hora de levantar. Olhou para o relógio e constatou sete horas da manhã.
Como uma gata, espreguiçou-se lentamente na cama, adiando o mais que possível o inevitável. Levantou-se sonolenta e viu seu reflexo nu (somente dormia assim) no enorme espelho estrategicamente posicionado em frente da sua cama, lembrança dos tempos do seu “ex”, que era extremamente visual, e adorava admirar de diferentes ângulos, seus momentos na cama… “Um delicioso taradinho”, lembrou, “Se não fosse tão canalha…” suspirou desconsolada… Olhou-se no espelho. E mesmo com a cara inchada de sono e os cabelos despenteados, não tinha como negar que era uma mulher bonita no auge dos seus trinta e cinco anos. Uma balzaquiana e tanto, tinha que admitir…
Seu cabelo negro, cortado reto na altura do queixo, bem liso com franjinha, valorizava muito mais os grandes olhos negros e lábios carnudos. Davam a ela um ar misterioso e sensual, parecia uma atriz de cinema mudo. Lembrou que quando perguntavam o que ela mais gostava em seu corpo, respondia os olhos apesar de todo o resto também chamar atenção. Tinha olhos grandes e um olhar penetrante, que a deixava muito sexy.
Levou as mãos aos seios e pensou no quanto gostava do tamanho deles, apesar de serem menores dos que estão na moda, tinham um formato bonito, nada que um sutiã meia taça não ajudasse a deixá-los ainda mais sedutores… Sua pele muito branca e sem marquinha de biquíni, era o seu orgulho, dava ainda mais contraste ao triângulo negro em seu baixo ventre. Nem parecia morar em cidade que tem praia…
Virou-se e olhou o bumbum, “bendita musculação que o deixava sempre de pé”, pensou sorrindo. Gostava mais do seu corpo hoje, do que há quinze anos atrás. Talvez por que hoje, ela soubesse exatamente o que fazer, para obter o máximo de prazer dele… Pelo menos algo de bom tinha que vir com o tempo afinal. A consciência do próprio prazer, muito mais que um presente, era uma conquista.
Acordou então do seu devaneio, abriu o guarda roupa e escolheu o que iria vestir. Para não errar, usaria um conjunto de saia e blusa, o famoso visual “pretinho básico” e uma mule de bico fino, também preta, nos pés. Pegou toalha e roupão, dirigiu-se ao chuveiro e lembrou da música de Chico Buarque, “Todo dia ela faz tudo sempre igual…” e sorriu. “Eu faço, mas quem não faz?” Ligou o chuveiro e começou a cantar…
Caso do acaso
Olhou o relógio e viu que já estava atrasada, como sempre… Procurou então sua pasta, jogou dentro os papéis que estavam em cima da mesa, suas chaves e antes de sair, pegou uma maçã e deu uma mordida. Enquanto fechava a porta (que era sempre um evento à parte, pois necessitava de um jeitinho todo especial), ouviu um barulho atrás de si, e instintivamente virou a cabeça para saber do que se tratava. Viu que um homem se divertia com a cena que ela protagonizava. Tinha sua pasta entre as pernas, a maçã na boca como um leitãozinho de festa e as duas mãos puxando a porta tentando fechá-la.
“Precisa de ajuda?!” perguntou ele solícito. Meio constrangida, ela ainda tentou falar alguma coisa, mas foi impossível com a maçã para atrapalhar… Ele então abaixou e pegou a pasta entre suas pernas, que só então conseguiu terminar a aventura diária com a porta. Tirou a maçã da boca e com um lindo sorriso disse: “Obrigada, tem momentos que tenho mãos de menos para necessidades demais…” e pegou novamente a pasta.
Ele sorriu e estendeu a mão num gesto cordial: “Sou seu novo vizinho, Marcelo, muito prazer!” Mais uma vez então ela sorriu, percebeu que não tinha as mãos livres. “Está vendo?! Mãos de menos…” e abriu os braços demonstrando que as suas duas mãos estavam ocupadas, uma com a pasta e outra com a maçã. Então colocou a pasta mais uma vez entre as pernas, estendeu a mão livre pra ele e disse: “Muito prazer, Carolina!”
O novo vizinho era interessante, não era muito alto, mas como ela também não era… Vestia jeans, camisa de manga comprida branca arregaçada, deixando à mostra os pêlos dos braços, trazia também uma pasta preta nas mãos. Seu rosto era másculo, não era lindo, tinha o nariz reto, lábios carnudos, extremamente sensuais… “Essa boca parece ter sido feita para beijar” pensou. Usava óculos de aro preto, escondendo um pouco a intensidade do verde dos seus olhos, mas que dava a seu rosto um ar ainda mais interessante. Tinha os cabelos castanhos claros bem curtinhos, talvez para disfarçar a calvície evidente, que ela simplesmente A-M-O-U! “Tem coisa mais sexy que um careca bem cheiroso e charmoso logo pela manhã?” pensou, e sorriu sozinha. Deu mais uma olhadinha discreta, e resolveu quebrar o gelo dizendo alguma coisa…
“Bom, já fomos devidamente apresentados, você já viu que sou sua vizinha mais enrolada, e também a mais atrasada, sempre!” dizendo isso, olhou o relógio e deu um grito: “Meu Deus! Hoje eu me superei…” Ele comentou que também estava atrasado, mas que foi um prazer conhecê-la, desceram juntos no elevador conversando sobre assuntos triviais. Despediram-se na garagem. E antes de sair, é claro que ela deu uma “olhadinha para finalizar a inspeção”. Mais uma vez sorriu sozinha, “Acho que estou sozinha há tempo demais, já estou até imaginando coisas com o vizinho novo… Sossega menina!”
Chegando ao trabalho, teve um dia “daqueles”, nada de novo ou nada de mais, apenas a sua rotina agitada de sempre, subiu e desceu as escadas tantas vezes aquele dia, que certamente não agüentaria ir à academia… Viu aliviada, o relógio dar seis da tarde sem nada especial de última hora. No dia anterior tinha ficado até às nove da noite na empresa, e mesmo assim ainda levou a papelada para revisar em casa.
Todo o pessoal do escritório estava eufórico, comentando a esticada para uma “Happy Hour”, aniversário de uma colega de trabalho, mas o cansaço falou mais alto e teve que pedir desculpas. Logo ela, a maior “festeira”, saindo pela tangente… Na verdade, dava graças a Deus ser sexta-feira para poder ir pra casa, tomar um bom e demorado banho, quem sabe enfim conseguir ler um pouco o livro “onze minutos” do Paulo Coelho, e talvez chegar à tão comentada cena de SM que sua amiga Beattrice, tão euforicamente comentou. Não se importando se depois viesse a dormir sem culpa de não conseguir acordar na hora na manhã seguinte.
No caminho de casa, passaria no supermercado. Faltava um monte de coisas em sua despensa, e se viu obrigada adiar um pouco mais sua chegada ao tão ansiado descanso. Seus pés latejavam. Enquanto dirigia, pode enfim libertá-los um pouco da mule e exercitar seus dedinhos. Aproveitando os movimentos de aceleração, freios e embreagem para massagear um pouco seus pezinhos livres. Seus pés estavam suados, depois de um dia inteiro de trabalho, trancafiados, juntinhos dentro do sapato…
No supermercado, comprou rapidamente o que necessitava, mas perdeu um pouco de tempo escolhendo vasinhos de kalanchoe, as flores da fortuna. Que se traziam fortuna ou não, ela não sabia, mas que o colorido daquelas florzinhas que lembravam pequenas estrelas a encantava, isso encantava… Pagou, pediu ajuda para que levassem os vasinhos, que foram cuidadosamente acondicionados em uma caixa, até seu carro e foi pra casa enfim.
Na garagem do prédio, mais uma vez calçou seus sapatos e olhou em volta para ver se havia alguém que pudesse ajudá-la, mas estava vazia. Deu então seu jeito, mas demorou um pouco, colocando a caixa com os vasinhos de flores em um braço, a pasta e as compras no outro. Chegando ao elevador, com o cotovelo, conseguiu apertar o botão para chamar. Quando já estava se acomodando no cantinho esperando a porta fechar, ouviu uma voz masculina: “Segura!” e ela então com o pé prendeu a porta do elevador, não deixando que fechasse.
Logo ela viu o dono da voz, Marcelo seu novo vizinho, que assim que entrou, olhou para seu pé prendendo a porta e agradeceu. “Obrigado pelo pezinho” disse sorrindo, e ela então soltou, deixando que a porta se fechasse. Só podia mesmo sorrir, quando mais uma vez se olharam, viram que estava com as mãos ocupadas e caíram em uma gostosa gargalhada dizendo juntos: “Mãos de menos!” Ele então educadamente pegou a caixa de suas mãos e disse que tudo era uma questão de jeito. Ela ia esboçar uma resposta, quando o elevador deu um solavanco e apagou por completo.
Na escuridão do elevador
“O que aconteceu?” disse ela visivelmente assustada. “O elevador parou” ele respondeu. “Isso estou vendo, mas o que faremos?” Ele pediu então que ela se afastasse um pouco e tateou até encontrar o interfone. Estava completamente mudo. Ele então disse que deve ter faltado energia.
Ficou nervosa, detestava ficar fechada em algum lugar, ainda mais em um elevador apagado sem saber sequer o que estava acontecendo. Sem conseguir controlar, começou a chorar de nervoso. Percebeu então ele abaixar-se e logo em seguida carinhosamente trazê-la para junto a seu corpo, ele havia colocado a caixa com as flores e a pasta no chão e abraçou-a dizendo: “Fique calma Carolina, deve ter faltado energia, logo vai voltar, não se preocupe…”
Ele falava baixinho e calmamente. E daqueles lábios que pela manhã ela pensou que só foram feitos pra beijar, saíam também palavras delicadas de consolo para acalmá-la. Ela acabou aproveitando-se um pouco da situação e deixando-se abraçar. Havia tanto tempo que seu corpo não era tocado por um homem, que não sentia aquela proximidade… A respiração tão próxima. Ele acariciava seus cabelos, como quem acaricia uma criança e ela foi aos poucos acalmando.
Ouviram então um barulho. Um pouco mais acima pareciam estar forçando a abertura da porta do elevador… Provavelmente eles haviam parado entre dois andares. Já que o barulho não parecia estar à frente, mas sim acima deles. Foi então que alguém gritou: “Tem alguém no elevador?” e eles responderam que sim. Era o porteiro, havia estourado um transformador de eletricidade no quarteirão e estava tudo apagado, chamariam o corpo de bombeiros para resgatá-los, mas pediu que eles ficassem calmos, pois eles poderiam também estar atendendo outros chamados na vizinhança. “É, vamos ter que nos agüentar um pouquinho mais…” ele disse. O que não era nenhum sacrifício, ela pensou. Organizaram então as suas coisas em um cantinho do elevador e resolveram sentar no chão. Se era para esperar, pelo menos que fosse sentados.
Assim que sentaram, ficaram frente à frente, mas a escuridão não deixava que vissem nada. Começaram a conversar, comentaram do acontecido na manhã. Ela disse o quanto aquilo é normal. Que sempre sai atrasada e “atolada” de casa. Ele disse que com ele é justamente o contrário, é muito organizado e sai sempre mais cedo de casa, para não atrasar-se, mas hoje em especial, o relógio não despertou.
Em determinado momento ela deu um gemidinho de desconforto. “Hummmmm, como meus pés doem…” ele então falou: “E por que não tira os sapatos, vai sentir-se melhor…” Ela então deu uma sonora gargalhada “Está brincando? Depois de um dia de trabalho, se eu tirar essa mule do pé agora, você não vai agüentar…. Irão encontrar dois corpos quando a energia voltar. Eu te mato asfixiado e morro de vergonha…” Ele então mais uma vez incentivou, “Tira, eu só acredito vendo, aliás, ver qualquer coisa nesse momento é impossível. Retificando, só acredito sentindo.” e dizendo isso, ele começou a tatear em busca dos seus pés para tirar o sapato… Ela ria tanto, tanto… Que já escorriam lágrimas dos olhos.
Ele então finalmente conseguiu tirar seus sapatos, e começou então a massageá-los, delicadamente, lentamente… “Gosta?” ele perguntou com a voz rouca, e ela apenas respondeu: “Hummmmmmmm, não pára, por favor…” Um de seus pés estava pousado no colo dele, enquanto o outro ele massageava. Naquela escuridão, conseguia prestar uma atenção maior em cada toque daquelas mãos, seus polegares em sua sola… Seus dedos sobre o seu pé suado e quente. Ele primeiro massageou calmamente um e depois o outro, poderia estar enganada, mas havia naquele toque mais que bondade da parte dele. Havia sensualidade e erotismo. Lembrou do dia em que morreu de inveja quando Beattrice comentou do orgasmo que sentiu com um homem a seus pés… Seria um podólatra, ou o mais delicioso massagista que conheceu?
Com o pé livre, que não estava sendo massageado, ela deslizou por entre as pernas dele, prestando atenção a qualquer reação. Percebeu que a respiração dele ficou ofegante com a proximidade de seus pés entre suas coxas e o acariciou. Ele deu um leve gemido… Estava sensivelmente excitado. Nesse momento, ela teve certeza que ele estava gostando muito mais do que o normal de ter seus pés entre as mãos e delicadamente desvencilhou seu pé das mãos dele.
Enquanto um pé acariciava entre as pernas por sobre a calça, excitando-o cada vez mais, com o outro ela forçava a abertura dos botões da camisa dele. Acariciava seus pêlos do peito com a sola do seu pé, e acariciava-o encaixando a curvinha do seu pé pelo seu pescoço, pelo seu rosto, pela sua barba. Passando os dedos sobre os olhos fechados, por baixo dos óculos.
Nesse momento ele pegou seu pé, e ela sentiu sua respiração ficar mais profunda, ele colocou o nariz entre seus dedos e cheirou o suor neles. Enquanto isso, mais uma vez acariciou sua sola com as mãos, e ela sentiu que “ele” latejava por baixo da calça, sob o toque do seu outro pé. Ela sentia-se extremamente excitada com aquele toque, com as carícias, foi quando ele então começou a chupar seus dedinhos, um a um… Com volúpia…
Segurou então o seu outro pezinho que o acariciava, e começou também a beija-lo, cheirá-lo… A mordiscar as solas… Ela quase desfaleceu de tanto prazer… Um pé ele mordiscava, lambia a sola… O outro, ele passava em seu rosto, em sua barba. Ela se contorcia de prazer enquanto tinha um dos mais deliciosos orgasmos que já teve na vida, sem nenhuma penetração, nenhuma estimulação direta em seu sexo… Era uma sensação deliciosa ter aquele homem ali, beijando e acariciando seus pés… Proporcionando um orgasmo tão intenso, que ela deu um grito de prazer…
Ouviram então, mais uma vez um barulho do lado de fora e a voz do porteiro lá em cima, “Pode ficar calma dona Carolina, que o bombeiro acabou de chegar e vai tirar vocês daí” e eles não tiveram como evitar uma gargalhada, não estavam nada interessados com o retorno da energia…
O Bosque

Naquela manhã ela acordou meio triste, um tipo de melancolia que não se sabe explicar. Hormônios… Mulheres são de fases.
Vestiu a calcinha, o sutiã, uma blusa fresquinha e uma bermuda. Procurou então as meias para calçá-las. Sentou na beirada da cama, e por um instante não pensou em nada, ficando com o olhar perdido no ar… Ainda descalça, pousou seu tornozelo sobre o joelho e se acariciou, limpando a poeira dos seus pés. Passando suavemente a mão entre os dedos. Pensando que a carícia nos pés é algo tão agradável, que até mesmo essa auto-carícia era algo delicioso. Calçou então as meias e o seu tênis “velho de guerra” e saiu para a caminhada de todo dia.
Chegou à entrada do parque e fez seu alongamento. A caminhada diária era um dos melhores momentos do dia… Acordava cedinho e mesmo chateada, como estava hoje, fazia questão. Enquanto caminhava esquecia do mundo, dos problemas, era quase um transe. Apertou o passo, e à medida que o sol começava a subir no horizonte, o calor aumentava, o suor escorria, mas era tão delicioso… Caminhar por aquele bosque, entre as árvores, sentindo o sol incidir sobre seu corpo, esgueirando-se por entre as folhas… Era mágico… Olhou pra cima e teve que espremer um pouco os olhos, apesar de ainda fraco, sol é sol, e ofuscou sua visão. Olhou então mais uma vez pra frente, e avistou um homem sentado.
Mesmo um pouco distante, a figura daquele homem chamou a sua atenção. Ele estava sentado na grama, lendo um livro, a mochila de couro a seu lado, com as calças mal dobradas até a altura do joelho e descalço. Aquele fato atiçou a sua curiosidade e ela diminuiu o ritmo da caminhada, para observá-lo melhor.
Era um homem bonito… Moreno, ombros fortes, pernas longas… Braços e pernas bem cabeludos. A pele morena parecia combinar com aqueles pelos… À medida que se aproximava, prestava ainda mais atenção ao estranho. O cabelo bem curto, raspado à maquina, os óculos de aro finíssimo… Ele não parecia perceber que era observado. Por que ela estava tão hipnotizada por aquele homem?
Fixou o olhar em seus pés morenos, cruzados, com unhas bem feitas e aqueles pelinhos no dorso do pé que ela tanto amava… Por um segundo fechou os olhos e suspirou. Um arrepio lhe subiu a espinha ao imaginar aqueles pés bem perto…
De repente, tropeçou em alguma coisa, talvez um buraco, e torceu o pé. A dor foi tanta, que sem perceber ela soltou um grito. Tentou firmar seu pé no chão e não conseguiu, sentindo muita dor e abaixando-se para sentar. Antes que percebesse, aquele homem que ela tão atentamente observava, estava a seu lado. E perguntou se ela precisava de ajuda. Antes que falasse qualquer coisa, ele colocou-a no colo com tanta facilidade que ela se sentiu uma pluma. E aconchegou-se naqueles braços, aproveitando um pouco a situação, por um momento esqueceu a dor e pousou seu rosto naquele peito forte.
Ele a levou para a grama, onde havia deixado o livro e o resto de suas coisas. O mesmo lugar em que há um minuto estava sentado e sendo observado por ela. Cuidadosamente pousou-a no chão. Deitando-a na grama e puxando a mochila para que ela pousasse a cabeça.
O suor escorria pela a sua face, ter parado a caminhada abruptamente, a dor causada pela torção… Aquele homem a seu lado transmitia-lhe uma sensação tão boa… Sentia-se protegida.
Ele sentou a seus pés, dobrando uma perna e esticando a outra ao longo do seu corpo, mais uma vez ela tinha a visão daqueles pés morenos bem junto de si, com aqueles pelinhos no dorso, hummmm… Ele pousou o pé dela em seu colo e delicadamente foi descalçando o seu tênis e a meia. Ela deu um gemidinho de desconforto, uma dorzinha… Ele imediatamente perguntou se a estava machucando. Ela respondeu que não e ele continuou.
Seu pé ainda não estava inchado, talvez nem ficasse. Ele apalpou delicadamente seu pé, como quem estivesse inspecionando, vendo o que estava errado, agia com uma propriedade, que ela perguntou se ele era um especialista. Ele sorriu, e disse ter “algum” conhecimento. Era fisioterapeuta e massoterapeuta. Ela sorriu dizendo que não poderia ter caído em lugar melhor, ambos sorriram.
O toque das mãos dele em seu pé era uma sensação deliciosa. Ele não parecia importar-se com o suor dos seus pés. Ela chegou a comentar sorrindo, que não gostaria de asfixiá-lo. Ele sorriu mais uma vez, dizendo que seu suor, além de ajudar suas mãos a deslizar em seus pés, tinha um aroma delicioso, que ela não se preocupasse. E assim ela fez… Olhando mais uma vez para o céu, para a folhagem das árvores. Sentindo aquela suave massagem em seus pés. O toque quente das mãos dele… Hummmm… Ficaria uma vida ali, sobre aquela grama, com aquele homem a acariciar seus pés. Fechou os olhos e deu um suspiro.
Ao abrir o olho, viu que ele a observava, com um sorriso. Ela sentiu o rosto corar. Ele havia percebido o quanto aquela massagem havia se transformado em uma carícia e a excitava. Ela então, apoiou-se nos braços e sentou. Sua mão displicentemente encostou-se ao pé dele. E antes que a razão reprimisse o instinto, ela acariciou os pés dele, fechando os olhos e detendo-se apenas à sensação do toque das mãos dele em seu pé, e do seu toque nos pés dele. Como se naquele momento eles tivessem criado uma corrente de energia, que pulsava entre eles.
Eventualmente, ela ouvia passos, dos outros correndo, ou vozes animadas, conversando durante a caminhada… No entanto, não se importava… Era uma carícia extremamente erótica para ela, mas aparentemente casual para o resto do mundo.
Ela abriu os olhos, e viu nos olhos dele, que aquela carícia também tinha uma conotação erótica para ele. Discretamente, lançou um olhar entre as pernas dele, e percebeu que ele estava excitado… Como ela… Sentia seus mamilos arrepiados e sua calcinha encharcando de excitação. Ele olhava em seus olhos, como se ela estivesse nua à sua frente… Acariciava seu tornozelo, sua perna, descia novamente para o pé…
Foi então que em determinado momento, ele olhando diretamente em seus olhos, guiou o pé dela, ainda calçado com o tênis, para entre as suas pernas e levantou o pé descalço para bem perto da sua boca, passando a língua pela sua sola.
Nesse momento, ela fechou os olhos, tamanha a excitação. Afundou as unhas em sua carne, provocando nele um gemidinho. Ela deu um sorriso e abriu os olhos, forçando o pé entre as pernas dele, como quem acelera o pedal de um carro, delicada e firme… Dessa vez, foi ele que fechou os olhos e respirou fundo. Colocou os dedinhos dela, um a um em sua boca, ela sentia a língua quente, a saliva molhando, os dentes arranhando… Hummmm… Estava à beira de um orgasmo ali, no meio daquele bosque, com seu pé na boca de um estranho, um delicioso estranho…
Mais uma vez fechou os olhos, e no instante em que sentiu seu corpo estremecer com o orgasmo, forçou mais uma vez seu pé entre aquelas pernas. Subiu suas mãos pela perna dele, emaranhando seus dedos àqueles pelos e fincando as unhas naquela carne morena… Ouviu também um gemido dele, abriu os olhos e viu que dessa vez era ele com os olhos fechados, tendo um orgasmo. Com seus dedos em sua boca, com seu pé entre as suas pernas…
Mais uma vez ouviram que um grupo de pessoas se aproximava, e dessa vez conversando animadamente. Ela respirou fundo, e tentou recompor-se. Ele deu um sorriso e abaixou o seu pé, pousando em seu colo. Ela sorriu, já não sentia dor… Havia apenas a sensação de prazer…
Esperaram as pessoas se afastar, e então olharam para a calça dele. Suja! Ela pediu desculpas, meio constrangida por tudo, ele disse então que não havia o menor problema. Muito pelo contrário. Que o orgasmo de antes valia por qualquer “sujeira”. Disse que nada que sua blusa longa não disfarçasse. E riram muito da situação.
Ficaram ali, na grama, sentados, sorrindo, felizes… Esquecendo completamente, que aquela manhã começou melancólica e triste, mas agora… Tudo era diferente. Deitaram na grama e olharam para o alto, ela buscou a mão daquele homem que sequer sabia o nome, mas que lhe transmitia uma enorme paz e conforto. Sem nada dizer, aproveitaram aquele momento, mudos, apenas observando e absorvendo toda a magia do bosque…
A Cadelinha Fifi

Quando ele enfim entrou no carro, fechou a porta e ligou a chave para sair, deu um suspiro de contentamento… Olhou no retrovisor e deu um leve sorriso. Sua testa estava repleta de gotículas de suor e a face vermelha como um tomate. Há poucos instantes ele quase derreteu de vergonha quando a babá chamou da sacada e disse: “O Senhor está esquecendo esta mala preta…” Ele engoliu em seco. Havia saído com tanta pressa que a esqueceu sobre a mesa. Voltou, pegou a mala e agora finalmente se encaminhava para o que seria um longo dia, com toda certeza…
Chegando ao trabalho, não relaxava, cada passo seu era tenso. Tinha a nítida impressão que todos olhavam pra ele, mas não… Ele sempre foi invisível, imperceptível no meio daquela repartição. Nada era diferente. E o que sempre foi motivo de martírio, a indiferença de todos à sua volta, neste momento era um grande alívio.
Quando chegou à sua mesa, deu um suspiro aliviado. Até o momento, só ele sabia que por baixo do terno vestia meias de seda 7/8, cinta liga e calcinha de renda preta. A situação era humilhantemente erótica e ao mesmo tempo em que ele estava realmente preocupado com “o que os outros poderiam pensar” estava também completamente excitado com a situação. Era quase impossível segurar a ereção, cada movimento mínimo seu, era como uma carícia da renda em seu corpo.
Cuidadosamente ele guardou a mala no armário atrás dele e trancou com a chave. Deu um meio sorriso ao imaginar seu conteúdo. Lembrou do susto e da excitação na tarde anterior ao receber as instruções para a nova sessão com a sua Senhora e então tirou do bolso o envelope que recebeu no fim do dia, com o brasão da sua Senhora Anna.
Meu escravo.
Conforme previamente combinado teremos nossa sessão mensal amanhã. Será a décima segunda sessão. Se olhar no calendário, verá que faz exatamente um ano que te encontrei como um bichinho assustado e sem Dona naquele trânsito absurdo e infernal e te dei a chance de ser algo mais que uma coisinha sem função na vida. Dei-te a oportunidade de ser “Meu escravo”.
Quero para amanhã preparativos especiais, por isso você tem que providenciar hoje determinadas coisas. São elas:
- Meias de seda preta, com renda na borda.
- Cinta liga preta.
- Calcinha de renda preta.
- Scarpin preto, salto 12cm, tamanho 41.
- Combinação de seda preta.
- Peruca de corte chanel e franja.
Você terá que pela manhã, ao se preparar para o trabalho, vestir por baixo as meias, a cinta liga e a calcinha. O resto do material deve trazer em uma mala. Esteja devidamente barbeado.
No horário de sempre, deve chegar ao casarão da Rua Paraíso 421. Você deve esperar na sala até que eu venha ao seu encontro. Esteja preparado para tudo.
Não preciso lembrar a você, que deve seguir rigorosamente as minhas instruções. Sem possibilidade de negociação. Se por acaso você quiser desistir, este é o momento. Se não aparecer ao encontro, entenderei que não tem interesse em continuar “Meu escravo”.
Senhora Anna
Pois bem, um ano… E neste um ano, aprendeu cada dia mais a adorar e admirar sua Senhora. Ela ajudou-o a ser um homem de verdade, as sessões mensais funcionavam muito melhor do que anos de terapia. Curiosamente, foi se entregando à sua Senhora, que ele se sentiu mais livre e forte no mundo “normal”. As sessões eram verdadeiras catarses, ele voltava para a sua casa leve e livre. Inicialmente ainda sentia alguma culpa quanto à sua esposa e filhos, mas depois, não mais. Canalizou todas as suas inibições e frustrações de uma vida chata e sem sentido, para aqueles momentos que se entregava completamente àquela bela Senhora.
Aquele dia pareceu interminável. Quando enfim, já estava de saída, sua esposa telefonou e pediu que passasse no super mercado. Ele lembrou a ela que era dia do futebol, com um pouco de sentimento de culpa por estar mentindo, e ela disse que havia esquecido, mas não tinha problema, afinal desde que ele passou a jogar futebol com os amigos ficou muito mais feliz… Mandou um beijo e desligou. Ele deu um suspiro e pensou no quanto a amava, mas também no quanto ele “necessitava” da sua Senhora Anna. Mentir pra sua esposa, omitir da sua esposa a verdade era um ato de amor, ele concluiu não muito certo do seu pensamento, mas…
Quando finalmente chegou ao casarão da Rua Paraíso, percebeu que o carro da sua Senhora já estava estacionado, havia também um outro carro, o que lhe causou certa apreensão. Era a primeira vez que haveria outras pessoas presentes. Por um momento lembrou das palavras da sua Senhora na carta: “Sem possibilidade de negociação. Se por acaso você quiser desistir, este é o momento”.
Sentiu um frio na barriga… Ao mesmo tempo uma excitação extrema. Era capaz de confiar àquela mulher a sua própria vida. Ao entrar naquele casarão seria o momento, estaria atestando para ela este Domínio. A encheria de honra diante dos seus convidados. E neste momento, tudo o que passou nas mãos da sua Senhora, faria um enorme sentido, pois ele, que sempre foi “um nada” na vida, teria enfim a oportunidade de mostrar que hoje era o “seu escravo”.
A porta estava entreaberta e ele, conforme o combinado, sentou na sala à sua espera. Suas mãos suavam e tremiam. Por intermináveis 40 minutos ele ficou ali, ansioso e à espera de sua Senhora, como ela havia determinado.
Foi então que ele ouviu passos, era Ela! Maravilhosa como sempre, seus cabelos impecavelmente penteados, presos num rabo de cavalo. Vestia um belíssimo vestido de seda, vermelho, quase uma combinação. Ela ficava maravilhosa de vermelho… Caía leve e solto por seu corpo bonito, fazendo contraste com a pele branca. Nos pés, um belíssimo scarpin da cor do vestido, com bico finíssimo e salto agulha com um detalhe de metal prateado. Ele ficaria ali, horas admirando sua Senhora, mas ela como sempre direta, retirou-o do seu transe.
“Como vai?” Ela disse com sua voz sempre suave e firme. “Muito bem, Senhora Anna” Ele respondeu educadamente se levantando enquanto ela se aproximava. “Whisky?” Perguntou ela, enquanto se dirigia para o bar no canto da sala. “Sim Senhora Anna, por favor” Respondeu ele, lembrando que curiosamente, ao longo daquele ano, em todas as sessões pelas quais havia se submetido, o primeiro contato entre eles era sempre cordial. Eles conversavam sobre assuntos corriqueiros, política, economia… Evitavam o assunto família apenas. Todo o resto era permitido.
Como sempre, sem explicações, ela levantou e perguntou: “Seguiu minhas orientações e providenciou o que pedi?” Ele levantou pegou a mala preta e disse: “Sim, Senhora Anna” Ela deu um meio sorriso e completou, “Vamos para o quarto, quero checar minuciosamente o material”.
Ele estava apreensivo, afinal, ela nada comentou sobre outras pessoas, mas o carro lá fora era uma evidência que não estavam sozinhos.
Chegando ao quarto, ela se recostou na cama e disse apenas: “Tire a roupa! Quero que você fique na frente do espelho, para que eu daqui possa ter uma visão privilegiada desta ceninha ridícula. Não vejo a hora de ver essa bundinha cabeluda na calcinha de renda”.
Sentiu seu rosto queimar, ela tinha esse dom. De deixá-lo excitado e humilhado. Evitava olhá-la nos olhos, ela se divertia com a cena, zombava… Ele tirou peça por peça, começando tirando os sapatos, depois o paletó, gravata, camisa, quando enfim desabotoou o cinto e começou a abaixar as calças, Ela deu uma sonora e deliciosa gargalhada. “E não é que este escravinho pervertido está em ereção?!” Ele realmente não conseguia conter, a humilhação era grande, estar diante daquela mulher usando calcinha, cinta liga e meias…
Ela então levantou e se aproximou. Parou à sua frente e encaixou seu corpo no dele. Ele percebeu que ela não usava calcinha. Fechou os olhos e respirou fundo o perfume da sua Senhora, fazendo o impossível para se conter. Ela sorriu e falou em seu ouvido enquanto com as duas mãos acariciava a sua bunda. “Hummmm, que delícia de bundinha nessa calcinha” E ele sentiu que “latejava” encostado ao corpo dela…
Nesse momento, Ela mais uma vez se afastou e voltou pra cama. “Quero agora o serviço completo. Meu escravinho hoje será uma escravinha. Quero que se vista agora!” E ele prontamente obedeceu: “Sim, Senhora Anna”.
Vestiu a combinação preta morrendo de vergonha, pois além de sentir-se ridículo, sua ereção fazia volume sob a seda, e ela não parava de zombar do fato. Calçou os scarpins e sequer conseguia parar sobre eles, ela se contorcia de tanto rir. Quando ele finalmente pegou a peruca, ela percebeu sua total falta de jeito. Apesar de usar o cabelo curto ele não conseguia de jeito nenhum acertar a peruca em sua cabeça.
Nesse momento Ela levantou e arrumou a peruca na cabeça dele dizendo: “Quero minha escravinha linda… Hoje é um dia especial”, passou nele pó compacto, batom, sombra… Esfregando seu corpo no dele e falando obscenidades em seu ouvido, penteou a peruca e fez uma pinta perto da boca com o lápis de olho. “Parece uma putinha de bordel dos anos 20”
Nesse momento, ele ouviu que batiam à porta do quarto. “Pode entrar!” Ela disse. Então, entrou uma mulher baixinha, de formas arredondadas, cabelos vermelhos bem curtos, olhos expressivos, aparentando uns 45 anos. Vestia um corselet preto de vinil, cheio de zíperes e detalhes prateados. Saia longa e sandália de saltos altíssimos e plataformas, uma Senhora tão linda como a sua Senhora Anna, apesar da diferença de altura.
Ela então pegou a estranha pela mão e guiou-a até perto dele que permanecia imóvel observando a cena. “O que acha da minha escravinha, amiga? Chegou a mim, como uma menininha assustada… Nem seu nome sabia, coitadinha…”
“Uma mocinha sem nome??? Temos que dar um nome pra ela, querida…” Disse a outra Senhora com uma voz ainda mais firme que a da sua Senhora Anna. Sua voz lembrava a de uma antiga diretora da escola primária, ele lembrou que em seus tempos de moleque, sempre tremeu somente em imaginar poder um dia ser repreendido por ela… Era uma mulher linda, mas que diziam ser muito má. Contavam estórias que ela era capaz de deixar as crianças horas e horas no castigo.
Neste momento, as gargalhadas das duas inventando nomes pra ele, trouxe-o de volta à realidade. “O que você acha de Fifi, minha linda? Fica meio cadelinha francesa, não é mesmo?!” disse a amiga da Senhora Anna. Elas se divertiam muito com os possíveis nomes, enquanto ele apenas aguardava a próxima ordem. Não era mais que uma marionete delas, e aquilo simplesmente fascinava-o…
Como num estalo, ele se deu conta que estava vivendo a maior fantasia que um homem pode imaginar, estar com duas mulheres. E ele, um submisso, teria a honra de servir a duas senhoras. Era realmente inacreditável. Estava realmente excitado e tal pensamento levou-o a uma ereção incrível, “sentia-o” latejar sob a calcinha de renda, suava, suas faces estavam quentes.
Foi então que sentiu um tapa estalar em sua face, era a sua Senhora Anna. “Preste atenção, Fifi! Por acaso não ouviu a ordem de Madame Sofie?” E ele estava realmente tão envolvido em seus pensamentos, que não ouviu e abaixou a cabeça com vergonha, dizendo: “Pode me castigar minha Senhora, eu mereço um castigo por ser tão relapso…”
“Hummmmm…” Ela disse caminhando lentamente à volta dele. “Acho que já que a desobediência foi com Madame Sofie, nada mais justo que ela lhe aplique o castigo. O que acha Sofie?” Sua Senhora falou sorrindo para a amiga.
Madame Sofie então se aproximou dele, muito mais alto que ela, que apesar dos saltos não passava de 1.65 de altura, enquanto ele, além dos 1.80 de altura, tentava ainda se equilibrar heroicamente no salto 12cm. “De joelhos, Fifi!” Ela disse enérgica e ele prontamente obedeceu, era uma sensação inenarrável estar submisso a uma mulher tão pequenina em relação a ele. Madame então continuou: “Agora de quatro!” Sempre com aquela firmeza de quem sequer cogita não ser obedecida. E ele mais uma vez cumpriu a ordem!
A amiga de sua Senhora então, caminhou lentamente ao redor dele. Ele só podia ver seus pés e um pedaço das pernas, já que ele estava com o rosto voltado para o chão.Percebeu que ela parou atrás dele e começou a acariciar seu traseiro, puxando a calcinha bem pra dentro, como um “fio dental”. Debochava dele com a sua Senhora, dizendo: “Que escravinha relaxada você tem amiga, uma “putinha” bem rameira, sequer depila a bundinha… Merece um bom castigo por ser tão “porca”!”
Sentiu que ela se afastava dele um pouco, mas logo voltou e ele pôde sentir uma pancada seca em seu traseiro, e após um ano de sessões com a sua Senhora, era capaz de reconhecer o instrumento usado, era uma tábua de carne, ele já havia apanhado outras vezes com ela e até suportava bem a dor, mas a amiga de sua Senhora tinha a mão bem “pesada” e na primeira pancada ele deu um grito.
Ouviu então a risada das duas… “Mas que escravinha delicada essa hein amiga, sequer agüenta um castigo bobo deste…” E continuou, exigindo que ele contasse em voz alta: “Conta Fifi, conta que eu quero ouvir… Veremos se agora você presta atenção às minhas ordens!” E ele contava em voz alta a cada pancada dada.
Sua senhora então se aproximou da amiga dizendo: “Use este novo chicote, é maravilhoso e como o cabo é acolchoado não marca a sua mão, Sofie”. E assim ela fez, ele chegava a suar, mas apesar de estar já com o traseiro ardido de tanta pancada, agüentava firme, já que era uma honra mostrar para a amiga da sua Dona, o quanto ele era resistente. Cada chicotada ardia, ao mesmo tempo em que acendia um fogo dentro dele. Aquilo o excitava tanto, mas tanto que ele era incapaz de descrever a sensação.
Foi então que viu um flash, era sua senhora registrando cada momento da tortura com fotos… Veio um pensamento em sua mente. “Quanta humilhação, ser fotografado de quatro, vestido de mulher e apanhando de uma” Pensou também no perigo caso aquelas fotos caíssem em mãos erradas e chegou a cogitar pedir que a sua Dona parasse, mas… Veio à mente o quanto confiava naquela mulher, no quão cúmplices eles eram, desde o primeiro dia, desde o primeiro segredo. Lembrou do quanto eles já viveram momentos e aquele momento em especial, estava sendo excepcionalmente maravilhoso. Podia mostrar para a amiga da sua Senhora o quanto ele era obediente e subserviente a ela.
Durante horas elas fizeram todo o tipo de torturas com ele, e ele extasiado obedecia. Lambeu as solas da sua Senhora e da amiga deitado no chão, sentia os pés delas pousados em seu corpo, como um capacho. Elas estavam confortavelmente sentadas no sofá e conversando animadamente. Como se ele não existisse. E aquilo o excitava profundamente sentia que cada vez mais latejava dentro da calcinha, duríssimo. De vez em quando elas zombavam por estar duro, e passavam ao acaso as solas nele. Era um êxtase.
E determinado momento, quando elas perceberam que ele estava muito, muito excitado. Elas se entreolharam e se digiram para a cama. Sentaram à beirada dela e ele ouviu sua Senhora dizer: “Fifi, venha aqui, mas venha de quatro como a minha cadelinha francesa”. E ele logicamente obedeceu.
Ela então, abriu a gaveta da mesa de cabeceira e tirou uma coleirinha de strass, havia nela uma medalhinha prateada com as iniciais {SA} gravadas. Ela então mostrou para Madame Sofie, que comentou a beleza da peça. Ele continuou de quatro à sua frente, como uma cadelinha mesmo e sua Senhora neste momento se aproximou dele e colocou-a em seu pescoço, atando também uma corrente prata à coleira. “Feliz aniversário, minha cadelinha…” Ela disse docemente em seu ouvido.
Ele estava emocionado… Trocaram olhares e pôde perceber que ela também estava. Sua Senhora lhe deu um sorriso, levantou e prendeu a corrente ao pé da cama. Ele não tinha como ficar de pé, a corrente não era muito longa e ele percebeu que ela o desejava ali, de quatro. A sua cadelinha Fifi.
Ela então se afastou dele e mais uma vez se aproximou da amiga. Ajoelharam-se sobre a cama e começaram a se beijar diante dele, cada beijo que sua Senhora dava em sua amiga, ela lançava um olhar pra ele. Cada carícia, cada toque, cada suspiro, elas se amavam sem a menor necessidade de um homem. Sem nenhuma necessidade “dele”.
Aquela era a maior humilhação pela qual já havia passado, ver duas mulheres, uma delas a sua Dona, se acariciando e beijando diante dele, vestido como uma “prostituta de bordel dos anos vinte”, como sua própria Senhora havia dito. E como se não bastasse estava amarrado ao pé da cama, atado por uma corrente e coleira. A verdadeira “cadelinha Fifi”.
A cena que vivia era talvez a mais vergonhosa, mas também a mais excitante da sua vida. E ele sentiu que não demoraria muito o seu orgasmo, apesar de sequer estar se tocando. É claro que em um ano, já experimentara tantos orgasmos inusitados, que se acontecesse, seria até admissível, mas… Subia um fogo pelo seu corpo!!!!
Nesse momento sua Senhora levantou da cama e soltou-o da corrente. Recostou nos travesseiros abriu bem as pernas e disse: “Vem brincar também, Fifi… É uma brincadeira entre amigas, vem…” e ele subiu pela primeira vez na cama da sua Senhora e foi sedento para as suas pernas entreabertas, chegando a esquecer por um minuto de Madame Sofie. Ele sabia como agradá-la, já conhecia sua vontade, se pôs de joelhos diante dela e abaixou para saciá-la.
Sentiu então uma mão lambuzada de algo gelado acariciar o seu orifício anal. Ele olhou para trás assustado, era madame Sofie, com o olhar mais safado e um sorriso nos lábios, tinha a mão calçada em uma luva cirúrgica e os dedos besuntados de lubrificante e disse apenas: “Você não quer?” Ele voltou o olhar imediatamente para a sua Senhora Anna, que o olhava com desejo e disse com doçura: “Solte-se, minha linda! O máximo que pode acontecer é você gostar, podemos parar quando quiser… Mas eu estou muito, muito excitada com essa visão maravilhosa.”
Ele respirou fundo, deu um suspiro e disse para Madame Sofie: “Estou ao seu dispor Madame…” E ao dizer isso a sua Senhora sorriu, levantou o seu rosto, beijou sua face e acaricio-o… “Continue, minha cadelinha… Suas lambidinhas estão deliciosas!” E assim ele fez.
Enquanto ele dava prazer à sua Senhora, Madame Sofie afastou a calcinha de renda para o lado e introduziu delicadamente um dedo, depois dois, três… Como estavam devidamente lubrificados e ele completamente excitado com a situação, o que a princípio pareceu a maior violação da sua vida, foi se transformando em grande prazer, ela movia os dedos dentro dele que rebolava, sem tirar a boca da sua Senhora, que neste exato momento teve um orgasmo e ele sentiu o seu suco quente em sua boca. E com grande prazer sorveu cada gota enquanto ela se deliciava em espasmos de prazer, até acalmar enfim…
Sua Senhora então, estendeu a mão para uma mala na cabeceira e pegou um cinto de couro preto com um pênis de borracha acoplado, ele só havia visto isso nos filminhos que pegava na Internet, era para a chamada “inversão de papéis”. Seus olhos se arregalaram de medo e ele suava de tanta ansiedade, não sabia até que ponto podia agüentar tanta humilhação, era a sua masculinidade em jogo. Mais uma vez, teve vontade de pedir que parassem, no entanto, servir àquela mulher naquele momento, fosse como fosse, era a única coisa que importava.
E neste momento, enquanto ajustava o cinto ao seu corpo, ela pediu que ele deitasse com a barriga para cima, e disse olhando para Madame Sofie: “Querida amiga, seria uma honra você aceitar que a minha escravinha também te dê prazer…”
Madame Sofie sorriu e levantou a saia, também estava sem calcinha, ele pôde ver seus pêlos também ruivos como os seus cabelos, ela então se posicionou sobre ele, abriu as pernas e sentou sobre a sua face, chegando quase a sufocá-lo um pouco, riu alto da brincadeira e enfim se colocou de modo que ele pudesse explorá-la com a boca. Era uma mulher também deliciosa, seu cheiro de fêmea inebriava.
Sua Senhora colocou a mão “nele”, que estava cada vez mais duro, colocou uma camisinha, no pênis de borracha, passou mais lubrificante e, ao mesmo tempo em que o masturbava com a mão, ia também gentilmente invadindo-o. Seu corpo agora mais relaxado, não oferecia grande resistência. Era incômodo, mas prazeroso. Ela era cuidadosa, mas a dor que inicialmente era insuportável, aos poucos se transformava em prazer.
Com a boca servia Madame Sofie, que rebolava em sua face de tanto prazer. Ao mesmo tempo em que era também masturbado e penetrado por sua Senhora Anna. Madame Sofie aproximou-se então da sua Senhora e trocou mais um beijo enquanto acariciava-lhe o seio. Ela não parava de rebolar em sua face, enquanto a sua senhora o cavalgava e masturbava freneticamente.
A cena era surreal e as sensações extremas. Nesse momento, percebendo que ele não agüentaria muito tempo mais, sua Senhora ordenou enérgica, que “agora sim, a sua “cadelinha” poderia gozar”. E não agüentando mais ele explodiu em um gozo forte e intenso. Seu gemido foi alto, abafado por estar entre as pernas de Madame Sofie, e coincidindo com uma estocada mais profunda da sua senhora. Por um instante não sabia mais “quem” ele era, ou “o que” ele era. Sentia como se as três pessoas naquela cama fossem apenas “uma” tamanha a força e a intensidade daquele orgasmo grupal.
Madame Sofie se afastou um pouco, com as pernas ainda trêmulas do recém orgasmo. E sua Senhora ainda ofegante esperou o seu orgasmo acalmar, o que parecia não ter fim, para enfim retirar-se dele.
Deitaram então na cama. Ficaram os três abraçados, exaustos… Cada um com um sorriso nos lábios. Sua Senhora enroscava os dedos nos pêlos do peito dele. Quem olhasse de longe veria três mulheres em uma cama… É claro que uma delas tinha pênis, mas… Dentro daquela fantasia, ele foi a “cadelinha Fifi” de Madame Sofie e sua Senhora Anna. Pôde viver a fantasia maior como homem e submisso. Servir e estar com duas mulheres em uma cama. “Ou seriam três?” Ele pensou sorrindo…
A Seus Pés

Ela levantou os olhos da revista que tinha em mãos, meio displicente… Havia esquecido dele ali parado. Ajoelhado, mãos algemadas, com uma coleira no pescoço e nu à sua frente olhando para o chão. Descruzou as belas e longas pernas diante dele e ouviu um suspiro.
¬“O que foi?” disse ela se levantando e parando diante dele com o chicote na mão. “Ouvi um suspiro de descontentamento, por acaso?” Com a voz mais docemente irônica que ele já ouviu. “Não, Senhora Anna!” Ele respondeu, “Suspirei de felicidade, pela sua atenção enfim…” Ela então deu uma deliciosa gargalhada, e ele fascinado pensou que era lindo ouvir sua Senhora sorrir, como se o sorriso dela encantasse tudo em volta. Era má e caprichosa, quase impossível de contentá-la, mas especialmente linda também!
“Enfim?! Não acredito que você pensa realmente que eu, sua Senhora, deve atenção a um escravinho de nada ajoelhado à minha frente… “ e continuou “Sua petulância , me diverte… Tamanho o disparate.” Finalizou ironicamente.
Ele então engoliu em seco, já conhecia bem sua Senhora e sabia que aquele bom humor não era normal. Ela devia estar com alguma coisa terrível em mente. “Desculpe, Senhora Anna, não foi isso que eu quis dizer…” começou ele tentando se explicar, quando sentiu o chicote arder em sua coxa.
“Cala a boca! Quem mandou você falar? (…) Agora eu sou mentirosa? Por acaso não ouvi o que você falou? Enfim…” Disse dando de ombros. “Não acredito que me cobre alguma coisa?” Ela disse com voz séria… Nem de longe parecia com a voz do anjo que há pouco sorria como uma criança. Ele ficou mudo, não adiantava argumentar… “Deite no chão!” e ele tratou de obedecer, sentando e deitando. Aliviado por poder descansar seus joelhos, estava há horas na mesma posição. “Agora rola, como um cachorrinho…” ela falou ainda séria.
“Mas… Senhora Anna, se eu deitar de barriga para baixo, machucarei meus pulsos com as algemas” Ele falou, tornando a ficar sentado, mas se arrependendo logo em seguida. “Vai…? Ahhhh, coitadinho do meu escravinho…” Disse com a voz cheia de ironia e deu outra deliciosa gargalhada. No entanto, logo depois o rosto dela ficou sério, mais uma vez.
Ela então o olhou do alto da sua majestade e falou: “Se você não é capaz de cumprir um simples pedido como esse… Se for incapaz de servir sua Senhora com coisas tão mínimas… Te solto as algemas. E permito que vista sua roupa e vá embora, mas não volte nunca mais. Deveria ter prazer em servir-me, e não questionar…” Virando as costas pra ele e se encaminhando para a porta.
Aquelas palavras vieram como uma bomba, ela falava sério… Imaginar deixar de servir aquela bela mulher, não tê-la nunca mais em sua vida era um castigo maior que a morte, uma dor muito maior do que dilacerar a carne de seus pulsos com aquelas algemas. Ele então entre lágrimas, implorou se jogando no chão e arrastando a seus pés. “Não! Por favor, Senhora… Não faça isso com esse ser que lhe adora, venera… Eu imploro. Já nem sinto mais dor, estou aqui, inteiro a seus pés. Prometo não questionar mais seus pedidos. Apenas obedecer”.
Enquanto ele rastejava, ela andava devagar, fazendo ziguezague pela sala, naquele scarpin preto altíssimo, que torneava seus pés lindamente. Fez isso por um tempo que ele não soube contar, apenas se arrastava atrás dela, que cantarolava uma musiquinha sem nexo passeando pela sala. Indiferente aos seus gemidos ou à sua dor. Ela então parou e imediatamente ele também, aos pés dela.
Com a ponta do sapato, ela forçou que ele virasse com a barriga para cima. Ela podia ver as marcas em seus pulsos, em seu peito, joelhos e coxas. Ficou então de pé, com uma perna de cada lado do seu corpo. Apesar da dor que ele sentia, tanto física como moral da humilhação de antes, estava simplesmente fascinado com a visão daquela deusa sobre ele. Podia ver seu sexo, ela estava sem calcinha… O vestido preto curto de couro dava a ela um aspecto ainda mais sensual em contraste com a pele branca.
Ela havia parado próxima à parede. Que logo serviu de apoio enquanto subia no tórax dele. Aquele salto alto e finíssimo entrava em sua carne como agulha. No entanto, era a mais bela visão que ele já havia visto e a melhor sensação que já havia sentido. Ela movimentava as pernas, alternando o movimento dos joelhos, roçando uma coxa na outra e tudo isso, olhando-o nos olhos, diretamente, com um meio sorriso nos lábios… Jogava o rabo de cavalo hora para um lado e hora para o outro lado. Que cena maravilhosa, ele pensava, apesar de toda dor…
Em determinado momento, ela tirou os sapatos, jogando-os longe, primeiro um e depois o outro. Ele pode sentir o suor do seu pé em contato com a pele e aquilo quase o enlouquecia de prazer. Foi então que ela continuou com o pé esquerdo sobre ele, mas o direito ela abriu bem os dedos e forçou-os contra o seu nariz.
“Hummmmmmmmm…” ele gemeu maravilhado em sentir o suor dela em seu rosto, em seu nariz, em sua boca… Passou a língua pela sola suada e respirou fundo o seu aroma… O cheiro forte de suor, entranhado naqueles dedos… Longe ele sentia o cheiro de hidratante, mas era o suor dela que o excitava profundamente. Ele fechou os olhos para melhor se entregar às sensações. Foi quando a ouviu dizer: “Lambe meu cachorrinho, lambe o pé da sua Dona… E bom esfregar meu pé assim em sua face, e ver essa carinha de quero mais…” E ele ficou extasiado com aquelas palavras…
Lambia o pé dela sofregamente, com urgência e vontade. “Está com fome cachorrinho? Cuidado para não comer o pé da sua Dona, viu? Hummm… Dá mais uma mordidinha, dá?!” E ele obedecia feliz por servir sua Dona, sua Senhora. E enquanto ele se deliciava nos pés dela, tentava tocar-se, mesmo algemado. Estava em ereção tamanho o prazer…
Abriu os olhos, para melhor apreciar e viu que ela estava de olhos fechados se deliciando com aquilo… Nesse momento, ela também abriu os seus, olhou bem dentro dos olhos dele e disse com voz rouca de desejo: “Chupa?! Quero ver todos estes dedinhos na sua boca, sentir dente por dente em volta do meu pé… Sentir sua língua quente e macia…” E dizendo isso colocou o pé em ponta e invadiu sua boca até quase ele engasgar. Ele chupava como podia e via nos olhos dela o prazer estampado, ela sabia que ele estava quase sufocando, mas o prazer… O prazer era demais.
Nesse momento, não sei se por cócegas, ela mexeu os dedos em sua boca, quase tocando o palato. Provocando nele um espasmo de prazer. Sentiu o orgasmo chegando e soltou um gemido forte, se o pé de sua Senhora não estivesse nesse momento em sua boca, certamente este grito seria ouvido bem longe.
As pernas dela também fraquejaram… Era uma sensação deliciosa, ter aquele homem a seus pés, completamente submetido, proporcionando tamanho prazer. Em seu íntimo ela pensou: “Bom escravo…”, mas logicamente não disse, pois ele não precisava saber… E sorriu com o pensamento.
O orgasmo foi tão intenso… Que o leite dele chegou a espirrar pela perna. E sob os pés dela, o corpo dele estremeceu em espasmos que pareciam não acabar. E quando ela finalmente sentiu que ele estava relaxando, aproveitou que suas pernas também estavam fracas e sentou sobre ele, tocando-o com o seu sexo molhado do próprio gozo. Ela acariciou seu rosto, e depois pegou a chave da algema que estava pendurada em um delicado cordão no pescoço… Abriu… Massageando depois os pulsos dele, que estavam marcados.
Olhou nos olhos dele, lágrimas escorriam pelos cantos. Ele estava suado, exausto, mas… Tinha um leve sorriso nos lábios. Ela tinha consciência do poder e fascinação que exercia sobre ele. Então, também sorriu ternamente enquanto ele a observava quase em choque de tanto prazer. Aproximou os lábios do rosto dele e passou a língua em sua testa. Afastou-se novamente e dessa vez passou o dedo em suas lágrimas. Levando-o lentamente em direção aos seus lábios até enfim lamber. Sorvendo o resultado líquido e levemente salgado daquela sessão. “A sua dor e o seu prazer são meus, de mais ninguém!” E ele então respondeu assentindo com a cabeça: “Sim, Senhora Anna, somente seu!”
Um Segredo

O começo de tudo
A noite estava fria, era a terceira vez que ele olhava para o relógio… Mais uma vez tirou o papel do bolso e conferiu endereço e horário.
Rua Paraíso 421 23:45h
Que bobagem, a ansiedade o fez chegar antes da hora, pelo menos uma hora antes… Sentou-se então naquela escada suja e fria, e relembrou como quem vê um filme todos os acontecimentos até agora…
Naquele dia, pra variar, saiu atrasado. Era a terceira vez naquela semana que a empregada atrasava e consequentemente, ele também. Sua esposa saía antes levando o filho mais velho pra escola, sobrava pra ele ficar com o pequeno até a empregada chegar.
Estava quente, o trânsito um inferno… Enquanto dirigia, pensava na vida. Na sua vida chata. As contas, o trabalho, os colegas, família… Será que estava ficando velho e ranzinza?! Achando chatas as coisas normais da vida de todos?! Não… Ele não era o tipo que se lamenta à toa, sua vida realmente, não foi exatamente o que esperava dela, mas enfim, era a vida que ele escolheu.
De repente, sentiu um solavanco, como uma batida na parte de trás do seu carro. Um carro preto importado, com vidros escuros havia batido nele quando reduzira a velocidade para obedecer ao semáforo, que acabara de fechar. “Só faltava essa…”, pensou.
Saiu do carro e foi olhar a traseira.. A batida não foi séria, mas amassou um pouco, se dirigiu ao vidro do motorista, e deu duas batidas… Achando um absurdo o dono do carro não ter sequer saído ou aberto o vidro. Bateu uma segunda vez, e dessa vez ouviu o barulho do vidro automático, desceu apenas o suficiente para que visse a delicada mão branca, com grandes unhas vermelhas entregando um cartão.
Quando ele ia esboçar alguma reação, uma voz suave e doce disse: “Sinto muito pela batida. Entre em contato e eu cubro todos os gastos. Estou atrasada para uma reunião, e além do mais o sinal abriu. Estamos atrapalhando o trânsito” . Dizendo isso, fechou o vidro, e ele só então se deu conta do barulho de buzina que atordoava…
Meio que hipnotizado, encaminhou-se para o seu carro e mais uma vez deu uma olhada para a traseira dele, não foi tão grave assim, se esse cartão fosse falso, ele também não teria um prejuízo tão grande que não pudesse dar um jeito… Pelo menos alguma coisa havia acontecido em sua vidinha chata…
Deu a partida e seguiu para o trabalho, sequer pode ver qual o rumo que o carro preto havia tomado… De relance, olhou o cartão, e viu que nele não havia nome ou endereço, apenas um símbolo, como um brasão, e um número de telefone celular, instintivamente, levou o cartão ao seu nariz, fechou os olhos e respirou fundo… que perfume…era o perfume dela… Ouviu então uma buzina, e antes que causasse o segundo acidente do dia, resolveu prestar atenção na estrada e seguir com sua rotina sem graça. “
No trabalho
Chegando ao trabalho, nada foi diferente do que sempre foi. Exceto a narrativa entusiasmada do acontecido aquela manhã. Na hora do café, ele foi cercado por uma “audiência” interessada, que fazia os mais diferentes comentários.
“Você viu se a mulher era “boa”?”; “Ihhhh, vai levar o “cano”…”; “Mas você é otário mesmo…, como é que aceita um cartão com telefone celular? Tinha que resolver ali, na hora!”.
Para os seus colegas ele era o maior imbecil, e de certa forma era mesmo. Como deixou aquela mulher passar…? Já nem pensava mais no carro, somente naquele aroma delicioso do cartão, nas longas unhas vermelhas reluzentes, e na pele branca e pálida daquela mão delicada…
O som da voz daquela mulher era completamente diferente de tudo que já havia ouvido, era suave, doce e… Firme. Ela tinha uma força nas palavras, nas poucas palavras pronunciadas, que praticamente o hipnotizou… Como esquecer o som daquela voz, o aroma do seu perfume, estava enfeitiçado…
Ligou para a esposa, comentando o acidente, mas obviamente omitindo o fato que estava completamente enfeitiçado pela mulher… Ela perguntou se ele já havia ligado para o número do cartão, e ele então se deu conta, que estava tão abobado que sequer checou se o telefone existia ou não… Desligou o telefone e mais uma vez pegou o cartão.
Pela primeira vez percebeu, que estava evitando telefonar para ela, sentia um frio na barriga… Como há muito tempo ele não sentia. O que seria? Estava com medo que aquele telefone não existisse… e realmente, nada tinha a haver com o carro.
Digitou então o número e ansiosamente ouviu os toques. O primeiro… Segundo… Terceiro… Quarto… Já pensava em desistir quando ouviu mais uma vez aquela voz: “Sim?!”
Ele ficou mudo… Não só o telefone existia, como era ela… Com sua voz suave e firme. Resolveu então acordar e tentar ser claro e objetivo. Seu assunto com aquela mulher era o carro, nada mais!
“Oi, quem está falando é rapaz do acidente desta manhã…” Ia continuar sua narrativa quando ela o interrompeu: “Rapaz? Hummmmm aconteceu hoje um acidente comigo, mas… foi com um delicioso homem moreno, alto, forte, de cabelos levemente grisalhos…”
Ele ficou mudo… Estava sendo “cantado”? Aquele mulherão estava insinuando-se para ele? Aquele “hummmmmmmm”, era maravilhoso de se ouvir, quase um gemido de prazer. Pensou em deixar acontecer, e ver até onde ela iria. Respirou fundo e continuou: “Rapaz, pois tenho alma de menino…” Ele disse com um sorrisinho, fazia muitos anos que ele não paquerava ou era paquerado, aquilo era um evento para ele…
Ela então mudou o tom sexy da frase anterior e ficou completamente formal: “Ok! E o Senhor já sabe quanto foi o prejuízo?” Completamente desnorteado, ele pensou que ela era louca… Uma daquelas mulheres que a todo instante necessitam provar o quanto são sexies. Era um jogo… Apenas isso… Decidiu então jogar o jogo dela, e ser objetivo. Ele disse que passaria na oficina, que o estrago havia sido pequeno, e que no fim do dia teria o valor. Ela então disse apenas: “Agora estou de saída, me ligue no fim do dia, e veremos como fazer.” Dizendo isso desligou.
Que mulher estranha… Uma hora normal, na outra sexy, em outro momento formal… Que montanha russa. Bem, desde que ela pagasse o prejuízo, estava tudo bem. Podia ser tão inconstante quanto desejasse. Até porque, aquela atitude dava a ela ar ainda mais misterioso…
O fim do dia
Aquele dia saiu do trabalho um pouco mais cedo, ligou pra esposa dizendo que passaria no mecânico e que chegaria em casa mais tarde, por conta do carro. Mais uma vez pegou o cartão dela e respirou fundo aquele perfume, as imagens daquela manhã vieram em flashes em sua mente. Que mão, que unha… Imaginou-se arranhado por elas..
Que loucura! Ficar fixado em uma mulher que nem conhece… E o pior, que é completamente estranha. Resolveu ir logo ao mecânico e saber de uma vez o valor do estrago, assim teria novamente um motivo, para telefonar.
O estrago realmente havia sido pequeno, o mecânico disse que seria serviço para um dia… Podia deixar o carro pela manhã e no fim do dia estaria ok. Pegou o orçamento, uma quantia que ele achou relativamente insignificante, e encaminhou-se para o carro.
Pronto! Já tinha novamente motivo para ouvir aquela voz… Sentia-se um adolescente, tamanha a ansiedade, pegou mais uma vez o cartão e ligou do seu celular. Fora de área! Maldita mensagem, metálica, impessoal… Tentou mais uma vez. Fora de área!
Aquilo o consumia por dentro… Uma angústia, um desespero, uma sensação de que nunca mais saberia dela… Que loucura… Afrouxou a gravata, estava suando.. Não havia nem 10 horas que tinha consciência da existência daquela mulher, e não a tirava do pensamento.
Tentou mais uma vez. E dessa vez chamou… “Ainda bem!”, pensou ele. Primeiro toque, segundo, terceiro, quarto toque… Quanta angústia e excitação por falar com uma mulher que só havia visto sua mão e ouvido a sua voz. “Sim?!”, disse do outro lado da linha, a voz que já era tão familiar.
“Oi, sou eu mais uma vez, te liguei mais cedo, lembra?! A respeito do carro…. Já tenho o orçamento e…” Foi então interrompido por ela: “Anote esse endereço” Falando pausadamente um endereço no centro da cidade: “Esteja lá em meia hora, vou atendê-lo.” Ela concluiu, desligando logo em seguida.
Que mulher estranha… Conhecia o endereço, lá havia muitos escritórios de profissionais liberais. Engenharia, direito, arquitetura, não sabia qual seria especificamente aquele, mas… Sua curiosidade era tanta, que certamente ele estaria lá em meia hora.
O encontro
E assim o fez se arrumou um pouco, penteou os cabelos e em meia hora estava ele diante de uma linda secretária de cabelos negros e olhos azuis. Que já o esperava com um sorriso nos lábios. Ele então falou: “Estou aqui para falar com a Senhora…”, pela primeira vez se deu conta, que nem seu nome ele sabia. A secretária então perguntou: “É a respeito do carro?”. Ele disse: “Sim, isso mesmo! Gostaria de falar com sua chefe a respeito do orçamento.” A secretária então falou: “O senhor pode deixar comigo o valor e número da sua conta, tenho recomendações para fazer o depósito amanhã pela manhã.”
Ele ficou decepcionado, passara todo o dia esperando por aquele momento, e quando enfim chegou, ela não o receberia… Mais um momento decepcionante para a sua vidinha chata. Resignadamente anotou seu nome e o número da conta em um papel, e se deu conta que foi expectativa demais para uma situação tão comum.
A secretária assegurou que o depósito seria feito logo pela manhã, e que não havia com que ele se preocupar, sua chefe era muito correta com todas as suas responsabilidades. Resolveu então, perguntar a secretária o nome dela, o que fazia, mas… Desistiu antes de começar a falar, como era de seu costume…
Quando estava saindo o interfone tocou, e ele então ouviu a secretária: “Espere um minuto, por favor.” Ele parou, estava acostumado a obedecer, prendeu a respiração e começou a imaginar o que poderia ser… Ouviu a secretária dizer uma série de: “Sim, senhora!”; “Não, senhora!”; “Pode deixar senhora, eu faço isso!”. Ao desligar, a secretária deu um sorriso para ele e disse: “A senhora o espera lá dentro…” E abriu a porta de uma enorme sala para ele, indicou uma cadeira que ficava bem a frente de uma grande mesa, e saiu.
Ela!
A sala estava vazia, era ampla com design moderno e poucos móveis, havia uma mesa de desenho no canto, tudo de muita beleza e bom gosto… Havia uma outra porta lateral, certamente ela viria por lá… A sala tinha o aroma dela, o mesmo perfume do cartão. Ele então fechou os olhos e respirou fundo, como se com aquele gesto ele a trouxesse para perto de si. Materializasse todos os seus sonhos cultivados ao longo do dia.
Ouviu então passos por trás dele, ela realmente veio pela porta lateral, por instinto ele virou o rosto na direção dela. E ficou mudo mais uma vez… Imediatamente olhou para as mãos e viu aquelas unhas pintadas de vermelho. Realmente era ela…
Era uma mulher interessante, não era linda, mas muito sensual… Tinha olhos muito expressivos, nariz levemente arrebitado, lábios carnudos que davam àquele rosto uma conotação erótica, cabelos presos em um coque no alto da cabeça que dava a ela um ar sério, usava saia e blusa pretas, um decote V mostrando os seios fartos… Tinha a pele clara, era alta e parecia ainda mais alta em cima daquele escarpin vermelho de salto finíssimo, como uma mulher conseguia equilibra-se em cima daquilo?
Ele a via como se estivesse em câmera lenta, queria guardar cada detalhe daquela imagem, sem dizer nada, ela sentou na enorme cadeira que estava a sua frente e cruzou as pernas… Como a mesa era de vidro, ele podia ter a visão maravilhosa das suas pernas e pés… Ela não dizia nada, apenas o observava, com um enigmático quase sorriso nos lábios. Balançava seu pé levemente embaixo da mesa como se quisesse chamar atenção pra ele… E estava conseguindo… Ele estava completamente hipnotizado por aquela mulher…
Por algum motivo que ele não sabia explicar, estar diante dela o deixava petrificado, quase em transe, se por telefone, ouvir aquela voz o fazia estremecer de desejo, ver à sua frente aquela deusa… era inexplicável.
“Você iria embora sem falar comigo?” Perguntou ela enfim, olhando-o diretamente nos olhos. Ele não conseguia responder… Ela levantou, calmamente deu a volta na mesa, e parou diante dele. Encostou-se, e colocou a ponta do seu pé entre as pernas dele, tão excitado que mostrava uma visível ereção, ela então empurrou a cadeira mais para o centro da sala e passou a andar em volta dele… Lentamente.
Aproximou-se do rosto dele e disse em seu ouvido: ”O gato comeu sua língua?” E continuou andando em volta dele… Ele então levantou e antes que ele dissesse alguma coisa ela disse com firmeza: “Quem mandou você levantar? Sente-se!” E ele automaticamente obedeceu! Que loucura… de repente ele se sentiu uma criança, com medo, ao mesmo tempo em que ficou excitado como jamais ficou antes… Aquela mulher à sua volta o dominava com um olhar…
Ela parou por trás dele. Sua respiração estava cada vez mais ofegante. Como estava excitado com aquele jogo. Não ousava sequer fazer um movimento. Imaginava o que ela faria agora… O silêncio dela o excitava, ela o tinha nas mãos, de uma forma que nunca estivera, entregue…
“Fique de pé!”, disse ela acordando-o do seu transe… E assim ele fez. “Vire-se pra mim!”, e enquanto ele virava-se lentamente ela disse: “mas não me olhe diretamente!”. Aquelas ordens o excitavam, a maneira firme como ela falava, sem levantar a voz…
Ela mais uma vez caminhou a sua volta, e dessa vez, como não podia olhar diretamente, via apenas os seus pés, naquele scarpin altíssimo vermelho… Era uma mulher de personalidade, toda de negro com scarpins vermelhos…, a curvatura do seu calcanhar, seus tornozelos… Como aquilo mexia com ele.
Ela então se encaminhou para a mesa, e ele continuou como estava, de pé, olhando para baixo. Mais uma vez ela lhe dirigiu a palavra, e dessa vez mais uma vez com doçura. “Sente-se, por favor…” E assim ele fez, com o coração aos pulos, sem entender o domínio daquela mulher sobre ele. Ela estava mais uma vez sentada em sua cadeira, por trás da mesa de vidro…
Ele suava… Ela deu um sorriso amistoso para ele, e disse que não havia por que ele ter medo. Anotou uma coisa em um bloco, arrancou a página e disse: “Gostei de você… É um homem interessante. Espero-te hoje à noite neste endereço. Não se preocupe, sei que vai gostar…”
Dizendo isso, levantou-se, e abriu a porta… Como um autômato ele levantou-se e antes de sair, tomou-se de uma coragem que surpreendeu a si próprio e perguntou olhando-a nos olhos: “Qual o seu nome?” … “Ana” ela respondeu. E antes que ele dissesse mais alguma coisa ela finalizou: “Te espero na hora e no lugar marcado… Carlos.” Ela sabia o seu nome, talvez a secretária tivesse dito, ele havia anotado junto com o número da sua conta, mas… o que importava?! Era tudo uma grande loucura até agora…
Mais uma vez olhou o relógio, 23:40h. Faltava pouco para saber “o que” ele iria gostar. Sua vida havia sido um inferno até aquele momento, tamanha era a ansiedade. Aquele vento frio, o barulho das ondas ao longe… Felizmente era uma noite clara, e até agora, ele não sabia “como” ou “porque” estava ali. Mentindo para sua esposa e esperando por uma mulher que só sabia o primeiro nome, Ana…
Rua Paraíso 421 23:45h
Ouviu então que um carro se aproximava… Olhou o relógio 23:45h. Nossa!!! Ela era pontual, mulheres não costumam ser assim, pensou. O carro parou diante dele, apagou os faróis e a porta abriu… Sentiu um aperto na boca do estômago. Como ele esperou por aquele momento, talvez toda a sua vida e sequer tivesse consciência disso.
Ela estava maravilhosa… Os cabelos presos no alto da cabeça, com um suave sorriso nos lábios, quase que o tranqüilizando. Veio em sua direção, carregava uma maleta preta. Usava um vestido preto, bem justo. No decote havia um zíper prateado, estrategicamente aberto, mostrando um pouco dos seus seios. Não usava meias, e dessa vez, ao invés do scarpin vermelho, calçava uma sandália de saltos altos e finos, preta, cravejada com três delicadas pedras que chamavam a sua atenção, como diamantes. Tiras de couro finíssimas atavam calcanhar e tornozelos, subindo trançadas por sua perna até quase a altura dos joelhos. Enquanto andava em sua direção, pôde perceber que suas unhas dos pés, eram tão perfeitas como as das mãos, vermelhas e bem feitas.
Aquela imagem o fez lembrar de uma cena da sua adolescência, quando viu sua prima, que sempre passava férias em sua casa, pintando as unhas. Lembrou que ficava de longe observando, fascinado… Enquanto ela lixava, pintava e cuidava dos seus pés, ele observava a curvatura dos pés dela, o calcanhar, os dedos, às unhas… Certa vez, sem perceber ficou com o pênis ereto, estava realmente excitado. Sua prima então o percebeu, e fez um comentário maldoso em voz alta: “Ô tia, olha o Carlos aqui, me olhando com cara de tarado…” No auge da sua timidez ele correu para o seu quarto e dali só saiu quando todos já haviam esquecido o episódio daquela tarde.
Ela tocou em seus ombros e acordou-o do flash-back “Chegou à muito tempo?”, perguntou. Ele então disse que sim, mas que não tinha o menor problema… “Vamos entrando então…” ela disse abrindo a porta.
A sala era ampla pintada em um tom laranja escuro que dava ao ambiente um ar aconchegante, os móveis escuros com assentos de veludo vermelho, o chão era de madeira corrida, e na parede do fundo, um quadro com a mesma figura do cartão que ela entregara a ele pela manhã. Manhã que já parecia tão distante… Antes que perguntasse ela disse: “É o brasão da minha família, somos descendentes de nobres italianos… sente-se por favor ?!”
Ele sentou, ela dirigiu-se ao bar no canto da sala, preparou dois copos de whisky e entregou um dos copos a ele, sentando-se na cadeira à sua frente com as pernas cruzadas… Balançando o pé diante dele, aqueles lindos pés, sem dizer nada, apenas observando-o, com aquele mesmo sorriso cordial. Ele bebeu seu whisky quase que de um gole só e ela perguntou se ele queria mais, respondeu que sim, e ela deixou então a garrafa diante deles, dizendo que estivesse à vontade para beber o quanto desejasse. E assim ele fez. A bebida o relaxava.
Ela falou um pouco da casa, que herdou quando seus pais faleceram, mas que estava reestruturando tudo, era arquiteta e tinha muitos projetos, mas que queria manter a essência do lugar. Perguntou um pouco sobre a vida dele, ele disse que era casado, funcionário público federal, tinha dois filhos, e uma vida bem comum. Uma vida que ele tinha que aceitar afinal essa era a sua opção de vida, tinha certeza do amor da esposa e também do amor que sentia por ela. Podia dizer que era um cara feliz.
“E o que faz aqui então?”, ela perguntou calmamente. “Eu não sei…”, respondeu ele baixando a cabeça.
O quarto dos fundos
Ela levantou então e disse: “Vem comigo… e traz aquela maleta.” Passou por um corredor, onde havia uma série de portas, seus passos ecoavam naquele assoalho de madeira. Ela parou diante da última porta, abriu dizendo que colocasse a maleta em cima de uma mesinha no canto. Era um quarto não muito grande, havia um pequeno divã de madeira escura também, com estofado vermelho, uma poltrona de encosto alto que parecia fazer par com o divã, um pequeno tapete no chão, aos pés da poltrona e a mesinha onde havia colocado a maleta. Uma das paredes era repleta de livros de cima abaixo. E a outra era coberta por uma grande cortina vermelha.
“Tire a roupa!” ela disse, com a mesma voz firme que ele já havia ouvido aquela tarde. Ele quis esboçar um comentário, mas ela repetiu com mais firmeza. “Tire a roupa!” e dessa vez ele obedeceu… Ela sentou calmamente na poltrona, ficou observando-o tirar toda a roupa ali à sua frente, tinha as pernas cruzadas, e seus olhos tinham uma expressão que ele não sabia decifrar.
Tirar a roupa diante daquela mulher era como despir-se de todos os seus problemas, do seu trabalho sacal, da sua “subvida” como tantas vezes a chamara obedecer àquela ordem, era confortável e prazeroso. O que viria depois??? Sem perceber ele sorriu…
“Quem mandou você sorrir?” Ela disse levantando-se bruscamente e ficando à sua frente, tão próxima que ele podia sentir seu perfume, aquela proximidade o incomodava deliciosamente “O que você acha engraçado?” ela continuava. Ele olhou pra ela e abriu a boca para responder, ia falar do prazer que sentia, mas ela o interrompeu mais uma vez, “Não olhe pra mim, você não é digno de olhar em meus olhos, você é nada!” E ele obedeceu baixando os olhos…
“Fique de joelhos! Aqui, diante de mim, não diga nada! A menos que eu ordene!” Era como se ela fosse outra mulher, completamente diferente da que pouco antes conversava com ele cordialmente na sala, e ele também, era outro homem, naquele momento, a única coisa que valia a pena ser, era o que ela quisesse que ele fosse. E nesse momento o que ela queria, era ele de joelhos diante dela. “Não levante os olhos, não olhe pra mim.” Ele sentiu a mesma sensação daquela tarde, mais uma vez não conseguia explicar sua ereção, aquela situação humilhante o excitava… Muito.
Ela andava pelo quarto, devagar… Quando andava a sua frente, ele podia ver seus pés, e quando estava atrás, ouvia os seus passos… Ele ali, de joelhos, com a cabeça baixa, seu pênis inexplicavelmente ereto e latejante, a respiração ofegante de tanto desejo… Ouvindo os passos dela pelo assoalho de madeira, imaginando qual a próxima ordem…
“Abaixe-se e deite no chão, assim como está… de bruços, sem levantar os olhos”, e mais uma vez ele fez. Ela levantou um pouco o vestido, colocou um pé de cada lado do corpo dele, e se agachou sobre ele , ajoelhando-se. Ele pôde sentir o salto da sandália roçando as suas coxas e também o sexo dela quente tocando as suas costas, ela não usava calcinha, também estava excitada, como ele… O que ela faria agora? De repente, ela passou uma venda preta em seus olhos, e amarrou com firmeza, levantando logo em seguida. “Pronto! Agora se deite de costas, com a barriga para cima.”
Ele não podia ver nada, a venda estava apertada, dava um desconforto ainda maior não saber o que acontecia a sua volta. Ao mesmo tempo, aquilo o excitava. Continuava a ouvir os passos dela, mas não podia mais ver seus pés… Apenas imaginá-los, suas pernas, seus seios, a lembrança do sexo dela quente a pouco em suas costas… Ele então ouviu ela mais uma vez aproximar-se dele e parar a seu lado. Sentiu então um dos pés dela sobre ele, sobre o peito dele, não sentia o salto, ela apenas o acariciava com a sola da sandália. Passou a sola pelo seu peito, pescoço, roçou em sua barba e parou em sua boca. Fez uma suave pressão esfregando suavemente, mas com força, e continuou a carícia. Agora, pressionando também levemente o salto nele… Era uma dor aguda, mas deliciosamente erótica… Sentia o seu corpo estremecer de dor e desejo… Que louca sensação. Ela então se afastou e ele mais uma vez ficou ansioso e apreensivo com o que aconteceria depois.
Ele ansiava por cada atitude dela, com certa angústia e prazer, já havia até aquele momento experimentado humilhação, dor… E ainda estava excitado, na verdade, cada vez mais… Sentiu então o pé dela em sua testa, descalço seus dedos traçando um desenho imaginário em seu rosto. Sentia seu pé ainda quente e suado, pois ela acabara de tirar as sandálias… Instintivamente ele levantou as mãos para acariciar sua perna, mas ouviu: “Não ouse!” e ele obedeceu, como um menino obedece a sua mãe, obedece a sua professora.
E ela então, com os pés descalços subiu em seu peito… Aquela pressão era quase uma carícia… Sentiu-a roçar sua sola em seu rosto, e quando ela falou: “Passe a língua!” assim ele fez, lembrando que muitas vezes desejou fazer isso em sua esposa, mas a timidez o impedia, o medo de ser considerado anormal… Lambeu aquela sola, com tanto desejo, tanta vontade… Sentiu o cheiro de suor entre os dedos dela, beijou-os um a um, quando ela disse enfim: “Agora segure e acaricie…” assim ele fez, com tanto desejo… Que colocou todos os dedos daquele delicioso pezinho de uma só vez em sua boca, com necessidade e urgência, completamente excitado quase em êxtase. Quando ela então tirou o pé da sua boca… De uma só vez: “Não! Ainda não!” disse ela saindo de perto dele.
A maleta preta
Sem entender, com a respiração ofegante… Completamente desnorteado, com o sexo latejando de tanto desejo ele estava ali, esperando, ansiosamente pela próxima atitude dela… Dava uma sensação de medo, excitação, liberdade… Uma mistura de tudo que já sentira até aquele momento.
“Levante agora, e me dê sua mão.” Guiou-o até o divã vermelho. “Sente-se!” e mais uma vez, afastou-se dele, que ainda com os olhos vendados, ouviu um som, como se ela estivesse abrindo a maleta preta. Ele podia ouvir que ela pegava alguma coisa, mas não sabia exatamente o que… Pensou ter ouvido barulho de chaves, mas tudo ficava por conta da sua imaginação. Parecia demorar uma eternidade.
Ela enfim aproximou-se e dessa vez, não disse nada, apenas o empurrou no divã, com força… Ele não entendia muito bem o que estava acontecendo, teve medo, ela ficou por cima dele e então… Prendeu primeiro o seu pulso direito a uma algema, e atou-a no pé do divã, logo depois fez a mesma coisa com o esquerdo. Pela primeira vez naquela noite, ele temeu pela sua vida… Pensou em seus filhos, na esposa… Teve um medo real. O que aquela louca faria com ele, ao mesmo tempo em que passava uma imensidão de coisas em sua mente… Ele sentiu que estava prestes a ter um orgasmo… Estava completamente excitado com tudo aquilo, se debateu tentando se soltar, mas as algemas apenas apertavam mais o seu pulso. Quanto mais ele se debatia mais apertava.
Ela saiu de cima dele, e aquilo causou ainda mais desespero, pois ele não tinha como imaginar o que viria depois. Tinha os olhos vendados e as mãos atadas. Estava completamente entregue àquela mulher…
Sentiu então os pés dela entre as suas coxas, com suavidade, com as pontas dos dedos de um dos pés, ela acariciava os seus testículos. Enquanto com o outro pé, passava pela parte interna da sua coxa… Ele estava completamente louco de tanto prazer… Sentiu que não conseguiria segurar o orgasmo por muito mais tempo, foi quando sentiu os pés dela unidos em volta do seu pênis, acariciando-o, masturbando-o, aqueles pés quentes e macios deslizavam pelo seu pênis, subindo e descendo, para cima e para baixo, provocando uma sensação que ele nunca imaginara existir…
E então, sentiu um calor tomar conta do seu corpo, como se uma explosão estivesse prestes a acontecer. Sentiu o corpo retesar, para depois estremecer em um orgasmo louco, que veio em ondas… e parecia não ter fim… Apesar da venda nos olhos, foi como se visse um clarão a sua frente, uma luz, a luz que ele necessitava para saber que estava vivo. Que sua vida era mais que a mesmice do dia a dia, e então gritou… Um grito de libertação, de prazer… Um grito que exprimia toda a força daquele orgasmo, daquela sensação maravilhosa.
Um segredo
Ele não sabe quanto tempo durou a explosão do seu orgasmo, nem tampouco quanto tempo ficou ali, inerte naquele divã, sentia a sua alma leve e em paz, como há muito tempo não sentia. Ainda com o olho vendado e algemado, sentiu o corpo lavado por um suor libertador, não ouvia nenhum som além da própria respiração que aos poucos se acalmava.
Sentiu então as mãos dela em seu pulso, abrindo a primeira algema, depois no outro pulso, abrindo a segunda algema. Carinhosamente ela desatou sua venda e ficou sentada a seu lado massageando o seu pulso… Ele demorou a abrir os olhos, a luz… o incomodava. Quando finalmente abriu, viu o rosto dela… Também suado, exausto, com os cabelos soltos e emaranhados, sorrindo carinhosamente para ele.
Era uma outra mulher, e ele um outro homem, ele não sabia explicar o que havia acontecido naquele quarto dos fundos, mas talvez ela sim. Ela o levara até aquela casa, ela devia saber mais sobre tudo o que acontecera.
“Ana, como você sabia que eu iria gostar?” perguntou ele, pela primeira vez sem medo. Sua pergunta era quase um agradecimento. “Quando o vi esta manhã, enquanto caminhava em minha direção depois da batida, vi a resignação estampada em seu rosto. Resignação de quem acredita que já sabe tudo o que pode esperar da vida, que já foi submetido a tudo e a todos. Que nada mais pode ser novidade… Pensei então, que “eu” podia te mostrar o contrário, que nós nunca sabemos realmente quem somos, o que esperamos, ou do que somos capazes.” ela disse, e continuou: “ Carlos, amor é essencial, mas… o prazer também é essencial. Nada do que aconteça entre quatro paredes é errado ou pecado, desde que se tenha mútua permissão pra isso.”
“Mas… e amanhã? Como vou olhar pra minha esposa, meus filhos, meus colegas de trabalho?” Perguntou ele realmente preocupado. Ela então fixou aqueles grandes olhos negros nos olhos dele e disse: “Da mesma forma com que sempre olhou, aliás, melhor, pois agora você sabe que a sua submissão não é uma fraqueza, desde que você a exercite no lugar e na hora exata e use-a para o seu prazer. Ninguém precisa saber o que aconteceu esta noite. Este será o nosso segredo!”.
Ele então fechou os olhos e deu um suspiro… “Sim, este será o nosso segredo…” pensou.
Beattrice por Beth Vieira
• Acordo de mau humor
• Nem sempre entendo piada
• Não aceito rótulos, pois não sou compota
• É melhor ser alegre que ser triste
• Não sou louca por chocolates
• Sou bananólatra compulsiva
• Minha bebida predileta é água
• Água do filtro, nunca gelada
• Tenho uma TPM terrível
• Sorrio e choro vendo comédia romântica
• Uma leitora fiel de Paulo Coelho
• Não estou nem aí pra quem diz não gostar
• Não sei fazer café gostoso
• Mas sou viciada num bom café
• Só entro em cozinha em dias especiais e até gosto
• Signo solar em virgem
• Ascendente e lua em escorpião
• Horóscopo chinês cachorro
• Só não pergunte mais nada de horóscopos
• Todo meu conhecimento astrológico termina aqui
• Acho o meu sorriso alegre
• E o meu olhar expressivo
• Prefiro os meus peitos, à minha bunda
• Mas entre peito e bunda, ainda prefiro o meu cérebro
• Sou complicada por natureza
• Mas com esperança de descomplicar um dia
• Não casei ainda por que sou uma chata exigente
• Ou quem sabe eu ronque dormindo… Não sei!
• Li o Soneto da Fidelidade de Vinícius
• E aceitei o poema como verdade.
• Se amores imortais não existem…
• Esperarei pelo homem certo, experimentando os errados
• É muito mais divertido
• Não ligo pra pênis grande
• De quatro é melhor que por cima
• Li o kama sutra e achei um saco
• Dama, apenas na sociedade.
• Na cama sou quem quiser
• E como eu não sei como acabar este texto…
• Tchau!
